quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Amigos. «Que é um amigo? Uma única alma habitando dois corpos.»

Figuras de Banda Desenhada

Hoje dei comigo - isto de estar a ficar choné tem destas coisas - damos connosco - a remexer nas estantes, passando as mãos pelos livros, como quem acarinha um retrato antigo como se acarinhasse um antigo amigo. Olho para eles - e já não sei porque nos amámos tanto - busco no fundo de mim um motivo para tanto nos termos querido - e para tanto nos estranharmos.

Entre os milhares - sim, são mais que mil, portanto são milhares - devem rondar os dois mil, não sei, há muitos anos que lhes perdi a conta - reencontrei um que um dia comprei para oferecer - e lá estava, escrito na contra-capa a frase atribuída a Aristóteles - na obra Vidas dos Filósofos Eminentes de Diógenes Laércio - Que é um amigo? Uma única alma habitando dois corpos. Comprei-o para oferecer àquele que para sempre ficará com o título de melhor amigo - embora já não me seja nada - mas - melhor amigo é como primeiro amor - não há como mudar. 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Sessão de Lançamento e Apresentação de «AVC do Amor» de Luís Abreu


Foi apresentado no passado dia 16 de Outubro o romance «AVC do Amor», de Luís Abreu. AVC do Amor é um texto de ficção, baseado na realidade e que relata, de uma forma “leve”, não espiritual e alegre a rotina diária de uma paralisia causada por um AVC. Neste texto, o autor, ele próprio tetraplégico, faz um relato muito verosímil e realista dessa condição, misturando-o com grandes paixões, com uma viagem a outra dimensão e com alguns episódios ligeiramente humorísticos.

Luís Abreu nasceu em Luanda, em 1973. Veio para Portugal com 30 meses para morar em Vieira de Leiria; aos 4 anos mudou-se para Paio Pires, e aos 13 anos foi viver para Almada. Estudou engenharia informática no IST, foi sócio de uma empresa de novas tecnologias e trabalhou numa multinacional onde esteve envolvido em projetos de âmbito nacional. Em 2006 teve um avc gravíssimo que quase o levou à morte. Contrariando as evidências sobreviveu e, desde então, tem tido vários ganhos que, apesar de lentos, são o culminar de muito esforço e dedicação do próprio e de todos que o rodeiam. É autor da página Palavras Paralíticas - Luís Abreu, no facebook.

Quem quiser adquirir este livro pode fazê-lo na wook ou na Chiado Editora, seguindo os links. 50% do lucro da venda deste livro reverte a favor da Associação Salvador.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Diário de Bordo - ou de como a vida é ir caindo sempre até tocar no fundo do buraco.

Abismo

Levo o último diário publicado por J. Rentes de Carvalho, Pó, Cinza e Recordações, comigo para todo o lado, na esperança que em algum lado me apeteça lê-lo. Mas há mais de um ano que não leio um livro; folhei-o, espreito, vai-se-me embora a vontade. Leio de quando em quando uma entrada. Porque coincide com a data, porque um amigo faz anos naquele dia, porque abri o livro ao acaso e fui ali parar.

Também em tempos escrevi diários. Talvez durante dez anos - era fácil de saber, estão para ali arrumados nas estantes entre os livros que em tempos li - ou sonhei que leria um dia, e ficarão, quiçá, para sempre por ler. Nas minhas deambulações pela internet encontrei esta imagem, e ao olhar para ela pensei que poderia muito bem ser uma representação da minha vida, do meu estado _________ (preencham a gosto: podem meter "anímico", "psicológico", "social", "económico", "financeiro", "sexual", o que quiserem, tanto se me dá). E não, não vou a descer pelas escadas, rumo ao inevitável. 

Bem sei que este post, como tantos outros, não tem jeito nenhum. É apenas uma entrada de um diário. Nada mais.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Jorge Amado. Navegação de Cabotagem. «Pensar pela própria cabeça custa caro, preço alto»


Prisioneiro, Pensar pela própria cabeça, Pensamento Próprio

«Pensar pela própria cabeça custa caro, preço alto. Quem se decidir a fazê-lo será alvo do patrulhamento feroz das ideologias, as de direita e as de esquerda e as volúveis: há de tudo e todas implacáveis. Ver-se-á acusado, xingado, caluniado, renegado, posto no pelourinho, crucificado. Ainda assim vale a pena, seja qual for o pagamento, será barato: a liberdade de pensar pela própria cabeça não tem preço que a pague.»

Jorge Amado em «Navegação de Cabotagem»

One Million PageViews: 1.000.000!

one million pageviwes, 1000000, um milhão, 1 milhão

Passados 4 anos e 8 meses, o blog atingiu o número redondo de 1 milhão de pageviews. O que dá uma média 17.857 pageviews por mês. Obrigado a todas as pessoas que passaram aqui pelo blog (os visitantes ocasionais talvez nunca venham a ler este post, mas é assim a internet, e a blogosfera, em particular). Aos mais fiéis, um redobrado agradecimento. Se tivesse alguma coisa para sortear, era a ocasião, mas como ninguém me patrocina nada, e não tenho dinheiro, resta-me agradecer-vos - e, talvez, esperar por melhores dias. Para quem quiser, ou tiver paciência, deixo a lista dos 10 posts mais visitados, convidando-vos a lê-los (ou relê-los):

