sexta-feira, 22 de junho de 2012

Anotações número 94 e 95. e-book

O Romance «Os Cadernos Secretos de Sébastian» encontra-se à venda, em livro, na Amazon e na CreateSpace. Em formato e-book podem encontrá-lo na SmashWords, no iTunes, na Amazon, e noutras lojas online.

Abaixo deixou as anotações número 94 e 95 de 99, de um livro feito romance a partir de fragmentos e anotações, e que são 5 histórias que se cruzam, mas que podiam ser apenas 1. O título original era «Morte na Madrugada», com o subtítulo «ou o eterno amanhecer», porque sempre gostei de subtítulos. Que dissessem o mesmo, o contrário, ou outra coisa qualquer.


94.

Que tristes que são os homens que se obrigam a si próprios a reprimir os seus impulsos! Que se vão castrando até sumirem. Que se vão metamorfoseando até se confundirem na amálgama a que chamam multidão. Que sentido tem a sociedade para estes homens? Para eles a vida gregária perde o fundamento. A vida em sociedade, meio onde se completa, através do qual cresce e se realiza um homem, torna-se para eles um fardo pesado, que escolhem voluntariosos, enganados pelo peso de um outro fardo que nunca pesaram. A sociedade deixa de ser o lugar onde se podem superar, apagados pela própria teia que tecem. Perdem o sentido e o significado da vida, julgando encontrar a identidade no desvanecimento das suas diferenças.
Um homem que reprime os seus impulsos naturais para se adaptar a uma sociedade, não só perde a sua força propulsionadora, mas também a sua existência individual, diluídas que foram as suas características únicas. Ele passa a ser um autómato configurado para encaixar numa sociedade pré-definida.
Ora, isto é a perversão da própria sociedade – aquilo que foi construído pelo e para o homem, torna-se o seu assassino anónimo: e quando todos os homens perderem os seus normais impulsos de ser humano e animal, quem construirá a sociedade?
Transformados em autómatos programados para encaixar numa sociedade protocolar, cegos pelo medo das diferenças e paralisados pela sede da igualdade, os homens acabarão por se matar a si mesmos, reduzidos a um número abstracto, anónimo, despersonalizado. E um homem assim não é uma pessoa, é uma aberração! A única aberração da natureza! A aberração da criação de um ser que se tornou predador de si mesmo!...

95.

Não morremos apenas quando cessamos de existir; morremos quando somos esquecidos; morremos quando deixamos de ser amados. Deixar de ser amado é ser esquecido.
Morremos quando não somos autênticos, no sentido em que não ser autêntico é esquecermo-nos de nós mesmos; quando preferimos adaptarmo-nos a uma regra a uma norma a uma moral a uma máscara matamo-nos. Quando nos (re)inventamos para nos substituirmos por uma máscara, um papel, uma ideia social de nós, ainda que isso nos assegure sobrevivência física, económica, social, ou outra, matamo-nos. Matamo-nos porque o que fica é um outro falso, dissimulado, hipócrita, e não o eu autêntico.
É provável que seja mais fácil viver segundo alheios cânones sociais; mas a verdadeira felicidade é-nos vedada

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