domingo, 28 de agosto de 2011

Livros - um desafio aceite.



O Adolescente Gay desafiou-me a responder a um dos memes literários que circulam pela blogosfera. Aqui ficam as minhas respostas a este inquérito:

1 - Existe um livro que relerias várias vezes?

Sim, existe. Intitula-se O Principezinho. Também há quem o intitule O Pequeno Príncipe. Foi escrito por Antoine de Saint-Exupéry. E já disse para mim mesmo que nunca mais o hei-de (re)ler. Também reli a manhã submersa, de Vergílio Ferreira. E releio muitas vezes livros de poesia - embora neste caso, não costume reler o livro na totalidade, mas ao acaso. Reli muitas vezes o poema O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro. E volto sempre ao volume Poesia, de Álvaro de Campos, em edição da Assírio & Alvim. Apesar de tudo isto que digo atrás, em geral não tenho o hábito de reler.

2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

Não. Todos os livros que comecei a ler e não li até ao fim, ficaram pelas primeiras páginas. E não voltei lá. Àqueles a que voltei, sempre os li até ao fim. Quanto a livros que começo a ler e não leio até ao fim, existem dois tipos: aqueles de que não gosto - e não me passa pela cabeça perder tempo com eles - e aqueles que comecei a ler, mas não me encontrava com disposição para eles - e ficaram (alguns ainda estão) à espera do seu momento. 

3 - Se escolhesses um livro para ler no resto da tua vida, qual seria?

Se tivesse mesmo que ser: se me apontassem uma arma à cabeça, e não estivesse num dos (muitos) momentos de ideacção suicida, escolheria Poesia, de Álvaro de Campos. 

4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

Ulisses, de James Joyce. Nunca me aconteceu encontrar o livro numa livraria, num momento em que tivesse dinheiro para o comprar. E como só leio livros meus - só em caso de desespero peço um livro emprestado, ou tomo de empréstimo numa biblioteca. Sim, detesto emprestar livros, e detesto bibliotecas. 

5 - Que livro leste cuja «cena final» jamais conseguiste esquecer?

«Sempre imerso no seu sonho, bebeu duma vez o chá morno. Estava amargo. A glória, como vós sabeis, é uma coisa amarga.»  Último parágrafo de O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar, de Yukio Mishima. Acho que é mesmo o único final de um livro de que me recordo.

6 - Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual o tipo de leitura?

Banda Desenhada, principalmente - desde o Tio Patinhas até à Mafalda, passando pelo Astérix e pelo Lucky Luke, entre outros; alguns livros que o pudor me impede agora de vos dizer; e tudo o que tivesse letras, eu devorava. Embora não tenham sido muitos, porque não tinha acesso a muitos. 

7 - Qual o livro que achaste chato, mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?

De entre as minhas depravações nunca constou o sado-masoquismo, nem metaforicamente, nem noutros termos. Nunca li nenhum livro que achasse chato. Convenhamos que é preciso ser mesmo muito chato para eu achar um livro chato. Normalmente nem compro livros chatos. Porque antes de os comprar ando a namorar as primeiras páginas nas livrarias.

8 - Indica alguns dos teus livros preferidos.

Confissões de uma Máscara, e O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar, de Yukio Mishima; Uma Vida Violenta, e Teorema, de Pier Paolo Pasolini; O Processo, Metamorfose, O Castelo, Contos, e América, de Franz Kafka; Ensaio Sobre a Cegueira, Evangelho Segundo Jesus Cristo, Intermitências da Morte, e Caim, de José Saramago; A Confissão de Lúcio, Céu em Fogo, e Poesia, de Mário de Sá-Carneiro; manhã submersa, e aparição, de Vergílio Ferreira; O Crime do Padre Amaro, O Primo Bazilio, e A Relíquia, de Eça de Queiróz; Confesso que Vivi, e Cem Sonetos de Amor, de Pablo Neruda; Poesia, de Álvaro de Campos; Poesia, de Alberto Caeiro; O Livro do Desassossego, de Bernardo Soares; A Educação do Estóico, de Barão de Teive; O Banqueiro Anarquista, A Hora do Diabo, Heróstrato, Epitalâmio, Antínoo, e Poesia, de Fernando Pessoa; O Jovem Törless, e O Homem sem Qualidades, de Robert Musil; As Benevolentes, de Jonathan Littell; O Barão Trepador, O Visconde Cortado ao Meio, O Cavaleiro Inexistente, e Se numa Noite de Inverno um Viajante, de Italo Calvino; As Mil e Uma Noites, de autor ou autores desconhecidos, traduzido por Antoine Galland; Morte a Crédito, de Louis-Ferdinand Céline; Maurice, de E. M. Forster; Queer, e Cidades da Noite Vermelha, de William S. Burroughs; O Retrato de Dorian Gray, De Profundis, e Contos, de Oscar Wilde; A Sangue Frio, e Súplicas Atendidas, de Truman Capote; As Horas, Uma Casa no Fim do Mundo, e Dias Exemplares, de Michael Cunningham; À Espera no Centeio, de J. D. Salinger*, A Criação do Mundo, e Orfeu Rebelde, de Miguel Torga; No Tempo Dividido, e Coral, de Sophia de Mello Breyner Andresen; ...

Vou ficar por aqui, que a lista é interminável... Foram os primeiros em que pensei, apenas isso. A lista dos meus livros preferidos deve incluir uns mil títulos - para dar um número redondo.

9 - Que livros estás a ler?

Money, de Martin Amis. Comecei há pouco, ainda só li as primeiras 50 páginas. O título esta em consonância com as minhas preocupações.

10 – Agora nomear 10...

Peço desculpa, mas vai mesmo ficar por aqui. 


*Li algures que qualquer psicopata que se preze tem este no seu catálogo de leituras. Estou portanto habilitado para a profissão.

Imagem acima vista aqui.

6 comentários :

  1. Já vi este desafio por aí, e penso que nem todas as pessoas estarão aptas a responder a ele.
    Confesso que se tivesse que eleger alguém para responder, serias tu, pelo que li com redobrado interesse as tuas respostas e claro que não me defraudaram.

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  2. Boas!

    Mais vale tarde, que nunca XD
    Óptimas escolhas!


    Beijinhos e porta-te mal!! ;)

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  3. Olá Pinguim,

    Pelo que sei também já foste desafiado. Fico à espera das tuas respostas! Abraço

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  4. adolescente gay, Obrigado. Vou tentar: portar-me muito mal. Abraço.

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  5. Já fui, mas respondi num longo comentário e não seguindo as regras...

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  6. Pinguim, assim obrigas-me a procurar a resposta nos comentários. Acho que dava um bom post... Abraço.

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