terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Coisas. Ou o equivalente em Inglês: F*ck

Guitarra de gelo num copo de whiskey,
duplo, por favor.
 «Para mim, o ideal de vida é ser uma árvore. A árvore está ali, alimenta-se diretamente do chão, da terra, cresce, abre-se, dá flores se é árvore para dar flores, ou frutos, se der, e vive o tempo que tenha de viver. Uma sequoia vive mil anos, há oliveiras no nosso país que são centenárias e várias vezes centenárias, mas tudo acaba. Se se derreterem os gelos do Ártico...vamos ficar debaixo de água. Um dia a Terra desaparece, o Sol apaga-se, o sistema solar acaba e o Universo nem sequer se dará conta de que nós existimos. O Universo não saberá que Homero escreveu a Ilíada.»

José Saramago no documentário "José e Pilar"



Um facto é apenas um facto. O que o torna grave ou irrelevante, o que lhe dá um significado, são as circunstâncias: são as circunstâncias que dão significado aos factos - que o tornam significativo.

Não há pessoas especiais. Há pessoas especiais para nós. E um dia seremos todos pó das estrelas - nós e as memórias de nós. Até Homero. 

Todas as pessoas são únicas, únicas na sua ontogenia e nas suas circunstâncias. E únicas, também, todas as relações que estabelecem entre si - únicas nas suas origens e circunstâncias - únicas no modo como se desenvolvem.

Algumas relações são de diamante - começam logo belas e com valor incalculável - e de um momento para o outro, parece que nos conhecemos desde sempre - um pouco de lapidação para facetar e polir, e são perfeitas.

Outras são um bloco de granito, ou mármore, ou outra pedra qualquer - podemos até não dar nada por elas, mas o tempo, as vivências em comum, as experiências, as partilhas - esculpem obras monumentais - obras que chegam mesmo a ser mais valiosas que o diamante.

Podem durar para toda a vida - ou quebrar-se num instante - e tanto quebra o diamante polido, como a pedra esculpida.

Quebradas, já nada lhes pode valer. Podemos deitá-las fora - esquecê-las - ou guardá-las, como memória daquilo que foram um dia - como recordação e aviso. Até que um dia o universo se esqueça de tudo - e esquecerá, essa é a única certeza.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Não há presentes... Há abraços.


Uma vez que não tenho direito a presentes de Natal - devo ser um menino muito mal comportado - enfim, os meninos mal comportados também vão para todos os lados, como as meninas? - estou esperando esses abraços.

Espero que tenham tido um Feliz Natal - com muitos presentes: com as pessoas de que de gostam presentes, acima de tudo - seus interesseiros do caraças.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Podcast Revista de Imprensa, na Rádio Altitude, 17 de Dezembro de 2015


Como prometido é devido, aqui fica o podcast do programa Rádio de Imprensa, no qual participei, no passado dia 17 de Dezembro de 2015, na Rádio Altitude. Ouçam com cuidado - e pode ser que entendam alguma coisa do meu discurso destrambelhado. Os microfones ainda me assustam - principalmente na Rádio. Eu não ouvi - porque detesto ouvir-me, portanto não sei se está muito mau ou se se aproveita alguma coisa.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Feliz Natal, Boas Festas & etc

Chegou a hora de vos desejar um Feliz Natal, Boas Festas & etc - família, amigos, presentes, amor, carinho, afecto, aconchego, essas coisas - e eis-me perante o ecrã em branco, do editor do Blogger, e o teclado - tentando resistir a mais um texto depressivo: já vos disse que detestava esta época?

Já, já vos disse num post intitulado «Paz» (deixo o link para quem o queira ler por completo) que «Estes dias de Natal custam-me a passar (mais que os outros). E quando alguém se aproxima com caridadezinhas, solidariedadezecas, frasezonas, palavrinhas e palavrecas de discursozinhos, é isto que me apetece fazer: correr tudo à chapada e à paulada, à pedrada e à pauzada.»

