domingo, 10 de junho de 2012

Dia de Luiz Vaz de Camões

Luiz Vaz de Camões, quadro, pintura, José Malhoa
Camões, quadro de José Malhoa




O tempo acaba o ano, o mês e a hora

O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora;

O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.

O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.

Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.



Erros meus, má fortuna, amor ardente


Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

4 comentários :

  1. Sendo Camões o príncipe dos poetas portugueses, porque é tão pouco citado, mormente nos blogs que tratam habitualmente de questões literárias?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não te sei responder, João. De Camões li toda a poesia, lirica, sonetos, e aquela obra épica sobre aquela raça que não se governa nem se deixa governar...

      Príncipe (exacto), que o rei dos poetas portugueses faz hoje anos... :-)

      Abraço

      Eliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...