sexta-feira, 31 de maio de 2013

Governo de Traidores

Governo de Portugal, Traidores
Print Screen do site do «Governo de Portugal» (sic) às 18h45 de 31 de Maio de 2013

Já compraram «Servidões» de Herberto Helder?

Herberto Helder, Servidões, Assírio & Alvim
Servidões
de Herberto Helder
Editor: Assírio & Alvim
Edição: 2013
Páginas: 128
ISBN: 9789723716962



Corre por aí a informação que já se encontra esgotado em muitas livrarias, e que a editora já não tem mais exemplares para distribuição (!) Nos sites online ainda não aparece como esgotado... Gostaria de saber quantas das pessoas que o compraram o vão ler? Afinal toda a gente sabe que só há cem ou duzentos leitores de poesia em Portugal...

(...)

Baloiçar...

Baloiço, Balouço, Swing, Rocking


Enquanto lia este post no The Cat Scats, lembrei-me deste poema, ou rascunho de poema, ou qualquer coisa parecida com um poema, que rima, e que escrevi há mais de quinze anos, quando Mário de Sá-Carneiro era o meu poeta preferido - e ainda é, e ainda é... embora a distância que então levava para os que vinham atrás fosse maior. Tinha lido A Confissão de Lúcio, provavelmente "o" livro da minha vida, e queria ler tudo o que ele tivesse escrito. Não era fácil encontrar as restantes obras, e se pouco tempo depois encontrei uma edição da poesia completa, e nos anos seguintes consegui adquirir todas as novelas que havia publicado em Princípio e Céu em Fogo, só alguns anos mais tarde consegui por fim ler a obra que me faltava, a peça teatral Amizade, escrita a quatro mãos com Thomaz Cabreira Júnior, o seu melhor amigo - quando Mário de Sá-Carneiro ainda não conhecera Fernando Pessoa nem assinava com os apelidos unidos pelo hífen - e que se suicidou em 1911 com um tiro de caçadeira, cinco anos antes de Mário Sá-Carneiro se suicidar com estricnina...


quinta-feira, 30 de maio de 2013

1001 Empregos - Para Portugueses! - Falar a Verdade...

Desemprego, Instituto de Emprego e Formação Profissional, IEFP

Depois de ler este artigo «Podemos confiar nas notícias que oferecem 1001 empregos?» tenho andado a pensar em dar a minha achega ao assunto. A pergunta parece só uma, mas há duas questões a ser respondidas. Primeiro, podemos confiar nas notícias? Segundo, podemos confiar nas notícias que oferecem 1001 empregos?

Comecemos pelo princípio. Pensava nisto, um dia destes em que o Público me enviou um e-mail (por estar registado no P3, suponho) a pedir para responder a um inquérito de opinião. Bem pode o Público pedir-me para responder a inquéritos (a que respondo de boa vontade), para tentarem perceber se estou disposto a pagar 10€, 20€, 25€ para ter acesso à versão online. Na verdade, se o Público quer saber, não estou disposto a pagar um tostão pela porcaria que publicam. Nem pelo Público, nem pelo Diário de Notícias, ou pelo Jornal de Notícias - que no meio de tanta porcaria, são os únicos que ainda têm uma pontinha de utilidade - uma pontinha que não vale um tostão, nem furado. Artigos que não têm ponta por onde se lhe pegue, cópias mal amanhadas, mal escritas, e mal traduzidas de agências de notícias. Notícias parciais, parciais por serem incompletas, e parciais por serem tendenciosas. Notícias sem qualquer objectividade: números deturpados, opiniões disfarçadas de factos, notícias sem qualquer relevância além de parecerem encomendadas; e, já se sabe, neste inferno de aparências, o que parece, é. Não é estranho ler a mesma notícia em jornais diferentes, uma dizer o contrário da outra, e nenhuma corresponder aos factos. Podemos confiar nas notícias? Não.

A resposta à primeira questão deixa a segunda respondida: não podemos confiar nas notícias que oferecem 1001 empregos. Casos concretos: nos organismos da Organização das Nações Unidas (ONU) há vagas que tem cotas, todos os anos há recrutamentos, e as vagas disponíveis são para ser preenchidas tendo em conta critérios de Nacionalidade. Imaginemos que há 1000 vagas, e que, nesse ano, 10% das vagas são para ser preenchidas por Portugueses; 100 vagas, portanto. Qual é que julgam que vai ser a notícia? «100 vagas para Portugueses na ONU»? Claro que não. Claro que vão dizer que são 1000! Quem lê os jornais Portugueses (no Diário Económico é um exagero!) fica com a ideia que anda todo o mundo à cata de Portugueses! Há 8000 ofertas de emprego na Bélgica? «Bélgica procura 8000 Portugueses», «Bélgica: há 8.000 empregos para Portugueses. Saiba como candidatar-se.» Há vagas nas instituições da União Europeia? Obviamente são todas para Portugueses! Há uma empresa Alemã que têm um processo de Recrutamento & Selecção a decorrer? Isto só pode querer dizer que a empresa quer contratar 200 ou 300 engenheiros Portugueses - quem havia de pensar noutra coisa? Canadá, Austrália, Angola, Brasil, Emiratos Árabes Unidos, Qatar, Inglaterra, Irlanda, Noruega, Suíça, Colômbia, Venezuela? O Mundo!

Aos jornais exige-se antes de tudo o resto, isto: verdade! Não oferecendo verdade, não servem nem para limpar o cu, nem para embrulhar o peixe, nem para limpar ou tapar vitrines. Não servem para nada - ou talvez, apenas, para nos rirmos um pouco. Rir para não chorar.

(a continuar...)

E Quando Ficares Sem Trabalho?

E quando ficares sem trabalho?


E quando não tiveres o que comer?

Ali para os lados de Belém: Mamute congelado descoberto ainda com sangue...

Mamute

Cientistas Russos descobriram um mamute ainda com sangue, numa ilha do Ártico - são loucos estes cientistas, que ali para os lados de Belém anda um mamute que além de ainda ter sangue, também anda e respira, não precisavam de ir lá para o frio a escavar gelo, que o dos lados de Belém é igualmente gelado. 

E a Joana Vasconcelos, não conseguirá transformar isto em arte? Parece-me que seria uma combinação perfeita: cacilheiros, mamutes, e tachos... O Aníbal Cavaco Silva que patrocine a exposição, ou já não há quem entenda o estado da arte...?

As Novas Mil e Uma Noites, de Robert Louis Stevenson - WishList #1

As Novas Mil e Uma Noites, Robert Louis Stevenson, Assírio & Alvim
As Novas Mil e Uma Noites, II volume
de Robert Louis Stevenson
Editor: Assírio & Alvim
Edição: 2013
Páginas: 216
ISBN: 9789723716863



Sinopse: As Novas Mil e Uma Noites é um livro de histórias. Nem outra coisa poderia ser, já que tal título — New Arabian Nights, no original inglês — nos remete directa e imediatamente para a fabulosa e famosíssima colectânea das Mil e Uma Noites.

Xerazade, tal como o ignorado árabe que escreveu as histórias que ela contou, era senhora dos recônditos segredos dessa arte por tantos praticada e por tão poucos conseguida. Também assim aconteceu com Robert Louis Stevenson, que, após a conclusão de cada uma das histórias que coligiu sob os títulos de O Clube dos Suicidas e O Diamante do Rajá, nos faz saber que delas teve conhecimento por intermédio de um suposto manuscrito redigido por um misterioso autor árabe.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Puta que Pariu! Há gajos com uma memória prodigiosa!

Eu lembro-me bem desse momento. Nunca esquecerei o momento em que nasci e, sobretudo, nunca esquecerei o primeiro beijo que a minha mãe me deu - quase moribunda por me ter parido. (A sério?)

