terça-feira, 29 de novembro de 2011

Já vivi num país assim. E não gostei.*



Vamos empobrecer. Já vivi num país assim. Um país onde os “remediados” só compravam fruta para as crianças e os pomares estavam rodeados de muros encimados por vidros de garrafa partidos, onde as crianças mais pobres se espetavam, se tentassem ir às árvores. Um país onde se ia ao talho comprar um bife que se pedia “mais tenrinho” para os mais pequenos, onde convinha que o peixe não cheirasse “a fénico”. Não, não era a “alimentação mediterrânica”, nos meios industriais e no interior isolado, era a sobrevivência. 

Isabel do Carmo, no público de 28/11/2011. Texto completo pode (e deve) ser lido aqui.


*Efectivamente, já vivi num país assim. Era já um país a sair disto - mas ainda se sentia (alguma vez deixou de se sentir?) o cheiro da pobreza no ar. A pobreza tem cheiro? Experimentem tomar banho uma vez por mês! (vá, uma vez por semana, como vaticina o nosso - meu não é, mas pronto, não me pertence nada, se me fosse alguma coisa juro que lhe dava um murro nas trombas - dizia, o nosso primeiro-ministro: um troglodita que tem como único caminho para a salvação - podia falar antes em redenção, sempre seria mais congruente - repito, um troglodita que tem como único caminho para a salvação o empobrecimento, nem sequer uma maiúscula merece). Sim, ainda senti o cheiro, o peso, a ameaça da pobreza. E sinto-a cada vez mais pesada, cada vez mais negra, cada vez mais próxima. Um país assim já não é um país.

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