quarta-feira, 9 de maio de 2012

A distância que nos une...

Fernando Pessoa, A Brazileira do Chiado
© Desenho de Tiago Leal - link
Bebe whiskey, pequeno;
Bebe whiskey!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão whiskey.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a destilaria.
Bebe, pequeno sujo, bebe!
Pudesse eu beber whiskey com a mesma verdade com que bebes!


A distância entre pessoas não se mede em kilómetros, nem sequer em palavras. Ou em palavras que entre nós perderam o significado que outrora tinham. Ou - se fosse possível contá-las - em palavras que deixámos por dizer. A distância entre pessoas mede-se em silêncio - silêncio que talvez seja feito da mesma matéria daquele silêncio com que silenciosamente nos procurávamos, olhávamos, tocávamos, afagávamos - sabe-se lá de que matéria é feito o silêncio! Outrora habitantes do mesmo sonho, vivemos hoje separados na mesma casa. Ou na mesma rua. Que importa, se tão perto estamos tão distantes como se habitantes de diferentes planetas fôssemos? Nós que antigamente até em sonhos nos visitávamos... Ontem sonhei contigo!, dizias.


Post Scriptum: Quem se der ao trabalho de ir ler este post talvez não entenda a ligação entre o poema do álvaro de campos adulterado e o pequeno texto. As minhas desculpas, mas não me darei ao trabalho de explicar.


6 comentários :

  1. Explicado está para quem o entender...

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    1. Maria Caxuxa, acredita que é tão, tão evidente... acontece que às vezes a melhor maneira de esconder uma coisa é colocá-la à vista de todos...

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  2. Curiosamente, sei muito bem do que falas...

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  3. Eu não sei, mas terá algo a ver, eventualmente com um dos significados do provérbio "Longe da vista, longe do coração"...

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    1. Longe, longe, muito longe mesmo... Abraço

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