Como fazer um blog literário?

Livro, Book, Crâneo, Caveira, Escultura em Livro

Este é mais um post meramente instrutivo para vos ensinar a fazer um blog de livros - alguns têm o desplante de se auto-intitularem blogs literários; a gente dá-lhes um desconto, que não sabem o que dizem, mas gostam - adoram! - livros - todo o tipo de livros - desde o manual de auto-ajuda até àquele clássico russo do século XIX - tudo a mesma coisa. Alguns são mais exigentes, focam-se somente na Literatura: desde As Cinquenta Sombras de Grey, de E. L. James, até Inferno, de Dan Brown, passando por Ulysses, de James Joyce, Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust, ou um clássico russo do século XIX - tudo a mesma coisa. Tem folhas, letras, e tudo.

Há quanto tempo é que você tem esses sentimentos de inutilidade?

Euro, Crise, Cartoon, Quanto tempo me resta

Um paciente, na sua boa fé, espera na sala-de-estar do consultório médico e vai lendo os artigos de um jornal que lá está sobre a pequena mesa. Já não precisa da consulta, está curado. Fica a saber pelos jornais que não tem doença nenhuma. Paga a consulta que não chegou a ter, Bom Dia, Muito Obrigado!, diz para a Secretária, levantando o chapéu e sorrindo, e vai feliz da vida para casa.

O euro tornou-se “uma referência mundial e mesmo em tempos de crise mantém-se como uma moeda forte e estável”, realçou o Presidente da República. “É sabido que com o agudizar da crise económica e financeira vieram ao de cima algumas fragilidades da união económica e monetária”, admitiu Cavaco Silva, mas desde 2010 “estão a ser tomadas algumas medidas para retomar a estabilidade” que Portugal apoia e que irão “preparar aquilo que será uma união económica e financeira verdadeira e genuína”. “É um caminho que esperamos que conduza a maior estabilidade da zona, para um aumento da confiança, para o crescimento económico e a criação de emprego”, afirmou. (Público)

A Secretária franze as sobrancelhas, suspira, diz de si para si, entredentes, Aqui não se dão consultas de Psiquiatria! Intrigada, pega no jornal que o paciente estivera a ler:

terça-feira, 28 de maio de 2013

Mia Couto, Prémio Camões 2013

Mia Couto, Prémio Camões 2013

Perguntou-me uma leitora do blog, por e-mail, se lhe aconselhava a leitura de Mia Couto, Prémio Camões 2013. Por princípio aconselho sempre que se leia; no caso concreto não posso dizer mais nada, porque não li absolutamente nada do autor em questão. E não está na minha lista de prioridades: lamentavelmente serão sempre mais os livros (e autores) que não lemos, que aqueles que lemos.

Lista de Vencedores do Prémio Camões (a negrito os que li):

The Sleepwalkers: a euro disaster waiting to happen

The Sleepwalkers, a euro disaster waiting to happen, Portugal, European Union, The Economist

Qual a semelhança entre os sonâmbulos que lideram a Europa, à espera que o desastre aconteça, e os Portugueses que vivem um pesadelo? Ambos dormem.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Servidões, de Herberto Helder

Servidões, Herberto Helder, Poesia, Assírio & Alvim

Novo livro de Herberto Helder, Servidões. Servidões, palavra que convoca para o meu cérebro a imagem de multidões de servos, as multidões de escravos dos tempos modernos que nada têm de moderno, e que fazem fila para serem comprados, e que competem entre si para ser comprados: oferecendo mais, mais trabalho, mais competências, mais conhecimentos, mais esforço, mais tempo, mais produtividade, por menos, menos remuneração, menos direitos, menos tempo, menos vida, porque são apenas um produto que tem que se vender; palavreado bonito - eufemismos - para dizer exploração, escravatura.

Mas era do novo livro de Herberto Helder que queria falar. Servidões terá apenas 5000 exemplares. Depois, os poemas que compõem esta nova obra integrarão - provavelmente - uma nova edição da sua poesia completa, Ofício Cantante. Algo me dizia, quando comprei Ofício Cantante, que não devia comprar ainda. Se um dia sair desta condição de escravo e for viver para a quinta, talvez tenha maneira de adquirir os poemas de Servidões. Um livro de poesia de 5000 exemplares, algo muito raro em Portugal, mas que provavelmente esgotará num instante. Porque não terá reedição, e para aqueles sujeitos estranhos, estratosfeéricos - tenho que registar a patente desta palavra - que se estão a marimbar para os livros, Herberto Helder é um bom negócio.

Dizem que houve exemplares de A Faca não Corta o Fogo, a obra anterior de Herberto Helder, que poucas semanas depois do lançamento eram vendido a preços três vezes superiores... Estou aqui a pensar para comigo se tenho o A Faca não Corta o Fogo...? Sinceramente não sei... Se um dia voltar a Portugal, tenho que ver nas minhas estantes...

Como não tenho Servidões, não vos posso deixar aqui nenhum poema para poderem refrescar a curiosidade. No entanto, deixo aqui o poema com que descobri Herberto Helder, há muitos anos, o primeiro poema de Herberto Helder que li, e aquele que ainda hoje é o que mais gosto:

«Sistema de Requalificação da Administração Pública, nome orwelliano para o despedimento»

Tento sempre arranjar uma imagem para juntar ao texto, o que por vezes é difícil. Foi este o caso. Pensei em publicar o post sem imagem - depois foi ao Paint, e fiz a que vêem acima. Para este post, primeiro uma citação de José Pacheco Pereira (podem ler o texto completo aqui), com alguns negritos da minha responsabilidade, que o autor não colocou no texto - depois um excerto de um e-mail de uma pessoa Grega, cuja identidade não é nem será revelada, por motivos de segurança:
Ou seja, não faltam temas para escrever a gosto. Mas há os temas a desgosto, há "outra" semana, mais cruel e dura e conforme com os tempos. Na rua, as pessoas que me falam, e são cada vez mais, transmitem desespero, medo e muita raiva. Querem ter "voz", porque não a tem.

Uma completa desmotivação, uma forma elegante de referir uma invisível greve de zelo, atravessa o Estado e a sociedade, resultado da perda de tónus social que vem do empobrecimento. Funcionários públicos aviltados que quereriam fazer greve, mas sabem que vão ser as "chefias" a decidir quem vai para o Sistema de Requalificação da Administração Pública, nome orwelliano para o despedimento. 

Há quem perceba que, pela primeira vez, não tem dinheiro para pagar impostos e percebe que a partir de agora a vida vai ser um calvário do "outro lado da Lua". Há quem, reformado e idoso, receba uma carta ameaçadora de um senhorio pedindo cinco, dez vezes mais, com ameaça de o pôr na rua da sua habitação de há 30 anos. Isto já depois de ter actualizado a renda. Há quem, como toda a correnteza de pequenas lojas comerciais da Baixa de Lisboa, restaurantes, cafés, alfarrabistas, clubes centenários, vá para a rua nos próximos meses, porque os senhorios decidiram "fazer obras". O mais dramático disto tudo é que a lei está tão mal feita que vai acabar de certeza por ser corrigida e muitos aspectos mais gravosos serão suspensos, mas deixando para trás um rastro de sofrimento e insegurança escusada. 

