segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Depus a máscara e vi-me ao espelho...



Depus a máscara e vi-me ao espelho...
Era a criança de há quantos anos...
Não tinha mudado nada...


É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que fica,
A criança.


Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor.
Assim sou a máscara.


E volto à normalidade como a um términus de linha.


Álvaro de Campos, in Poesia (p. 514), Assírio & Alvim.



Nunca gostei do Carnaval. Para mim sempre representou o dia em que as pessoas permitem a si mesmas ser quem são, dizer o que pensam... Afastar fantasmas, ou fazer a catarse de um ano inteiro de fingimento... Protestar em cima de um carro alegórico aquilo que não são capazes de protestar no livro de reclamações. Ser ebriamente rectas tanto quanto são sobriamente curvas. Protestar na folia contra quem se prostram na vida. Dar cartões vermelhos em cartazes ao partido a quem deram livre-trânsito nas urnas. E pregar partidas sem graça nenhuma.
Ai, ai, ai, que o governo não deu o Carnaval. Então, não gostam de partidas carnavalescas?!

2 comentários :

  1. Eu também não gosto, mas por razões diferentes; tal como na noite de fim de ano, porque é que eu devo divertir-me por ser data disso?
    Haverá coisa pior para programar no calendário os dias em que se deve estar feliz?

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    Respostas
    1. Se pudessem formatavam as pessoas todas... abraço.

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