terça-feira, 8 de maio de 2012

As pessoas felizes são-no; as infelizes justificam-se...

Amor, Morte, Esqueletos


O Mundo é a Casa do Amor e da Morte. Penso muitas vezes no título deste livro de contos que nunca li, mas que guardo com carinho na minha estante. Foi-me oferecido no dia do meu 19.º aniversário. Além da amizade das pessoas que mo ofereceram, a principal razão para mo terem oferecido desconfio que seja o título. Amor e Morte andam de mãos dadas pela vida fora, numa dança sem fim, em que ora conduz um, ora conduz o outro. 

Um dia destes, enquanto andava pelas ruas duma cidade no carro de um amigo, houve uma frase que explodiu no meu cérebro com o estrondo de um trovão: «as pessoas felizes são-no; as infelizes justificam-se». Havia de lhe ter perguntado «porque te justificas tanto?» Mas entre nós só já há silêncio, e eu ri-me interiormente, como quem pensa «fodeste tudo, não foi? é benfeita!» 

Quantos livros existem com as palavras Amor e Morte no título? Assim de repente, sou capaz de pensar numa dezena deles. De autores consagrados e de autores desconhecidos. De poesia e de prosa. De literatura e de ciência...


Tenho pensado muito nesta frase, «as pessoas felizes são-no; as infelizes justificam-se». As pessoas infelizes têm que justificar aos outros o porquê de fazerem o que fazem, o porquê de viverem como vivem, o porquê das suas escolhas: é essencialmente para si mesmas que falam, é a si mesmas que tentam convencer da veracidade dos argumentos que assaz utilizam nos seus monólogos interiores. «Só temos uma vida, temos que aproveitar». E precisas mesmo de me dizer isso a mim?

As pessoas felizes não precisam de se justificar. Acordam e adormecem tranquilamente, sem terem de dizer por onde andam, de onde vêm, para onde vão. As pessoas felizes não têm necessidade de afirmar que o são, limitam-se a sê-lo. Ainda que atravessem os dias com o semblante carregado, as pessoas felizes têm um sorriso maior que o mais rasgado dos sorrisos das pessoas infelizes. As pessoas felizes sorriem por dentro, as infelizes sorriem para fora. 

A quem tem medo do amor, fica-lhe a morte por companhia. Bebe mais um whiskey ou uma cerveja. Tanta felicidade tem que ser celebrada!

7 comentários :

  1. Fiquei com a frase a bailar-me na cabeça...

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    1. Ando com esta frase há tempos na cabeça, mas como ando preguiçoso, só consegui escrever estes pequenos devaneios sobre ela... Abraço.

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  2. Este teu texto está lindo, André!
    E como tens razão...
    A tua frase também me ficou gravada...
    Bjo

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  3. "As pessoas felizes sorriem por dentro, as infelizes sorriem para fora." A única frase com que não concordo. Acho que quem sorri por dentro, sorri também fora. É apenas uma questão de aprenderes a distinguir o sorriso biológico do sorriso químico. Tipo a comida, sabes?

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    1. Sim, Herético, tens razão. Julgo que não entendeste o sentido que quis dar à frase. O que eu quis dizer é que o sorriso das pessoas felizes é um sorriso que vem de dentro, é um sorriso interno que se espelha por fora... enquanto o sorriso das pessoas infelizes é uma máscara... Abraço.

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  4. Concordo plenamente. E acrescento o facto de actualmente parece que há algumas pessoas (ainda um número considerável) com necessidade de se justificar...

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