À minha volta, no centro de Lisboa, vai fechar dentro de dias uma mercearia que aguentou várias décadas de "proximidade", ou seja, de fiado e vizinhança. Várias lojas de uma urbanização trendy, que foi prevista para restaurantes da moda, lojas de roupa fina, galerias de arte, agências de viagem e de real estate, já desapareceram há muito. Uma muito activa e numerosa família paquistanesa vai ocupando com os seus negócios, malas e géneros, quinquilharia e pequenos serviços, as lojas preparadas para serem gourmet e venderem apartamentos de luxo. Ironia das ironias foi a rápida mudança de uma agência imobiliária para pequena mercearia com um jovem que mal fala português vendendo aquilo que as lojas de conveniência indianas e árabes vendem: refrigerantes, bolachas, latas de conserva, fruta e, num armário fechado, umas versões bizarras de whisky e vodka de marcas desconhecidas. 

Por mim até está bem, dá-me mais jeito. Porém, a maioria das lojas permanece fechada, e, para além desta pequena Islamabad, desaparecerem as lojas de informática, as tabacarias, e há agora umas lojas brasileiras oferecendo depilação integral, umas pedras para colocar nas costas e uma loja de unhas e cabelos fulvos, também brasileira. Não vão durar muito.

Os meus interlocutores e amigos das outras classes mais de cima, chamemos-lhe assim, também não sabem para onde se virar. Alguns, patrões e trabalhadores em uníssono, contam-me como são ao mesmo tempo dramáticas e ridículas as reuniões da concertação social, onde, com a política demagógica de "acabar" com as chefias, se entregou as assessorias e consultadorias a uns jovens das jotas cuja incompetência é "épica" para tratar de questões sérias

A inutilidade de todo o esforço das pessoas, a quem milhares de milhões já foram retirados não se sabe para quê e com que resultados, leva a tudo que pareça autodefesa face ao poder. Muita gente tira o dinheiro dos bancos para o colocar no colchão, e, como se sabe, nos balcões mais populares, encenam-se mil e uma estratégias para dificultar tal retirada como se o dinheiro fosse do banco e um crime retirá-lo. Irá, a seu tempo, aparecer nas estatísticas. Gente pequena que tinha pequenas poupanças que sabe estarem agora inseguras. Para eles ser abaixo dos 100.000 euros ou acima é irrelevante: os bancos deixaram de ser fiáveis e o Governo parece ser capaz de tudo "para ir buscar dinheiro"

Podia continuar sem limite, olhando à esquerda, direita, centro, para cima e para baixo. Compreendam que, neste contexto, eu quero pouco saber das habilidades de Portas, ou das sistemáticas fugas de informação destinadas a nos enganar, ou de um governo que parece estar nas vascas da agonia, mexendo-se sem nexo, mas com muito ruído, ou de uma agenda comunicacional que aceita sem reservas a linguagem, os temas e os limites do poder. E as distracções. 

Voltando a Roma, haverá um tempo em que a damnatio memoria apagará estas faces patéticas e fugazes. Só que depois de muitos estragos e depois de muito tempo. E custa.
José Pacheco Pereira, no blog Abrupto.


(...) the situation in Greece is out of control and nobody knows how it reflects everyday in our lifes. (...) In my job i had problems me and all the others (...) Everybody is frightened here (...) Can you believe that greek people dont go on strike? (...) they are afraid of loosing their money and their jobs. (...) the greek goverment wants to fire people who work in puplic services, thats why it will start in few months the "evaluation" for everybody, through "special reports", "interwies" of their directors. Do you know what this means? The director of your work, can decide if you will continue your work or not. The same will happen for the level of your... salary. (...) Only the director. Can you imagine what this system bring through the relationships in the employees? (...) if the employees have diferent ideas or different political ideas of the director, the director has the power say to "the report evaluation" that the employee is "useless". This already happened and (...) people lost their jobs. 

Excerto de e-mail de uma pessoa Grega, sem qualquer correcção, retiradas todas as referências que possam possibilitar qualquer identificação. Ao ler estas palavras - Funcionários públicos aviltados que quereriam fazer greve, mas sabem que vão ser as "chefias" a decidir quem vai para o Sistema de Requalificação da Administração Pública, nome orwelliano para o despedimento. - no texto de José Pacheco Pereira foi deste e-mail que me lembrei, por isso aqui publico este pequeno e truncado excerto.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A «honra» de Cavaco Silva



Honra, s. f. Sentimento do dever. Distinção que resulta de acções ou qualidades que nobilitam. Pessoa que ilustra uma classe, um país. Distinção apreciável. Graça, mercê. Grau, dignidade. Probidade. Boa fama. Decoro, dignidade.

Cavaco Silva, o génio da banalidade, o indivíduo que nunca se engana e raramente tem dúvidas (ou será o contrário?), o bully que lança avisinhos de catraio da quarta classe para os da primeira «não me venham dizer depois que eu não avisei», o moço dos recados, o homem que trata Nossa Senhora de Fátima e São Jorge por tu, e que afirma que para serem mais honestos que ele têm que nascer duas vezes, o espertalhaço que confunde servir o País com servir-se do País, o tal que "compra" acções a um euro e as "vende" a um euro e quarenta... Palhaço? Realmente isto é uma ofensa à honra dos Palhaços, porque uma pessoa assim não tem honra nenhuma... Chamar «Palhaço» a Cavaco Silva «trata-se de um crime de ofensa à honra do Presidente da República, punível com pena até três anos»? Mas quem é que chamou «Palhaço» ao Presidente da República? Não foi a Cavaco Silva, o sujeito que ocupa o lugar de Presidente da República, e que todos os dias desonra a Presidência da República, que foi chamado «Palhaço»? Alguém ouviu o Miguel Sousa Tavares dizer «o Presidente da República é um Palhaço»? Quem com ferros mata, com ferros morre... Ou como o outro, o que foi chamado «Palhaço», claramente ofendendo os Palhaços, disse um dia: «nunca exerceu qualquer tipo de função no BPN ou em qualquer das suas empresas; nunca recebeu qualquer remuneração do BPN ou de qualquer das suas empresas; nunca comprou ou vendeu nada ao BPN ou a qualquer das suas empresas.» Há - portanto - que não confundir as coisas. Uma coisa é o Presidente da República - outra coisa é o Aníbal Cavaco Silva. Não vão as pessoas começar a pensar que o BPN e a SLN são a mesma coisa...

E os Bonecreiros, os Prestidigitadores, e os Famigerados Robertos, ficam-se?

Associação de Palhaços Portugueses, Miguel Sousa Tavares, Cavaco Silva, Associação Portuguesa de Palhaços
via Aventar

Irão os Bonecreiros, Prestidigitadores, e famigerados Robertos apresentar uma queixa ao Ministério Público contra a Associação Portuguesa de Palhaços? E a Associação Portuguesa de Palhaços, porque não apresenta uma queixa contra a Assembleia da República, contra a Presidência da República, contra a Liga Portuguesa de Futebol, contra o Centro Democrático Social/Partido Popular, contra o Partido Social Democrata, contra o Partido Socialista, contra a Coligação Democrática Unitária, contra o Bloco de Esquerda, contra as Câmaras Municipais, contra as Assembleias Municipais, contra as Juntas de Freguesia, contra o Governo, contra...? Assim como assim, Portugal é uma grande palhaçada. A Associação Portuguesa de Palhaços não tem um palavra a dizer contra a concorrência desleal? E a Autoridade da Concorrência, não se manifesta?

Adenda: mas houve alguém que pensasse que não o fosse?!

