quinta-feira, 18 de agosto de 2011

páginas dispersas de um diário, 4


Aqui estou, estendido sobre o tálamo triste da minha rija existência, sem almofada que aplaque a minha dor. Cheguei enfim a um ponto em que não desejo mais que a vida - não desejaria mais, ainda que pudesse.

Eis que partiste, e lentamente os dias escoam-se pelo firmamento longo, entre alegrias e mágoas que ficaram, esquecidas na memória, lembranças que de quando em quando retomam à consciência, trazidas pelos retratos que deixaste espalhados pelos recantos escondidos da casa, e pelas paisagens sombrias das recordações do baloiço, no canto do jardim onde íamos, nos finais de tarde, observar o horizonte, e esperar por doirados pores-do-sol.

2 comentários :

  1. Tão belo, tão poético, tão triste...

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  2. Obrigado Pinguim,

    (Mesmo na Depressão pode haver isso tudo - frequentemente assim é)

    Abraço

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