quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Junta de Bois - Citação, 17


Por ter morrido quando eu ainda era muito novo não o conheci a pontos de o entender, o meu avô. Lembro-me dele, samarra pelos ombros, autónomo e viúvo, seco e alto. E de uma das últimas coisas que me disse ao ver passar a família – da qual o outro que não podia dar mais que o comer ao ganhão era patriarca -, a caminho da missa um domingo de manhã: que quando pensasse em comprar uma junta de bois ou qualquer coisa do género numa terra que não conhecesse que fosse ao domingo, e que visse quem estava à missa. Que com os da frente que não fizesse negócio. Gente velhaca, – seriam os primeiros a enganar um homem. A regra do velho homem é boa, pelo que pude observar. Apesar de juntas de bois já não haver quem as venda. Que se afaste a gente das primeiras filas da vida e da sua fauna; por não se encontrar de ordinário lá nada que valha vinte e cinco tostões. Dos dele – bem entendido. Nesta vida incerta até o valor real ou nominal do dinheiro varia: consoante a mão.

soliplass, no post Vint’cinco tostões, no blog Âncoras e Nefelibatas.

2 comentários :

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...