terça-feira, 5 de junho de 2012

Quando eu morrer...

Estudo para Monello, Vincenzo Gemito, Desenho, Rapaz
Estudo para Monello, de Vincenzo Gemito

Quando eu morrer
talvez recordes
com saudades
momentos que passámos
juntos.

Não merecem
o remorso
uma lágrima
um suspiro
no canto escondido do jardim
onde regressávamos
ao fim da tarde.

Quando eu morrer
não penses
no que te levou
uma tarde inexplicável
a nunca mais regressar.

Não tínhamos
combinado nada,
era a imprevisibilidade
de cada encontro
que tínhamos como certo
que nos unia num constante
sobressalto.

Sei
que de vez em quando
ao fim da tarde
suspiras;
talvez te questiones
se ainda te espero.

Quando eu morrer
verás;
nenhuma lágrima,
nenhuma dor
responderá
às tuas inquietações.

O remorso,
a saudade
não trazem de volta
aquela tarde. Algum dia
teria que ser.

Nos dias quentes
de Julho ninguém espera
o frio glacial
nem a neve.

De vez em quando
acontece:
gelam
os corações.



Poema de André Benjamim - já havia sido publicado aqui.

Desenho: Estudo para Monello, de Vincenzo Gemito (1852-1929) - Escultor Italiano.

4 comentários :

  1. Estás numa fase muito sombria...
    Fala da vida, rapaz.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. (Se eu soubesse a data em que foi escrito metia aqui. De certeza antes de 16 de Dezembro de 2007)

      Eu sou sempre sombrio, é o meu estado normal. Quando não ando sombrio é que estou pior...

      Abraço

      Eliminar
  2. Com tanta luz lá dentro como pode ser sombrio? É preciso abrir espaço para a luz e deixá-la fluir. Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Talvez porque para haver sombra, tem que haver luz... Talvez... Não sei... Abraço

      Eliminar

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