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Mais uma vez fui à rádio - desta vez à Rádio Altitude - fingir que era escritor. Acreditaram...


André Benjamim, escritor natural de Pinhel, foi o convidado a ler em voz alta, na Rádio, os jornais e as revistas do dia.
Posted by Rádio Altitude FM on Thursday, 17 December 2015


...Provavelmente porque não era um programa sobre escrita, nem livros, nem Literatura. Fui apenas comentar e opinar sobre as notícias dos jornais e revista do dia, na Revista de Imprensa. Quem não teve a excelente oportunidade de me ouvir gaguejar, poderá fazê-lo mais tarde, em podcast.

E pronto... o meu ano foi mais ou menos isto (requer facebook para ver):


Vá, vão lá espreitar. Here's my 2015 Year in Review. See yours at facebook.com/yearinreview.
Posted by André Benjamim on Wednesday, 16 December 2015


Entretanto consegui descobrir como fazer uma imagem do My Year in Review 2015. Está engraçado.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Feliz Carnaval e Sejam Felizes! - ou, em linguagem mundana, Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!

Goofy Pateta Disney
O Goofy é o meu personagem preferido da banda desenhada da Disney. Podia escolher uma árvore de Natal, para vos dar os votos de Boas Festas deste ano, como fiz noutras ocasiões (1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6). Mas encontrei esta ilustração do Pateta - nome adoptado nas traduções portuguesas, que é literalmente o que significa o seu nome em inglês - um nome injusto, penso eu, para aquela que é a mais bondosa das personagens da Disney - e considerei que era uma boa imagem para ilustrar os votos da época que vivemos.

Enfim, as personagens engraçadas, desajeitadas, engraçadas, da ficção que é esta vida, são sempre tratadas como patetas - talvez não seja desajustado o nome - é cruelmente assim na realidade. 

Não espero presentes - prendas não aceito - não sei, na verdade, se ainda espero alguma coisa. Já estou habituado a esta espécie de abandono - bem sei que não é a ocasião propícia a lamentos - e que as pessoas preferem ouvir palavras vácuas e sorrisos inócuos - a superficialidade e a hipocrisia soam sempre melhor: por isso, Bom Carnaval a todas as pessoas que por aqui vão passando, então! - Que, tomando por referência o tempo que decorreu já desde os primeiros anúncios natalícios, devemos estar a chegar ao Carnaval!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Uma Viagem Sentimental por França e Itália, pelo Sr. Yorick - de Laurence Sterne - lista de desejos #4

Uma Viagem Sentimental por França e Itália pelo Sr. Yorick de Laurence Sterne
Embora A Vida e Opiniões de Tristram Shandy seja o meu romance preferido, de Laurence Sterne não li as restantes obras - o que muito lamento.  

Uma Viagem Sentimental por França e Itália, pelo Sr. Yorick trata-se de um texto editado pela primeira vez em Londres em 1768, três semanas antes da morte do autor, Laurence Sterne (1731-1768). Misto de autobiografia e de ficção, aí são narrados alguns episódios das viagens de Sterne pela Europa continental em 1762-64 e em 1765-66.
A linguagem irónica do narrador propõe aos leitores um sinuoso percurso sentimental pelo coração do viajante. Mais atento às transacções humanas do que ao património, Yorick, o turista sentimental, viaja seguindo a máxima «conhece-te a ti mesmo». Foi desta peculiar combinação de observação social, introspecção psicológica e desejo sexual que um novo tipo de narrativa de viagens emergiu a partir dos finais do século XVIII, explorando a retórica da sensibilidade e do sentimento. Na literatura portuguesa, as Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, são um reconhecido descendente. (Informação do site da Antígona)

Ganhasse eu o EuroMilhões e comprava todo o catálogo da Antígona - um pobre tipo como eu percorre o site da editora e - ai! - não há um título de qualidade duvidosa.