A Criação do Mundo, de Miguel Torga - Nova Edição

Miguel Torga, A Criação do Mundo, Publicações Dom Quixote

As Publicações Dom Quixote publicaram uma nova edição de A Criação do Mundo, de Miguel Torga, a que vêem na imagem. A Criação do Mundo, de Miguel Torga é um dos livros da minha vida. Ainda não consegui ler tudo de Miguel Torga - pois gostaria de ter toda a obra na edição de autor publicada na Coimbra Editora. Gosto desta capa - não sei bem porquê - que nem sequer se assemelha ao tipo de capas que eu gosto - pior que a da edição anterior das Publicações Dom Quixote era difícil - convenhamos que uma capa com um retrato do autor não é a melhor opção na maior parte dos casos, não se tratando de uma biografia. Talento e génio não são sinónimos de beleza, e nem sempre se tem um fotógrafo competente à mão enquanto ainda se é jovem e desconhecido. Quem ainda não leu, aproveite esta nova edição.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Retrato de um rapaz flamejante

Um Rapaz a Arder, Eduardo Pitta, Retrato de um rapaz flamejante

Leio a crítica de António Guerreiro, Retrato de um rapaz flamejante, no ípsilon, ao livro de memórias de Eduardo Pitta, Um Rapaz a Arder, e interrogo-me se seria expectável outra coisa de um livro de memórias? As memórias são feitas de lapsos e incorrecções; diria mais, as memórias são feitas de selecções e omissões, conscientes e inconscientes, as memórias - a Memória - são feitas de esquecimento. Não é possível escrever memórias, só é possível reescrevê-las, porque no próprio acto de as guardar, os cérebro reescreve-as. Quanto ao resto, fazem falta mais críticas como esta de António Guerreiro. Só lamento que no Meio não haja cavalheiros que resolvam as querelas como é dado: com um duelo, de espada, revólver, ou palavras, mas com um duelo. Tornava isto tudo muito mais interessante. Ai, ai, a falta que faz um Truman Capote que escreva um romance de não-ficção sobre o Meio. Sempre ficaríamos a saber se haveria algum interesse em ver o Meio despido. Ao contrário daquilo que um espírito libidinoso possa pensar, na maioria das vezes a nudez não é coisa bonita de se ver...

Crónicas de Zwahlen #13

Dados, Dices, Saldo



O Saldo

Faço contas à vida,
Livros que queria comprar,
Contas que tenho a pagar,
Os dias que ainda me restam,
Dinheiro, Amor e Ilusões
Não me chegam para continuar.
Observo o caderno vermelho,
Não há Haveres para cobrar,
Apenas Deves para saldar.
Fecho o caderno velho,
Nada mais há a registar.
Só dúvidas; sonhos e ilusões
Que não se podem pagar.

Matemática: ganhar o salário mínimo é melhor que não ganhar nada?

Matemática

Da mais recente tragicomédia portuguesa, o caso Martim Neves vs. Raquel Varela, já li tudo e mais alguma coisa - e nada vou acrescentar. Apenas isto: num ponto, à direita e à esquerda - não se percebe bem o que é que isto é, porque na verdade são todos ambidextros* - pelo menos na hora de roubar - num ponto, em geral, coincidiram: ganhar o salário mínimo (SMN) é melhor que não ganhar nada, dizendo mesmo que é uma evidência.

485>0

Ora, é sabido que os portugueses em geral nunca foram bons alunos a Matemática - porque contas não é com eles, excepto na hora de corromperem ou serem corrompidos - há alguma coisa que seja com eles até à hora em que lhes toca? 

Pois eu vou dizer apenas isto, simplificando:

- Ganhar o SMN pode ser melhor que não ganhar nada (SMN>NADA);

- Ganhar o SMN pode ser a mesma coisa que não ganhar nada (SMN=NADA); e

- Ganhar o SMN pode ser pior que não ganhar nada (SMN<NADA).


Façam contas, despindo ideologias de direita, ou de esquerda, ou do que for. Não confundam axiomas com teoremas. E depois digam-me o resultado.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

!

...Daqui a sensivelmente 10h30m...

«Não há bem que dure sempre nem mal que nunca acabe» - Pois... Mas não vislumbro nenhum «bem» e isto vai de «mal» a pior... C'est la vie... t-shirts, startups, apps, empreendedorismo, swaps e uma série de outras palavras que mais não significam que um grupo de indivíduos que se entretém a fazer jogatanas com o dinheiro dos outros - quando ganham - ganham - quando perdem - também ganham - perdemos nós - nós, os falhados da vida, temos vidas bem mais interessantes nas páginas de romances, mas igualmente trágicas - e os vencedores, vencem exactamente o quê?


(Sim, podem dar-me os Parabéns se quiserem - embora nada haja para festejar...)

terça-feira, 21 de maio de 2013

O Inferno são os Outros

O Inferno São os Outros, Quino, Mafalda, Jean-Paul Sartre

Se és trabalhador do privado, achas que na função pública só há malta que não faz nenhum. Se trabalhas para o Estado, achas que no privado é só chulos. Se estás desempregado, achas que quem se queixa do patrão fala de pança cheia. Se até tens emprego, achas que os desempregados vivem acomodados ao subsídio. Se és empreendedor, achas que o trabalhador por conta de outrem é um calão sem visão. Se não queres ter o teu negócio, achas que quem quer tem a mania. Se és de esquerda, a culpa é da direita. Se és de direita, a esquerda é que fode isto tudo. Se nem sequer votas, achas que quem o faz é quem mete lá os corruptos. Se és novo, não percebes porque é que andas a pagar as pensões dos velhos. Se és velho, não compreendes porque andaste a pagar os cursos que os novos nem usam. Se emigras, achas que quem cá fica se acomodou. Se continuas em Portugal, achas que quem baza é um fraco ou está armado em coitadinho. Se continuas a gastar dinheiro, achas que quem não faz o mesmo não estimula o consumo e nunca vamos sair disto. Se passaste a contar todos os tostões, achas que quem vai ao restaurante é um exemplo de como este país estourou o guito todo. Se és licenciado, achas que quem não continuou a estudar é burro que dói. Se não foste para a universidade, achas que aqueles armados em doutores é que são o problema. Se te orgulhas de ser português, és um nacionalista potencialmente xenófobo. Se criticas o país, és um traidor do tempo dos Filipes. Parabéns, conseguiram meter-nos a todos uns contra os outros. Com os problemas dos outros posso eu bem, né? Até porque o outro está errado de certeza. Era a conta e uma bica, espero que venha com um daqueles rebuçadinhos amorosos.

Susana Romana - facebook.

Crónicas de Zwahlen #12

Zwahlen, Sim ou Não

Oui ou Non? A matemática do dia-a-dia traz-nos por vezes equações difíceis de resolver. Tens uma conta aparentemente simples, mas nunca consegues chegar ao mesmo resultado quando repetes os passos. Vives no País onde quererias viver se ganhasses o €uroMilhões - com uma diferença substancial: se o ganhares ganha-lo em Francos Suíços. Entretanto ficaste sem trabalho, tens algumas hipóteses em aberto, mas nada de concreto; por enquanto ainda tens dinheiro - mas ninguém vive do ar, e não há árvores das patacas, espécie endógena de Macau, que actualmente não se dá em mais lugar nenhum do mundo, embora já tenha sido cultivada com algum sucesso no Brasil, em Timor, e em Portugal - era uma sub-espécie denominada mexicana. Um dia recebes uma proposta de trabalho noutro país - tens que falar Inglês, Português e Castelhano (Espanhol) - o trabalho não parece complicado, não sabes se a remuneração é boa ou má, porque não tens a mínima ideia do custo de vida - tens menos de 24 horas para decidir, e outras tantas para te pores a caminho. Tens todas as razões para aceitar - e um grande contra: se saíres do país dos teus sonhos, provavelmente nunca mais terás a oportunidade de voltar. O relógio não pára, só já tens 8 horas para dizer sim ou não*. O que fazes? [A pergunta não é retórica - preciso de opiniões!]