  1. EuroMilhões: como aumentar as hipóteses de ganhar?
  2. O Curriculum Vitae Perfeito
  3. Lolita, de Vladimir Nabokov - livros que nunca devia ter lido, 20
  4. As Mil e Uma Noites - livros que nunca devia ter lido, 4
  5. Como escrever uma Crítica Literária - ou Resenha - de um Romance
  6. A Indiferença - Poema de Bertolt Brecht*
  7. Como é Linda a Puta da Vida, de Miguel Esteves Cardoso
  8. Servidões, de Herberto Helder
  9. Guerra é Paz
  10. Dia do Pai*

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

As minhas escolhas para Os Melhores Romances Escritos em Língua Portuguesa

Books, Livros, Novels, Romance, Lista Romances, Pilha de Livros
Já divulguei aqui a lista que o Projecto Adamastor está a elaborar, para a qual se pede a colaboração de todos os leitores. Ainda não me decidi pela ordem, nem completei a lista. Por enquanto tenho os títulos que apresento a seguir pensados (decidi não apresentar mais que um título por autor): Ensaio Sobre a Cegueira (José Saramago); Sinais de Fogo (Jorge de Sena); Viva o Povo Brasileiro (João Ubaldo Ribeiro); Ernestina (J. Rentes de Carvalho); Capitães da Areia (Jorge Amado); manhã submersa (Vergílio Ferreira); O Primo Bazílio (ou O Crime do Padre Amaro, Eça de Queiroz); Memórias Póstumas de Braz Cubas (Machado de Assis); Agosto (ou O Caso Morel, Rubem Fonseca). Falta-me encontrar um título de outro autor, e decidir-me qual é o romance que eu prefiro do Eça de Queiroz e do Rubem Fonseca. Na elaboração da minha lista o meu primeiro critério é o meu gosto pessoal - e único.

Anúncio do Prémio Nobel da Literatura 2015: Svetlana Alexievich


"for her polyphonic writings, a monument to suffering and courage in our time". 

Svetlana Alexievich Nobel Prize 2015

Svetlana Alexievich, escritora Bielo-Russa, «pelos seus escritos polifónicos, um monumento ao sofrimento e à coragem nos nossos tempos».

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Elaboração de lista d' Os Melhores Romances Escritos em Língua Portuguesa

O Projecto Adamastor está a elaborar uma lista dos melhores romances escritos em Língua Portuguesa, para a qual se pede a colaboração de todos os leitores. Para participar basta preencher o formulário apresentado, indicando dez romances de autores lusófonos, por ordem de preferência, ordem essa que funcionará como principal ponderador no apuramento dos resultados finais; de notar que as escolhas podem ser editadas até ao final da votação. Em alternativa, caso não possuam conta Google, podem enviar directamente as suas escolhas para o e-mail do projecto (geral@projectoadamastor.org), ou partilhá-las na secção de comentários.

As regras são simples:

Podem ser indicados quaisquer romances originalmente escritos em português.
Não serão considerados títulos de menor extensão, como contos ou novelas, assim como os casos cuja classificação é mais problemática, de que é exemplo O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa.
Não existe qualquer restrição no que diz respeito ao número de obras por autor, isto é, podem ser indicados múltiplos romances escritos pelo mesmo autor.

Informação completa no blog do Projecto Adamastor.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Chove lá fora...

Rain, Chuva, Pintura, Painting, Rainy Night, Noite Chuvosa
"Rainy Night" (fonte)
chove lá fora
água escura

o meu olhar chora
e irrequieto procura

a luz que demora
a trazer brancura

(a noite é escura
e a chuva dura)

o meu ser implora
que não chova lá fora!


Poema de André Benjamim

Legislativas 2015: A Anedota da Noite Eleitoral


E cobram todos os meses a taxa por um serviço de que não usufruo. Não, não ligo a televisão há mais de dois anos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Tinha muitas coisas para dizer. Mas tenho pouca vontade, e nenhuma motivação.

Coffee, Café, Mocho, Coruja
Fotografia que um amigo captou e partilhou no meu mural do facebook
Teria muitas coisas para vos dizer, nestes últimos tempos, se tivesse motivação, ou triunfasse a vontade. Assim, por aqui vou andando, ocupando os meus dias como me é possível ocupá-los, esperando não sei o quê - provavelmente nada. 

Pela minha saúde mental - o que resta dela - há um par de anos que desliguei a televisão - livrar-me de pagar a taxa que se paga por um serviço de que não se usufruiu, nem se quer usufruir, isso é que julgo não me ser possível. 

Contudo, não era ao roubo a que não podemos escapar que eu me queria referir com isto da televisão; era ao facto de assim me livrar de debates, tempos de antena, e notícias sobre a campanha. Tudo o que sei sobre este assunto é o que vou lendo nos blogs que sigo (na barra lateral, alguns, muitos mais no meu Feedly), e nas rápidas espreitadelas aos títulos gordos nas páginas electrónicas dos jornais (aproveito para dizer que ainda não consegui compreender porque é que o raio do Público me envia e-mails com uma selecção de notícias para ler, se depois não mas deixa ler - se eu quisesse pagar para ler as vossas notícias da treta, eu pagava - ou melhor, não pagava, que não tenho dinheiro - mas, se tivesse...)

Teria, como disse, muita coisa para vos dizer. Mas como não tenho motivação para quase nada, aqui vos deixo uma selecção de posts de blogs que acompanho, que dizem uma pequena parte daquilo que eu vos diria, se triunfasse a vontade:


Passem pelos links. Creio que vale a pena - e sempre ficam a conhecer um pouco, muito pouco, daquilo que me tem ocupado o pensamento.