terça-feira, 19 de julho de 2011

125 Anos da Morte de Cesário Verde


Há 125 anos morre no Lumiar, Cesário Verde, sem que a sua maior ambição tivesse sido realizada - a publicação em volume dos versos que escreveu. As suas poesias ficariam dispersas até que Silva Pinto as reuniu na obra «O Livro de Cesário Verde», em 1887. A primeira edição deste livro não chegou a entrar no mercado livreiro, sendo por isso uma raridade que qualquer bibliófilo almeja possuir. Em homenagem a este grande poeta publico aqui o poema De Tarde.


De Tarde

Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão de bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, indo o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos
E pão de ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

4 comentários :

  1. É um dos meus poetas preferidos e nem dei por este "aniversário"!
    Fiquei contente por ver que o lembraram...

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  2. Amigos, é uma pena não haver uma entidade pública a comemorar os 125 anos da morte de Cesário Verde. Uma data «redonda» como esta merecia uma comemoração. Há comemorações para tanta coisa... Enfim, há por aí quem queira matar a Cultura. Porém, eles não sabem que a Cultura, quanto mais a esfaqueiam, mais ela resplandece! Obrigado pelos comentários. Desculpem a demora na resposta, mas tenho andado ocupado com coisa nenhuma - o que, como se sabe, é uma ocupação terrível que nos esgota o tempo todo...

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