sexta-feira, 24 de junho de 2011

Citação


Quando era criança tinha o hábito de ser criança. É provável que lesse. Porém, ao olhar para trás lembro-me melhor dos mergulhos no rio, dos cigarros com barba de milho, das aventuras pela serra a apanhar rosmaninho para as fogueiras de Santo António. Seja como for, tenho uma teoria: uma pessoa deixa de ser criança quando começa a ler, aconteça isso aos cinco, seis, sete, oito anos…

Ao ler este parágrafo, que faz parte da resposta do Henrique Manuel Bento Fialho a um questionário (aqui), senti um arrepio. Literalmente senti um arrepio. Até hoje tinha uma teoria; que uma pessoa deixa de ser criança quando pela primeira vez lhe entra a morte na alma*. Hoje questionei a minha teoria, e já não tenho tantas certezas.


Quadro: Readind Boy, de Eastman Johnson.

*Na falta de melhor palavra.

6 comentários :

  1. Na Igreja Católica, uma criança deixa de poder ser baptizada aos 6 anos, teoricamente quando começa a ler. A partir daí, tem de fazer a catequese para ser baptizada. Também eles definem o limite do ser criança nessa altura.

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  2. Não há um marco nítido para separar a fase em que se é criança; até porque ser criança é um conceito que tanto pode ser tomado de uma forma restrita ou lata...
    Se o entendimento do que é a morte é um indício forte que pode ser tomado como fim de um ciclo, também o ler, não o ler exactamente, mas sim o perceber aquilo que se leu, o pode ser.

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  3. Artur, pois - do meu conhecimento do catecismo - deve ser porque ler é no fundo colher da árvore do conhecimento - aquela de que estavam Adão e Eva proibidos de colher. Abraço.

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  4. Pinguim, concordo com o que dizes. Neste caso particular, e quando refiro a morte (e a leitura) - são os casos em que uma criança, mesmo ainda o sendo o deixa de ser; porque há qualquer coisa que se parte na alma - na falta de melhor palavra. Abraço

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  5. Uma criança deixa de ser criança, quando corrompida pela sociedade. Aí vai-se toda a pureza quando aprende as "patranhas" da sociedade em que vive. Somos todos vítimas dessa sociedade. Será?

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  6. Paula, por isso acreditava que uma criança deixava de o ser quando a morte lhe entrava na alma; porém, vendo bem, quando uma criança começa a ler (e ler aqui não é o acto de juntar letras, sílabas, etc - mas sim o acto de compreender, entender) julgo que perde a inocência, e logo deixa de ser criança...

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