sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Nova edição de «Uma Conspiração de Estúpidos», de John Kennedy Toole, na Relógio d'Água

Uma Conspiração de Estúpidos John Kennedy Toole Relógio d'Água


Uma Conspiração de Estúpidos, de John Kennedy Toole, tem nova edição em Portugal, na Relógio d'Água. É um dos livros da minha vida, e já falei dele aqui: «Li o romance aos solavancos, ao contrário do que normalmente faço; algumas páginas por dia; alguns dias sem ler, durante dois ou três meses. Porque é um romance cómico, de trazer lágrimas aos olhos de tanto rir, mas também um romance que nos angustia. Ignatius Reilly tem trinta anos e vive em casa da mãe, sem qualquer trabalho ou ocupação digna desse nome. Qualquer semelhança de Ignatius Reilly com o autor, John Kennedy Toole, ou com milhares de jovens da actualidade (da geração rasca, à rasca, mil-eurista, do trabalho máximo pelo salário mínimo, desempregada, desesperada, desencantada, endividada), não é pura coincidência. Há evidentes semelhanças. Mas também diferenças. Parafraseando o célebre início do romance Ana Karenine, de Leo Tolstoi, os jovens bem-sucedidos parecem-se todos; os mal-sucedidos são-no cada um à sua maneira.» Permito-me aconselhá-lo. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Citação: «O que vale a pena». Texto de Isabel Mouzinho. Amizade.

Amizade, Amitié, Friendship, Friends, Amigos
Ilustração de Maurice Sendak, para a obra
«Let's Be Enemies», de Janice May Udry

Há nas amizades verdadeiras uma aura de mistério, qualquer coisa de incompreensível e de inexplicável que faz delas uma espécie de bênção, que nos enche a alma e a vida, e nos conforta o coração em dias sombrios, ou quando tudo parece virar-se do avesso e o mundo começa a girar ao contrário.

Vivem-se em total liberdade, mas tratam-se com cuidado e carinho. Têm por base a confiança inabalável, os sentimentos genuínos e a grandiosidade do afecto e, por isso, devagar se fazem também cumplicidade e partilha, na magia que faz os amigos de há pouco poder parecer que são já de há muito, e na certeza de saber que para lá dos silêncios e dos gestos alguma coisa nos liga, um laço invisível que se nos ata ao coração e que se acredita poder perdurar para lá de tudo. Mas todas as pessoas, mesmo as que mais amamos ou admiramos, podem um dia desiludir-nos ou magoar-nos.

(...)

E acreditar que o tempo traz sempre consigo a verdade de todas as coisas. E que ter quem acredite em nós faz a vida valer a pena...

O que vale a pena, texto de Isabel Mouzinho, completo no blog Delito de Opinião.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Amadureci com o Passar dos (D)Anos


Há um poema, entre tantos outros, de Fernando Pessoa, que tenho sempre presente. É uma quadra ao gosto popular, das muitas que ele deixou num envelope:

«Teus olhos querem dizer
Aquilo que se não diz...
Tenho muito que fazer...
Que sejas muito feliz!»

Lembro-me dela sempre que me encontro com esse tipo humano que se limita, que se castra, que se mascara. Que se esconde num papel-prototipo e se recusar a Ser. O tipo cobarde. Adiante. Pergunto-me sempre, a mim mesmo: «E depois, quem sabe se são os teus olhos que querem dizer - ou se são os meus que querem ouvir?» Há perguntas que ficarão para sempre sem resposta. São as questões que se acumulam como espinhos na alma-ferida.