sábado, 10 de março de 2012

au revoir - à tout à l'heure



Faltam pouco mais de 9 horas para partir. Ainda deu para vir ao blog. Estou em casa de um amigo, em Vila Franca de Xira, que amanhã me levará ao aeroporto de Lisboa. Hoje durante a tarde folheava alguns cadernos da adolescência, dos poucos que sobreviveram. Partilho uma pequena parte de um pequeno texto que para lá encontrei. É com este texto que me despeço por agora. E vou ali para a mala a ver se descubro como é que lhe vou tirar 5 kg. 

Queria ter um braço grande para dar um grande abraço grande que abraçasse tudo
Que tenho dentro do meu pequeno coração...
Queria que tudo que o meu grande abraço grande abraçasse
Ficasse eternamente - sem a morte do tempo - comigo...

Queria que o tempo parasse - oh tempo pára, pára por favor!
Queria que o espaço não existisse - que tudo que eu gosto estivesse junto a mim
Sem qualquer espaço a separar-nos.

Mas tudo é irreal;
Todos os meus desejos são impossíveis
De tornar real;
Tudo o que quero é abstracto - invisível!

Ninguém acredita no que não vê - só em Deus.
Porquê?
E existe ao menos o invisível em que acreditam? - Deus?
Onde?

Os meus desejos são abstractos - mas são a procura da felicidade!
Deus é abstracto - mas é o medo do Homem materializado
Num espírito imaterial!

(Não sei se sou eu que me livro de Portugal, se é Portugal que se livra de mim.)

Ou como diz o Carlos Azevedo:

Qualquer pessoa decente — e eu, apesar das minhas muitas fraquezas inerentes à condição humana, considero-me uma pessoa decente — tem que sentir uma agonia constante por viver neste país. Porque, façamos o que fizermos, há uma corja — e um rebanho — que não permite que o país ande para a frente. E há dias — hoje é um deles — em que só me apetece uma coisa: correr com toda essa gente à estalada. (aqui)

8 comentários :

  1. Para onde quer que vás que a sorte te acompanhe...

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  2. Que cosa más hermosa has escrito André.
    anhelo ese abrazo...
    Porqué no creer en lo que vemos, es tan verdad y paradójico
    Un beso gigante

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  3. Rapaz, para ti, um dos primeiros poemas de Sophia:

    Apesar das ruínas e da morte,
    Onde sempre acabou cada ilusão,
    A força dos meus sonhos é tão forte,
    Que de tudo nasce a exaltação
    E nunca as minhas mãos ficam vazias.

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  4. Mais um premiozinho no meu blog http://acasadoalfaiate.blogspot.com/2012/03/premio-dardos.html

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  5. Mais um premiozinho no meu blog http://acasadoalfaiate.blogspot.com/2012/03/premio-dardos.html

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  6. Boa viagem, André!
    E com poemas belos assim, não te perdes pelo caminho.:)
    bjs
    E o Carlo Azevedo tem razão! Exprimiu-o com todas as letras! Só corridos à estalada, os tais do "rebanho"!

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