segunda-feira, 4 de julho de 2011

Citação, 3



Que dinheiro sobra para livros (não me fodam dizendo que não haveria quem gostasse de os comprar e não pode) para educação, ou para um pouco mais de produtos culturais que quase sempre estão reservados às elites, dos que ganham pouco mais que o salário mínimo? Disso nunca se fala, nem se pode falar ou lá vão à vida as posições e os artigos, os empregos e os comentários, os convites e as palmadas nas costas. Como aconselhou um dia Franco ao jovem Juan Carlos (na altura ainda simples herdeiro do trono), é-se escravo do que se diz e dono do que se cala. E esta gente, vive, mais do que escrever ou dizer qualquer coisa, do que cala.

Do post A frugalidade dos amigos nórdicos, no blog Âncoras e Nefelibatas.


Há sim que gostasse de os comprar e não pode! Porém, não é só para livros que não sobra dinheiro. Já não sobra dinheiro para nada. E, pior que isso, que não sobrar: é que já nem sequer chega. Mas ainda que sobrasse dinheiro para livros - vamos supôr essa hipótese meramente académica - sempre ouvi dizer que uma cabeça de barriga vazia - ou mais especificamente, um cérebro de estômago vazio - não funciona. Seria, enfim, estar a ler em falso. É que não há povos mais ou menos inteligentes que os outros. O que há é povos com a barriga vazia.


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