terça-feira, 5 de julho de 2011

Citação, 4


A escravatura que acabou não acabou com as dezenas de suicídios de funcionários da France Telecom, (...) Não, a escravatura que acabou não acabou com a escravatura. Ainda que assalariada, a esmagadora maioria dos trabalhadores é hoje mal paga. À escala nacional, isso é evidente se tivermos em conta o salário mínimo nacional, um salário mínimo transformado em salário médio pela ganância das empresas. As pessoas podem não ser forçadas a trabalhar mais do que aquilo a que os seus contratos obrigam, mas são profundamente condicionadas nas suas decisões. Sobre elas paira constantemente o fantasma do desemprego. A manipulação, a coação, a pressão psicológica, difíceis de determinar e de provar, são exercidas diária e impunemente sem outros objectivos que não sejam os de levar o trabalhador a render o mais possível, ou seja, exigir o máximo retribuindo com o mínimo. (...)




Escrevi num post anterior que não são «insondáveis os desígnios do capitalismo: produzir lixo e vendê-lo como luxo, de maneira a obter o máximo lucro com os mínimos custos - custos mínimos para aqueles que obtém o lucro máximo (...)». O post citado sugere a leitura do romance O Navio dos Homens, de Takiji Kobayashi. E mais não digo, quem mais quiser saber vá lá ler o post completo. «A escravatura que acabou não acabou com a escravatura», e a escravatura voltou em força, ou sempre esteve em força, mas agora está a chegar em forças aos países que se diziam desenvolvidos, e vem mascarada, e disfarçada, e desculpada. A crise dá para tudo... Mas o que é ser desenvolvido? Que importa todo o desenvolvimento, se ele não nos serve de nada? Que importa o desenvolvimento se não podermos responder afirmativamente à pergunta «és feliz?»

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