terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Passaporte



O passaporte que se vê na imagem é uma digitalização do meu primeiro passaporte, alterada com um rudimentar programa de edição de imagem. Nesta imagem, resta a minha data de nascimento e pouco mais. Perdoem-me, mas os outros dados são meus. E assim já não têm desculpas para não me oferecer livros.

Custou-me desfazer-me deste passaporte: ele representava um dos meus maiores arrependimentos, senão o maior. Havia acabado os exames do secundário, tinha 18 anos. Preciso dizer porque é que gastei uma pequena fortuna, junta com o que poupava da parca semanada? A semanada era suposto que fosse para comer um bolo ou uma sandes, e beber um sumo ou um galão, a meio da manhã, um segundo pequeno-almoço que tão bem saberia a quem saía tão cedo para as aulas... Mas que eu dividia assim: metade era para juntar para fazer o passaporte quando tivesse 18 anos, a outra metade era para jogar no totoloto, que naquela altura levava nome, não o meu, que era menor, pois claro.

Durante seis ou sete longos meses esperei pelo dia em que poderia emigrar, e depois fiquei. Há 12 anos, como hoje, Portugal já não me dizia nada. Era apenas o quadrado onde estavam as pessoas que conhecia*, que por sorte ou azar me calharam como família, amigos, ou outra coisa qualquer, que a maioria das vezes as pessoas que conhecemos são difíceis de definir. Percebem o meu arrependimento?

Não vou cometer o mesmo erro uma segunda vez.


*Post-Scriptum: Onde estão os amigos que então me diziam «não vás, vamos ter tantas saudades»? E que dizer da família que dizia que tinha que continuar a estudar e agora diz «andaste a estudar para nada»?

4 comentários :

  1. momentos da vida que nos permitem crescer.
    não considero devaneios mas reflexão. nc emigrei e sempre assim me senti :( até porque os laços familiares sp foram...

    abraço

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  2. Não te estou a aconselhar a emigrar, é lógico; apenas te digo que se eu tivesse outra idade, já aqui não estava.

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  3. Pinguim, mas podes aconselhar... aliás, neste ponto, quanto muito podes reforçar a motivação... vou em Janeiro para o país dos meus sonhos, logo se vê... Abraço.

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  4. Paulo, há 12 anos queria ir embora, ms fiquei porque todos me diziam para ficar (shame on me), agora sei que devia ter ido, e agora tenho novamente um oportunidade. E vou embora daqui. Na verdade nunca me senti Português, nunca me identifiquei com este povo, com a sua cultura, as suas tradições, a forma de ser e de estar... Sou um estrangeiro aqui. Não sei se haverá um lugar onde o não seja... À minha vontade de ir embora, junta-se um necessidade (não imediata, mas que projecto para muito breve, pelo rumo que as coisas estão a tomar)...

    Abraço.

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