*Ah! Sim ou não, sim ou não - sonhar ou sobreviver - as decisões simples são afinal as mais complicadas...

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Membros do Conselho de Estado

Era uma Vez na América

Era uma vez na América um grupo de ilustres malandros, comentadores de tagarelalogia, generais sem labirinto, patriarcas de inverno, precoces reformados, aprendizes de feiticeiro, empreendedores de la larapiice, descarados aldrabões, professores de ladroagem, ladrilheiros da aldrabice, oportunistas de la palice, respeitáveis mafiosos, óbvios canalhas - e se algum não o fosse, que batesse com a porta, ou que rezasse a Nossa Senhora - meu Deus, tanta beatice!
Fechados num manicómio sem paredes, um manicómio a céu aberto com fronteiras que eram limites que podiam riscar no chão que mais lhes conviesse - viviam encarcerados  dez milhões de loucos fiéis que acreditavam quando este grupo lhes pregava que viviam num país. Os poucos que bradavam Onde iremos parar? não davam conta que parados estavam.

domingo, 19 de maio de 2013

Comment je suis devenu stupide - Martin Page

Comment je suis devenu stupide, Martin Page, Como me Tornei Estúpido

Sempre parecera a Antoine ter a idade dos cães. Quando tinha sete anos, sentia-se cansado como um homem de quarenta e nove; aos onze, tinha as desilusões de um velho de setenta e sete. Actualmente, com vinte e cinco anos, esperando uma vida mais fácil, Antoine tomou a resolução de vestir o manto da estupidez. Constatara muitas vezes que a inteligência é a palavra que designa o disparate bem construído e proferido, que ela está tão pervertida que, geralmente, é mais proveitoso ser-se estúpido que intelectual ajuramentado. A inteligência produz infelicidade, solidão, pobreza, quando o disfarce da inteligência oferece uma imortalidade de papel de jornal e a admiração daqueles que acreditam no que lêem.

Martin Page, em Como me tornei estúpido. [via No Vazio da Onda] Vejam também este vídeo.

Crónicas de Zwahlen #11

France, Chômage, François Hollande
Le Matin Dimanche, 19 Mai 2013

Na história da democracia portuguesa nunca tão poucos fizeram tão mal a tantos. Ao mesmo tempo que a cègada política transforma as nossas monumentais perplexidades numa exasperada interrogação: que mais nos irá acontecer? O rol de indignidades é extenso e não deixa de aumentar: mentiras, omissões, faltas à palavra e aos compromissos, desprezo por todos nós, ocultação de factos e de decisões, por aí fora.(...)

A coligação deixou de o ser há muito tempo. É um conjunto mal remendado de interesses, e um concentrado de servilismo a conveniências estrangeiras. A palavra perfídia anda perto.

A perfídia anda por aí, crónica de Baptista-Bastos.

Domingo, 13 horas, barriga cheia, hora de ir comprar o jornal e tomar um café. Estação de Saint-Imier. O que eu me rio com os cartoons do Mix & Remix - e a Suíça está na final do campeonato mundial de Hockey no Gelo, 60 anos depois da última medalha. A final será hoje às 20h30m (hora na Suíça). Que o dia de hoje seja dominado pelo vermelho. Adoro esta cor, e este país.

sábado, 18 de maio de 2013

Vogais e Consoantes Politicamente Incorrectas do Acordo Ortográfico, de Pedro Correia

Vogais e Consoantes Politicamente Incorrectas do Acordo Ortográfico, Pedro Correia

Embora eu considere que qualquer texto (crítica, resenha, recensão, apresentação, etc.) sobre um livro que tenha as palavras acutilante ou pungente devia ser banido dos jornais - isso não importa nada para aqui, eu é que não sei o que hei-de dizer sobre um livro cujo conteúdo desconheço e tenho - portanto - que falar de outra coisa qualquer. 

"O Acordo – diz Pedro Correia – é tecnicamente insustentável, juridicamente inválido, politicamente inepto e materialmente impraticável" - também não gosto por aí além de advérbios de modo, mas por vezes têm a sua graça. Ao contrário do Acordo Ortográfico, que além de não ter graça nenhuma, é uma desgraça.

Onde ia? Este exercício de andar à deriva entre pensamentos ainda há-de atar os meus neurónios - poucos e débeis, eu sei - com algum nó cego. Como sabem - não sabem? - recuso-me a escrever de acordo com o aborto ortográfico, como lhe chama o Pedro Correia. 

Vogais e Consoantes Politicamente Incorrectas do Acordo Ortográfico já se encontra nas livrarias, e a sessão de lançamento do livro será na próxima terça-feira, dia 21 de Maio, às 18.30, na Bertrand do Picoas Plaza (Lisboa). A apresentação está a cargo do Pedro Mexia.

Este post é apenas para avisar que faço anos no dia a seguir, e se ainda não tiverem pensado no que é que me hão-de oferecer, aqui está uma boa opção. Mas calma - não se precipitem - reúnam primeiro - é escusado receber uma centena de exemplares do mesmo livro. Eu tenho uma lista que não pára - raios partam o corrector ortográfico! - que não pára de crescer.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Eu também deixava de fora o António Lobo Antunes.

Guia para 50 Personagens da Ficção Portuguesa, Bruno Vieira Amaral

António Lobo Antunes deve ser o escritor português mais inflacionado de sempre - temo que seja mesmo uma bolha especulativa - não sabendo se é efectivamente uma bolha especulativa, não sabemos se ou quando vai rebentar. Mas isto sou eu que digo; não sendo crítico literário - posso dar-me ao luxo de ter o meu gosto pessoal, deixando de lado critérios académicos e científicos: António Lobo Antunes é o autor que mais vezes deixei a meio. Não é problemático: há muitos autores que deixei a meio e que passados uns anos li de fio a pavio com grande entusiasmo. Penso nos livros que quase li de António Lobo Antunes, e não consigo encontrar nenhuma personagem interessante. Provavelmente teria que ler até ao fim - ou com mais atenção - para encontrar algum interesse no António Lobo Antunes. Não sei se o João Gaspar Simões ou o Eduardo Prado Coelho encontraram algum interesse no António Lobo Antunes ou não. Do João Gaspar Simões, além do que escreveu sobre Fernando Pessoa, pouco mais li. Do Eduardo Prado Coelho, lia as crónicas que escrevia no Público, quando o Público era um jornal, e se escreveu sobre António Lobo Antunes, não me recordo; mais que isso não li. Não tenho tempo, nem dinheiro, nem disponibilidade das obras, para tudo. Gostava de ler este Guia para 50 Personagens da Ficção Portuguesa, de Bruno Vieira Amaral. Tempo é a única coisa que tenho disponível para o efeito - mas quando falta o resto, o tempo não serve para nada, e torna-se um fardo. Bom - é o ponto em que tenho que me deixar de lamurias. Se o António Lobo Antunes ganha o Prémio Nobel estou tramado - tenho quatro ou cinco - ia dizer amigos, mas fico-me por conhecidos - que neste tempo de pobreza, mais que nunca temos que valorizar aquilo que nos resta - e as palavras - por enquanto - ainda não arranjaram forma de as taxar - tenho quatro ou cinco conhecidos que vão zurzir-me aos ouvidos durante muito tempo. Se tiverem que o dar a um autor de Língua Portuguesa, que o dêem ao João Ubaldo Ribeiro ou ao Rubem Fonseca. Pedir que o dessem ao único escritor português que eu julgo que o devia ganhar, talvez já seja pedir demais. Embora arrume o António Lobo Antunes a um canto. Ah, para ser justo tenho que dizer que gosto muito da maioria das crónicas do António Lobo Antunes, e que tem alguns dos títulos mais fantásticos que conheço - embora emprestados. É tudo.

