sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A minha Vida numa Imagem, 3

Auto-Retrato Dupl, Egon Schiele
Auto-Retrato Duplo - Egon Schiele


Auto-Retrato Duplo, desenho de 1915 do pintor austríaco Egon Schiele. O auto-retrato podia ser triplo, quádruplo, tantas vezes quantos os estados de espírito. Porque não somos unos, somos múltiplos. E como os traços do desenho, alguns traços são difusos e outros são carregados; e alguns são difusos num momento e carregados noutro, e o contrário; a cada instante mudamos, ou voltamos a ser o que fomos. Por vezes ficamos vazios, para logo ficarmos repletos. De memórias, de sentimentos, de imagens. Quantas vezes nos odiamos, para de imediato nos amarmos, como na imagem, com estupefacção, admiração, ou compreensão. Somos incompletos, como um desenho inacabado.

5 comentários :

  1. Concordo inteiramente com a tua argumentação.
    É dos quadros mais interessantes de Egon Schiele.

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  2. É espantoso este quadro! Gosto muito do Egon Schiele.
    E o que diz das duas (três, quatro?) faces é bem certo. Nem precisamos de ir ao Dr. Jeckill/Mr. Hyde, é bem mais subtil.
    Bom w.end

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  3. Olá Pinguim, estou a seleccionar de entre os quadros/imagens que mais gosto, dos pintores que admiro, aquelas que além de me dizerem alguma coisa em termos estéticos, me suscitam alguma memória biográfica - ainda que não deixe a mesma explícita. Este é o meu preferido do Schiele. Há qualquer coisa que não consigo explicar, mas que se sente, nas expressões destes auto-retratos. Abraço

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  4. Olá MJ Falcão. Também há outras gravuras de Schiele com auto-retratos múltiplos, noutros números. Esta é a minha preferida. Ao contrário da novela de Stevenson, aqui as múltiplas faces da mesma personalidade existem simultaneamente. Penso que neste aspecto corresponda mais há realidade da maioria dos mortais. Bom fim-de-semana. Beijo.

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  5. Não conhecia. Fiquei a gostar muito do desenho e concordo com a sua leitura. O que acho mais fascinante é o facto de o "eu1" e o "eu2" estarem unidos, em expressões de alguma surpresa, é certo, mas demonstrando uma aceitação "mútua" muito, muito aconchegante. Ou seja, uma expressão muito diferente das que habitualmente os duplos tomam na arte/ literatura.

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