sexta-feira, 15 de julho de 2011

memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris!


E se pudesses voltar atrás?

Voltavas a correr para os seus braços e voltavas a agarrar-te com a mesma força e impetuosidade ao seu corpo, apesar de todos os dias morreres um pouco e todos os dias sentires essa revolta e esse ódio; e voltavas a acreditar nas suas palavras e numa felicidade incomparável, ainda que todos os dias te perguntes como pudeste acreditar em palavras tão vãs e digas para ti mesmo que o que mais querias era nunca teres conhecido a única coisa por que trocarias a vida. Se pudesses voltar atrás voltarias a errar e a arrepender-te, e voltarias a acreditar e a amar, e voltarias a querer voltar atrás, e passarias a eternidade a voltar atrás, da mesma maneira que todos os dias dizes a ti mesmo que vais esquecer, e passas os dias a recordar.





Sim, eu sei, eu sei que não me ouves, sei demasiado, sei bem demais, e cada vez que ao pensamento isso me acorre, estala-me na pele o chicote da memória. Sei que não me ouvirás nunca mais, e nunca mais é tanto tempo, é a eternidade em vida, é tarde demais, porque nunca mais é sempre tarde demais, nunca mais é demasiado para um corpo só, nunca mais é uma dor enorme para um corpo que se abandona ao vento como um grão de pó, e como um grão de pó também a tua memória vagará um dia, num assobio do vento, nunca mais é um flagelo, para o espírito, a mente, a alma, para esse lugar que pensa e sente, para esse lugar sem limites, para esse lugar onde a eternidade existe, e eternamente te espera, sabendo que nunca mais, sim eu sei!, sabendo que nunca mais me ouvirás.

6 comentários :

  1. Pois. Se pudesse voltar atrás correria para os seus braços, apesar de saber tudo isso. Estou enganada?

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  2. Pois, desejamos voltar atrás para voltarmos a repetir os mesmos erros. Só dizemos que gostaríamos de voltar atrás para fazermos tudo de maneira diferente para nos enganarmos a nós mesmos...

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