sexta-feira, 3 de junho de 2011

no tempo do colégio*


(Ao Marco José Lobão Paula)


No tempo do colégio, dizíamos
com crueldade, das freiras,
que caminhavam aos pares,
cabisbaixas, cochichando
que um amante as deixara
prostradas frente ao altar.

A euforia da vida latejava-nos
nos pulsos. Entrelaçada nas mãos
estava a inocência. Ainda
não tínhamos a grande dor
das desilusões, que viriam depois,
nem sabíamos das contradições da vida.

Mas isso era no tempo
em que a vida não tinha
obstáculos. Em que a existência
caminhava, inconsciente e livre.
No tempo em tínhamos
uma casa confortável
nos subúrbios, e viveríamos
felizes para sempre, como
nas histórias de encantar.

Não tínhamos, ainda, gozado
as experiências, ingénuas, do sexo
nem suportado o tédio
as noites pejadas de desejo

Tínhamos a paz, de quem se deitava
e calmamente, adormecia
para quem, entre o deitar e o erguer havia
apenas o sonho. Porém, a vida se interpôs

Não tínhamos , ainda, vivido
o primeiro amor, aquele que
ansiosamente esperámos. Aquele que
desperdiçamos. Aquele que
Para sempre, nos podia ter salvado.


*Poema de André Benjamim, publicado na Revista Cultural Praça Velha, n.º 24 (pp. 344-345)

6 comentários :

  1. Muito Bom "...cochichando que um amante as deixara prostradas frente ao altar...", lembro-me desta, só não me lembro quem era a freira...lol...abraço

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  2. Muito bom mesmo. Oh Domingos, tens a certeza que nao te lembras da Freira? A maior parte da malta detestava ela, agora nao me vem o nome a memoria mas essa Senhora era responsavel pela nossa Turma no Setimo Ano. Abraço.

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  3. David Santos, não te lembras do nome? Abraço.

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