sábado, 18 de fevereiro de 2012

Quando esta crise terminar...


...Se algum dia terminar, perguntar-nos-emos como é que foi possível que deixássemos que psicopatas tomassem conta do poder? Como é que foi possível que tivéssemos eleito os psicopatas que elegemos para tomarem nas suas mãos os nossos destinos? Como é que foi possível que tivéssemos abdicado dos nossos valores? Como é que foi possível que tivéssemos esquecido as nossas certezas? Como é que foi possível que nos tivéssemos mudado a nós mesmos, à nossa identidade, à nossa maneira de ser? Como é que foi possível que tivéssemos abdicado do nosso modo de vida, da nossa cultura, das nossas ideias? Como é que foi possível que tivéssemos mudado as nossa relações, esquecido a nossa família, ignorado os nossos amigos, fechado as portas aos nossos vizinhos? Como é que foi possível que tivéssemos aberto mão dos nossos sonhos e da nossa liberdade? Um dia, quando esta crise terminar, se algum dia terminar, perguntar-nos-emos como é que foi possível continuar a discutir Hayek e Keynes, quando sabíamos que uma nova crise só se resolve com um novo paradigma?


Um dia, quando esta crise terminar, se algum dia terminar, quando escrevermos a História, faremos todas estas questões e outras mais. Pena que para escrever a História tenhamos sempre que deixar que primeiro a História aconteça... Pena que não sejamos capazes de agarrar a História nas nossas mãos, e sejamos nós a escrevê-la primeiro, e a fazê-la acontecer depois.

6 comentários :

  1. Dou-te toda a razão, mas a História necessita de tempo para se tornar história...

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    1. É. A História tem esse defeito, precisa de acontecer primeiro para o ser. E depois é sempre (re)escrita pela parte vencedora... Abraço.

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  2. Já concluí que ninguém quer um novo paradigma. Todos querem que "isto" passe para voltar ao que era.

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    1. Sei que já leste o que penso sobre "isto"... http://thoughloversbelostloveshallnot.blogspot.com/2012/02/uma-decada-perdida-2002-2012-uma-decada.html

      «Na minha teoria mui pessoal é assim: as pessoas de esquerda querem que "isto" volte a ser o que era; as pessoas de direita querem que "isto" volte a ser o que era. Com esta nuance: as de direita querem que "isto" volte a ser o que era uns aninhos atrás daquilo que a esquerda quer. É a única diferença. Os ambidestros, como eu, estão indecisos e confusos. Sabem perfeitamente que "isto" nunca vai voltar a ser o que era, porque nunca nada volta a ser o que era, mas não sabem que fazer a "isto". Confuso? Compreenderam? A diferença entre esquerda e direita é esta: a direita não sabe fazer contas, e a esquerda nunca foi boa a matemática.»

      Abraço.

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  3. Apesar de tudo continuo a acreditar no que sempre acreditei: numa sociedade mais justa, mais livre, mais fraterna e num Ser Humano mais emancipado. Os tempos não estão para isso, mas depende de todos nós fazer os tempos. Por mim, não abdico daquilo em que sempre acreditei. Não abdico, nem abdicarei, venham os psicopatas que vierem.

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    1. Acreditar acreditamos todos, Lear. O problema é haver cada vez mais pessoas de mãos atadas, impotentes... Uma sociedade organizada em torno do dinheiro não pode funcionar sem a circulação do vil metal... E isto está em pré-ruptura... A ver vamos. (Digo psicopatas porque são pessoas que não demonstram a minima empatia pelo sofrimento das pessoas que os elegeram). Abraço e obrigado pela visita.

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