terça-feira, 12 de junho de 2012

Ainda Portugal...

Portugal,
O post «Portugal» atingiu as 4000 visitas!


De Portugal se diz ter as fronteiras mais antigas da Europa (e do Mundo?), fronteiras que não sofreram significativas alterações praticamente desde o dia em que conquistámos os Algarves, e não fosse o caso Olivença, poder-se-ia quase dizer que tínhamos as fronteiras mais rigidamente estáveis. Parece até que Deus, quando desenhou o Mundo, começou por desenhar Portugal e, fatigado, se esqueceu de desenhar o resto das fronteiras, deixando depois esse trabalho na mão dos incompetentes que haviam sido expulsos do Paraíso. Não podemos, em verdade, condená-l'O. Porque na verdade, nenhum humano ser por Si criado, à sua imagem e semelhança, logrou passar pela existência sem que algum dia chegasse esse dia em que Portugal o cansasse. Portugal cansa. Deve ser por isso o tédio, a monotonia - a cobardia! - o infatigável (a única coisa infatigável que existe em Portugal!), o infatigável cansaço!, a saudade, a passividade... a paciência! Onde é que eu ia?

Tempos houve em que de vez em quando lá vinha a invasãozinha. Mas que vinham aqueles otários cá fazer? As riquezas, se as havia, vinham de Brasis, Índias, e Áfricas longínquas, e se aqui se quedavam, aqui se quedavam muito pouco tempo! Se era em busca de riquezas que vinham, tempo perdido por aqui passaram, que a dissipar riquezas não há povo mais exímio que o Português. Espanhóis e Franceses daqui foram expulsos, com o rabinho entre as pernas, e mais estragos deixaram que os tesouros que levaram. Alemães ainda ninguém sabe: o que é que procuram?

Portugal tem que se vender? Mas o que é que ainda há em Portugal para se vender? Se é moradias à beira-mar que querem, não se esqueçam que ao comprarem o privilégio dumas horas de sol e de maresia, levam também incluído este infaligável cansaço, disfarçado de estóica esperança. Se Portugal fosse uma mulher misteriosa, ou um homem indecifrável, talvez Portugal se pudesse vender. 

De que valerá a Portugal ficar sozinho, se sozinho sempre esteve? Portugal não gosta de companhia. Tolera-a quando lhe pagam uns copos, quando lhe dão umas prendazinhas, quando lhe servem refeições grátis. Fora isso, toda a visita, de amigos ou inimigos, depressa se torna cansativa. E este infatigável cansaço, este infatigável cansaço que resta, é o resto com que se corre com as visitas - venham por bem ou por mal...

(Tinha muito mais para dizer, mas este infatigável cansaço...)

4 comentários :

  1. Bom retrato.
    E tens razão, Portugal cansa.
    Mas se calhar é como uma colega dizia há uns anos, sobre o ser-se professor/a : acabamos exaustos cada ano, mas é como um vício...
    Portugal deve ser um Vício.
    Beijinho

    ResponderEliminar
  2. Extraordinária reflexão sobre uma realidade única, que se chama Portugal.

    ResponderEliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...