(Quanto ao Guia para 50 Personagens da Ficção Portuguesa, espero que não estivessem à espera que eu me metesse a falar de uma obra que não li.)

Adenda: Cada vez mais gosto de ver, nas cidades ao longo do mundo por onde passo, os livros de Lobo Antunes expostos. Quer sejam usados em alfarrabistas, quer sejam novos nas livrarias. Lobo Antunes, queiramos ou não, goste-se ou não do seu estilo, tem um trabalho admirável de dar voz através dos seus romances - e no âmbito da sociedade portuguesa - a quem não a tem: loucos, abandonados, pobres, encalhados na vida, falhados na profissão; e pretos – como no caso de O Meu Nome é Legião. É, tem sido, para além de uma obra de arte literária, uma instituição representativa. Os seus romances têm sido em tantos casos como que um «empréstimo de voz»: o que o torna um exemplo de humanismo numa terra desumana. Num país que calca a voz dos seus naturais, e as suas razões. (soliplass, no blog Âncoras e Nefelibatas)

«loucos, abandonados, pobres, encalhados na vida, falhados na profissão» - tenho mesmo que voltar a António Lobo Antunes...

Não estás perdido quando não sabes onde estás - estás perdido quando não sabes para onde ir

Será Menino ou Menina? Será Pobre, Senhora, Será Pobre
- Será Menino ou Menina? - Pobre, senhora, será Pobre.

Graças a um site que agora não recordo, mas onde fui parar quando ando pela internet à deriva, pude «ver» o meu primeiro blog, e fiquei a saber que estará a fazer por estes dias 10 anos que cheguei à blogosfera - cheguei algumas semanas antes enquanto leitor. Não vou dizer-vos qual foi o meu primeiro blog (nem o segundo, nem o terceiro, nem muitos que eu próprio não recordo), porque não têm interesse nenhum, embora tenha nesses primeiros tempos chegado a ter um blog que esteve algumas semanas entre os mais visitados de Portugal. 

De quando em quando descubro alguns bloggers actuais que eram aquele blogger que escrevia com aquele pseudónimo. Não sei se era a regra ou não - pelo menos entre aqueles que eu lia era a regra - os bloggers não utilizavam o nome civil. Eram bastante engraçados alguns nicknames. Entre os primeiros blogs que li permito-me destacar três - não queria ser injusto, mas já não me lembro dos nomes da maioria - Mar Salgado, onde escrevia Filipe Nunes Vicente, Psicólogo e Ensaísta que já escreveu em muitos blogs e que acaba de lançar mais um: Depressão Colectiva. Abrupto, de José Pacheco Pereira, um caso de longevidade - pelo menos no mesmo endereço. E Gato Fedorento. Curiosamente todos eles escritos com o nome civil.

Por falar em José Pacheco Pereira, vejo que atracou ontem na mesma conclusão que eu havia alcançado aqui - não é difícil concluir tal coisa, que está à vista de todos. 

Não estás perdido quando não sabes onde estás - estás perdido quando não sabes para onde ir. Um título tão bom ou tão mau como outro qualquer para um post de um blog. Nunca levei a blogosfera demasiado a sério, no sentido de pretender escrever textos cuidados, estudados, como quem escreve uma tese ou um ensaio. Para mim um blog sempre foi um diário - e cada post uma entrada de um diário.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A maldição de Béla Guttmann

Béla Guttmann, Maldição


Não se sabe ao certo quais as palavras exactas de Béla Guttmann quando lançou a famosa maldição. As mais referidas são estas: "Nem daqui a 100 anos uma equipa portuguesa será bicampeã europeia e o Benfica jamais ganhará uma Taça dos Campeões sem mim." Numa entrevista posterior, ao jornal A Bola, à pergunta «- Quais os termos exactos da sua famosa maldição, que continua a dar muito que falar...?» respondeu: «- Nem daqui a cem anos um clube português volta a ganhar duas vezes seguidas a Taça dos Campeões.» Uma coisa é certa, seja qual for a maldição exacta, ela mantém-se. O Benfica nunca mais ganhou uma Taça dos Campeões (5 finais perdidas), nem nenhum clube português foi bicampeão (o F. C. Porto ganhou duas vezes, mas não foi bicampeão).

quarta-feira, 15 de maio de 2013

15 de Maio: Dia Internacional da Família

Eugênio Braga, Dia Internacional da Família, Pintura Abstracta
Pintura de Eugênio Braga.
15 de Maio. Dia Internacional da Família. A minha mãe em Portugal, a minha irmã, sobrinha, e cunhado na França, primos direitos que nunca vi, tios que não vejo há vinte anos (na França?), tios que já morreram sem que eu os tenha conhecido, o meu pai que morreu. Eu aqui quase sozinho. É isto. Celebrar o quê? Raios partam a vida e quem lá ande!

Futebol: Sport Lisboa e Benfica

Sport Lisboa e Benfica, Liga Europa

Dentro de instantes começa a final da Liga Europa. Recordo-me da última vez que o Benfica jogou uma final europeia: estava quase a acabar o meu primeiro ano lectivo no colégio interno católico - escusado será dizer que antes da final rezámos o terço para que o Benfica ganhasse - se eu acreditasse em Deus naquele dia teria deixado de acreditar - um aparte: uma das grandes interrogações da minha vida é porque é que nunca acreditei em Deus - e num colégio interno católico, podem acreditar que sempre me senti estranho por isso - naquela época éramos todos do Benfica - e que eu me recorde, tenho contacto - muito esparso, é verdade - apenas com uma das trinta e tal alminhas que enchiam a sala naquele dia - e esse agora é adepto do Sporting - é uma das desvantagens de termos contacto com os nossos amigos de infância - é mais difícil reescrevermos a nossa história, e eu gosto de o picar dizendo que não que ele nem sempre foi do Sporting. Perdemos 1-0 contra o A. C. Milan, na final da Taça dos Campeões Europeus; foi o dia a seguir a eu ter feito anos, e não tive a prenda que queria. No dia anterior tinha recebido umas calças, que só usei uma vez, como contei aqui. Foi no tempo em que ainda tinha a grande esperança de não ter esperança nenhuma. Agora sou apenas o «sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...» E nem o futebol acende em mim as paixões de antigamente.

Observava com delícia o prazer com que aqueles corpos atléticos corriam atrás de uma bola gasta, quase a rebentar. E, de quando em quando, corria também para aquela esfera misteriosa que nos unia de uma forma transcendente, ignorando os nossos vícios e virtudes, méritos e defeitos, medos e desejos, unindo-nos num todo denso e uno, num todo aconchegante e suado; era provavelmente esse o prazer do futebol, não nos distinguia: no momento da vitória festejávamos todos com a mesma alegria e euforia; e no momento da derrota o desânimo e as lágrimas eram partilhados na mesma dor.

Eu mesmo, numa espécie de livro.


O Romance «Os Cadernos Secretos de Sébastian» encontra-se à venda, em livro, na Amazon e na CreateSpace. Em formato e-book podem encontrá-lo na SmashWords, no iTunes, na Amazon, e noutras lojas online.
Claro que gostaria que o Benfica ganhasse. Mas, do mesmo modo que as vitórias já não me alegram como antigamente, também as vitórias já não me doem como antes.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Blogger I'd Love to Fuck...

...I'd love to fuck myself...

Blogger I'd Love to Fuck


...Oops! I've already done that...

Vão, vão lá escolher o desgraçado.

Como mata a Austeridade.

Apertar o Cinto, Hipocrisia, Cavaco Silva, Austeridade, Consumo,

A impossibilidade matemática de haver algum sucesso possível na política de austeridade que nos tem conduzido de vitória em vitória até à derrota final pode resumir-se assim: é impossível apertar o cinto e baixar as calças ao mesmo tempo. Mesmo tendo em conta que aqueles que têm vindo a ser obrigados a apertar o cinto têm emagrecido: porque o emagrecimento resulta do apertar do cinto, e quanto mais emagrecem, mais o cinto aperta, sem lhes dar oportunidade para baixar as calças. As saídas deste ciclo infernal são poucas:


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Crónicas de Zwahlen #10

If it's not fun why do it? Ben&Jerry's

A arca dos gelados, na estação de comboios de Saint-Imier, na Suíça, é da Ben & Jerry's, e tem uma imagem engraçada com verde das pastagens, azul dum límpido céu, pintalgado com o branco de nuvens de enfeitar. E as vaquinhas. Ah, as vaquinhas!... Numa fita amarela, escrita a negro, a pergunta «If it's not fun, why do it?» De cada vez que lá vou, para comprar tabaco ou o jornal (só o compro ao Domingo, nos outros dias lei-o gratuitamente no café), ou tomar um expresso, a arca pergunta-me: If it's not fun, why do it? Porém, recuso-me a responder-lhe: alguém poderia pensar que estou louco - e talvez esteja. Pensei em tirar-lhe uma fotografia - mas o meu descaramento fotográfico ainda não chegou ao ponto de me meter a fotografar arcas de gelados numa estação de comboios. - C'est tout, merci, bonne soirée. - Bonne soirée, merci monsieur, au revoir. Ah, la Suisse! J'aime la Suisse!

Porquê, porquê?...

Ai Credo! Que Bruto!...

Paulo Portas, Pedro Passos Coelho
Uma Tragédia em muuuuiiiitos actos.

domingo, 12 de maio de 2013

Le temps - le temps est notre unique allié - et notre pire ennemi.

Tempo, Relógio, Salvador Dali
Pintura de Salvador Dali


O tempo. O tempo é o nosso único aliado - e o nosso pior inimigo. Somos todos miseráveis - mas uns são mais miseráveis que outros. Um instante de coragem - ou para sempre o amargo sabor da cobardia. Se pudéssemos votar na natureza humana - mudávamos alguma coisa? A vítima sente-se vitoriosa quando consegue mudar de carrasco - não há maior derrota e humilhação - não há maior ilusão. 

Três, Dois, Um... e um dia todos diremos Adeus. Um dia o Zero chegará - para todos.

Desesperança. Poema de Manuel Bandeira. Citação. Devaneios. Machado de Assis.


Esta manhã tem a tristeza de um crepúsculo.
Como dói um pesar em cada pensamento!
Ah, que penosa lassidão em cada músculo. . .

O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento
Que dá medo... O ar, parado, incomoda, angustia...
Dir-se-ia que anda no ar um mau pressentimento.

Assim deverá ser a natureza um dia,
Quando a vida acabar e, astro apagado,
Rodar sobre si mesma estéril e vazia.

O demônio sutil das nevroses enterra
A sua agulha de aço em meu crânio doído.
Ouço a morte chamar-me e esse apelo me aterra...

Minha respiração se faz como um gemido.
Já não entendo a vida, e se mais a aprofundo,
Mais a descompreendo e não lhe acho sentido.

Por onde alongue o meu olhar de moribundo,
Tudo a meus olhos toma um doloroso aspeto:
E erro assim repelido e estrangeiro no mundo.

Vejo nele a feição fria de um desafeto.
Temo a monotonia e apreendo a mudança.
Sinto que a minha vida é sem fim, sem objeto...

- Ah, como dói viver quando falta a esperança!

Desesperança, Poema de Manuel Bandeira.

Dir-me-ão que os meus lamen­tos nada acres­cen­tam, que o meu cep­ti­cismo só agrava a depres­são que é já de todos. E eu, humil­de­mente, con­cedo que sim. Estou tão per­dido nesta mal­dita encru­zi­lhada como qual­quer outro. Con­fesso mesmo que há dias em que tento acre­di­tar no meu país e não consigo.

Mas que­rem saber o que faço quando acordo assim? Fecho os olhos, cerro os den­tes e relem­bro a mim mesmo que a deses­pe­rança é um luxo dos que não tem filhos.

Refexões Sobre a Desesperança, de Pedro Norton, no blog Escrever é Triste.


A última frase era escusada. Escusada porque muitos haverá que não se podem dar ao luxo de ter filhos. Pessoalmente, foi coisa que nunca desejei - ter filhos. Por diversas razões, a principal deixou-a Machado de Assis escrita na última frase de Memórias Póstumas de Brás Cubas, o único livro que quase li electronicamente, vai para um bom par de anos, ainda não havia Kindle, mas já havia pdf's e eu descarreguei-o dum site Brasileiro onde são disponibilizadas gratuitamente obras cujos direitos de autor são já do domínio público. Quase li electronicamente porque depois de algumas páginas não consegui ler mais no computador, e imprimi aquilo tudo - convém dizer que a leitura num monte de folhas A4 não é mais agradável. Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Eis a principal razão porque nunca desejei ter filhos. A condição humana é miserável, e - não fosse como na música dos Queen, I don't want to die/ I sometimes wish I'd never been born at all - muitas vezes teria já passado à condição do Brás Cubas. Certamente não chegarei aos seus 64 anos; e se não for de cianeto ou estricnina, será de desesperança - espero no entanto viver o suficiente para ver algumas cabeças penduradas em praça pública: a desesperança não é um luxo de ninguém.

Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de D. Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

Machado de Assis, último parágrafo de Memórias Póstumas de Brás Cubas.

sábado, 11 de maio de 2013

Crónicas de Zwahlen #9

Cap Abandonné, Biel/Bienne, Suisse

«Mourir… dormir, rien de plus;… et dire que par ce sommeil nous mettons fin aux maux du cœur et aux mille tortures naturelles qui sont le legs de la chair: c’est là une terminaison qu’on doit souhaiter avec ferveur. Mourir… dormir, dormir! peut-être rêver! Oui, là est l’embarras. Car quels rêves peut-il nous venir dans ce sommeil de la mort, quand nous sommes débarrassés de l’étreinte de cette vie?»

William Shakespeare, Hamlet


Benfica a perdu. J'ai le cœur brisé - à tous les sens. Rien ne va bien au royaume du Danemark. Tu es à Ibiza Party, et moi, je resterai tout seul - c'est la vie. Je ne vais pas pleurer - on sait bien qu'avec poltronnerie personne ne gagne le trône. Je ne suis plus qu'un casquette abandonné... et triste... en attendant que quelqu'un me prendre...

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Dia da Europa: Celebrar o quê?

União Europeia, Europa, European Union, Europe, Unión Europea, Union Européenne, Europäische Union, Manel Fontdevila
Cartoon de Manel Fontdevila

Le 9 Mai. Journée de l'Europe. Célébrez quoi? Le Prix Nobel de la Paix? La taux de chômage? La pauvreté? La misère? Le vol légalisé? L'hypocrisie des marionnettes des groupes économiques et financières qu'on appelle «politiques»? La troisième guerre mondial?

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Depois do confisco aos salários... o confisco às contas bancárias...



Quem quiser fugir a mais um roubo (não serão muitos, que ter mais que 100000€ numa conta bancária não é para todos - isto se não for para confiscar todos os depósitos) pode transferir o dinheiro para a minha conta bancária na Suíça. Enviem-me e-mail a pedir o IBAN - International Bank Account Number. Não prometo devolver. Mas pensem: por quem preferem ser roubados? Preferem que o eixo do mal troiko-germânico fique com o vosso dinheiro, ou preferem - digamos assim - doá-lo a um aliado?

Vídeo visto no Aventar.

Crónicas de Zwahlen #8

Le vieux et l'enfant, L'ancien et l'enfant, O velho e a criança
L'ancien et l'enfant, gare de Saint-Imier, Suisse


Enivrez-vous!

Il faut être toujours ivre. Tout est là: c’est l’unique question.
Pour ne pas sentir l’horrible fardeau du Temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve.
Mais de quoi? De vin, de poésie, ou de vertu, à votre guise. Mais enivrez-vous.
Et si quelquefois, sur les marches d’un palais, sur l’herbe verte d’un fossé, dans la solitude morne de votre chambre, vous vous réveillez, l’ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l’étoile, à l’oiseau, à l’horloge, à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est; et le vent, la vague, l’étoile, l’oiseau, l’horloge, vous répondront: “Il est l’heure de s’enivrer! Pour n’être pas les esclaves martyrisés du Temps, enivrez-vous; enivrez-vous sans cesse! De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise."

Charles Baudelaire, Le Spleen de Paris (Petits poèmes en prose).

Dói-me a alma fisicamente, e não há na farmácia nenhuma pomada que cure a ferida, ou comprimido que alivie a dor. Podia citar, em vez do poema em prosa de Charles Baudelaire, um poema de Arthur Rimbaud. Provavelmente - provavelmente estou a usar advérbios de modo a mais, e eu detesto advérbios de modo - provavelmente seria mais indicado um poema de Arthur Rimbaud. Não o faço por delicadeza.


terça-feira, 7 de maio de 2013

Da Idiotice encapotada com um Título Académico.




4 – É preferível na ausência de pais (ex. órfãos) esse processo de identificação sexual e de desenvolvimento psico-afectivo ser feito de forma fantasiosa, i.e. imaginando os pais que se perderam ou que nunca se tiveram, em conjunto com a interactividade com pessoas significativas como por exemplo tios, primos, professores e educadores e padrinhos.

5 – É, do ponto de vista psicológico e do desenvolvimento, nefasto para as crianças, ao invés de terem o que antes referi, serem inseridas num meio onde só existam figuras exclusivamente masculinas ou femininas, como é o caso dos pares homossexuais.

PORQUE É NEGATIVA PARA AS CRIANÇAS A ADOPÇÃO POR PARES HOMOSSEXUAIS?!, do Mestre Doutor Abel Matos Santos, Assistente Especialista em Psicologia Clínica do HSM, Sexologista e Mestre em Psicologia da Saúde, Doutorando pela Faculdade de Medicina de Lisboa.

Patadigmático

Patadigmático

Patadigmático - Modelo doente. Vocábulo de novilíngua político-jornalistica, que resulta da junção do prefixo do pato pathos doente com sintomas anómalos  no padrão para digmático. Não dar uma digmose a estes sufixos de rameira. Bonito é tiru-nus-cornus, forma arcaica de defesa do genocídio, utilizada pelos povos quando se fartam de ser matados - irritação na garganta causada por gritos que não são houvidos nem escudados.

Imagem de artigo do dinheiro vivo às 12:30 do dia 07 de Maio de 2013 menos uma hora em Portugal Continental um dos sites de notícias com pretensões de seriedade mais inúteis que pulula na internet.

Minus IQ: O Medicamento Milagroso


Medicamento de venda livre, não aconselhado a políticos. Por razões óbvias, obviamente.

domingo, 5 de maio de 2013

Paulo Portas

Paulo Portas, Agricultor, Mário José Teixeira
Agricultor Portas - Caricatura de Mário José Teixeira.

Paulo Portas, o mais cigano (consegue fazer com que acreditemos que ele acredita naquilo que quer que nós acreditemos) dos políticos portugueses, o agricultor e feirante, o cavaleiro andante dos combatentes do ultramar e paladino dos reformados, uma versão caricatural de d. quixote, aquele que finge lutar contra gigantes, mas que sabe muito bem serem moinhos do vento, falou e disse:

"É a fronteira que não posso deixar passar e é do conhecimento do primeiro-ministro"


A propósito de fronteiras, e de quanto este conceito pode ser maleável - e para Paulo Portas é-o seguramente, lembrei-me deste comercial da Coca-Cola (a publicidade é gratuita):


Poema à Mãe

Mãe e Filho (detalhe do quadro As Três Idades da Mulher) Gustav Klimt
 
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade, in Os Amantes Sem Dinheiro

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Ceci n'est pas un appel...

Pedro Passos Coelho

...é uma fotomontagem que corre pelas redes sociais. O discurso do morto (na íntegra no Público):

Portugueses,

Na sequência dos acontecimentos das últimas semanas é meu dever falar-vos para transmitir as decisões do Governo. Tivemos de lidar com as consequências orçamentais decorrentes da decisão do Tribunal Constitucional, que fez reabrir a 7a revisão regular da troika. (...)

Não, não, não, não, idiota, não. Tiveram que lidar com as consequências de ter apresentado um Orçamento de Estado que sabiam muito bem que era ilegal. Eu quando sou multado não tenho que lidar com as consequências de um qualquer polícia me ter passado uma multa. Tenho que lidar com as consequências da minha ilegalidade. Se tiverem estômago vão lá ler o resto do discurso.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Como escrever uma Crítica Literária - ou Resenha - de um Romance

Crítica Literária, Crítico Literário, Livros, Romance, Literatura


Gentêncio Persona (nascido em troca o passo, de origem a indicar, referir a sexualidade, no caso de não ser heterossexual), o maior (ou melhor, ou mais respeitado, ou mais conhecido, ou mais influente, ou mais qualquer coisa) escritor vivo (no caso de ainda o ser) da língua em que escreve (ou da rua, ou da cidade, ou do continente, ou da última - ou primeira - metade do século, ou da última década, ou da nova geração, ou de qualquer coisa) - ou, em conjunto ou alternativa - vencedor do prestigiado (famoso, de renome, respeitado, etc.) Prémio Opus Retributa. No caso de a obra analisada não ter qualquer interesse alongar a biografia do autor, referindo mesmo, se for preciso, o primeiro emprego, e aquela ligação familiar remota a uma figura histórica qualquer.

Autor (autor pode ser precedido do adjectivo genial ou outro qualquer do mesmo calibre, ou sucedido por de culto) do famoso (épico, ou desconhecido entre nós, ou incompreensivelmente ainda por traduzir, ou injustamente esquecido, ou injustamente outra coisa qualquer) romance (ou obra - neste caso ímpar, desigual, ou qualquer outro adjectivo coxo) Opus Magnum (não esquecer de adjectivar com polémica, se for o caso, e mesmo que não o seja) lança (sai agora, dá à estampa) a sua mais recente (ou a segunda, terceira, quarta, etc.) obra Opus Recent, depois de seis, sete anos sem publicar (convém referir quanto tempo passou desde a publicação da última obra em dois casos: se já passaram alguns anos - de preferência cinco ou mais - ou se a última obra fez sucesso) um thriller (mesmo que não tenha suspense nenhum fica sempre bem, mas pode ser substituído por outra palavra qualquer, de preferência em inglês, mas em último caso, em francês também fica sempre bem; se se optar por romance, não esquecer o adjectivo pungente) fantástico (ou magnífico, ou outro adjectivo grandiloqüente), onde revela as qualidades que sempre teve, um total controlo da narrativa (aqui podem juntar-se adjectivos e substantivos estruturais, como arquitectura, engenharia, rede, ou dinâmica, p.e.), e do enredo ou intriga (ou da construção das personagens, da descrição das paisagens, do conhecimento dos meandros e bastidores políticos, económicos, ou outros quaisquer).