quinta-feira, 28 de maio de 2015

Brasil 1 Alemanha 7: Como o Brasil vendeu a Copa

Brasil, Alemanha, 7-1, Brasil vendeu a Copa do Mundo
Brasil 1 - Alemanha 7
Parece que agora toda a gente sabia da corrupção que vai ali por aquele organismo com leis próprias, embora não seja um país, pátria, ou nação, que se dá pelo nome de FIFA.

Muitas questões se colocam (ou melhor, voltam a colocar): o Brasil vendeu a final do Campeonato do Mundo de Futebol França'98 e vendeu o jogo contra a Alemanha, o dos célebres 7-1, a maior derrota da história da Canarinha?

Eis alguns artigos sobre a questão, que já vem do tempo do Mundial de França, e se voltou a colocar aquando da pesada derrota do Brasil no último Campeonato do Mundo: Brasil vendeu a Copa? - Como o Brasil vendeu a Copa? (artigo de 04 de Agosto de 2014) - O Brasil VENDEU a Copa do Mundo para a Fifa.

«Ninguém Nunca me Entregou nada de Bandeja»


Não, nunca ninguém me entregou nada, nem de bandeja, nem de maneira nenhuma. É uma miséria... História completa AQUI.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Sempre que o Vaticano bufa, a Humanidade alcançou alguma Vitória.


Sempre que o Vaticano bufa, a Humanidade alcançou alguma vitória.

As velhotas levantaram a cabeça, fixando-nos com admiração e estupefacção, provavelmente por verem dois jovens irromperem num espaço de velhos. A curiosidade fê-las parar as suas rezas maquinais. Os lábios que se mexiam, quase sem deixarem de se tocar, cerraram-se. Sentámo-nos no último banco, aquele que se prostra divinamente, frente ao altar, sem se ajoelhar.
Elevada atrás e acima do altar, pendia uma cruz com um cristo moreno e musculado, de longos cabelos ondulados caindo-lhe lubricamente sobre o peito. A cabeça tombada para a esquerda e uma expressão absorta de dor. Um belo peito definido e a barriga encolhida com os abdominais salientes. À cintura uma pequena prega de pano cobrindo-lhe a denúncia da sua humanidade, deixava entrever as vergonhas humanas. Pelos vitrais das enormes vidraças entravam alguns raios de luz coloridos, espalhando-se sensualmente sobre o corpo do cristo.
– Amo-te! – Disse-me o Fábio, baixinho, e chegando a sua cabeça junto da minha. As velhotas lá atrás olhavam-nos com curiosidade crescente. Espreitei de soslaio. Apercebendo-se do movimento da minha cabeça, recolheram às suas orações. Entretanto a terceira velhota, a mais velha delas todas, adormecera profundamente. Da testa pendiam-lhe cabelos soltos, e os sulcos das rugas enchiam-se de suor. O nariz adunco ia pingando sobre o seu vestido negro, e a respiração pesada começava a encher lentamente a igreja.
– Eu também te amo…
– Se pudesses, casarias comigo? – No instante em que acabava a pergunta pegou na minha mão direita, apertando-a com força. Entrelaçou os seus dedos nos meus e pousou as nossas mãos unidas sobre as suas calças de bombazina bege. Do alto da sua cruz, cristo parecia olhar-nos com enlevo. Uma velhota tossiu. A terceira acordou, reatando as suas rezas, com o terço enlaçado entre as pregas de pele aveludada dos dedos trementes. Entretanto, entrou um casal de mão dada. As duas velhotas ajoelhadas seguiram o seu percurso com o olhar. Subiram pela colateral, admirando os pormenores da igreja, passaram por nós sem nos ligar atenção, fizeram a genuflexão quando chegaram à frente do altar, prostrando-se alguns segundos a olhar o cristo divinizado e saíram pela coxia.
– Então, não respondes, casarias comigo?! – Insistiu o Fábio, largando a minha mão e indo apertar o meu joelho despido.
– Casaria...
– Prometes amar-me para sempre?
– Prometo…
Segredando-me ao ouvido, pediu-me para repetir a pergunta que ele fizera.
– Prometes amar-me para sempre?
– Prometo! – Respondeu prontamente. Remexeu os bolsos, retirando dois anéis de prata. Pegou na minha mão, enfiando um deles no meu dedo. Deu-me o outro e esticou-me a sua mão. Realizei o mesmo acto.
– Agora estamos casados! – Declarou-me com veemência. Agarrou-me pelos ombros e deu-me um beijo rápido e furtivo. Olhei para trás. As velhotas rezavam distraidamente.
– Vamos embora? – Perguntei-lhe.
– Não. Vamos ficar aqui um bocado. Apetece-me estar ao pé de ti. Só estar ao pé de ti, mais nada. – Encostou a cabeça no meu ombro e adormeceu. Agarrei a sua mão, e assim permanecemos longas horas. A terceira velhota foi a primeira a sair. Minutos depois saíram as outras duas, deixando-nos a sós na igreja fria. Os raios de sol que entravam pelas vidraças iam perdendo inclinação e vigor, até que a escuridão invadiu a igreja. Cristo continuava a fitar-nos, como se o seu interesse em nós crescesse, até que a negridão fechou os seus olhos.

Excerto de Os Cadernos Secretos de Sébastian. Já havia publicado este excerto no blog - pareceu-me bem voltar a publicá-lo.


O Romance «Os Cadernos Secretos de Sébastian» encontra-se à venda, em livro, na Amazon e na CreateSpace. Em formato e-book podem encontrá-lo na SmashWords, no iTunes, na Amazon, e noutras lojas online.

terça-feira, 26 de maio de 2015

O que queres ser quando desistires?

Give Up, Desistir

Há quem coloque a este cartoon descrições optimistas. Num mundo de ignorância galopante, serão cada vez mais as ceifeiras, suponho.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

1915 - O Ano do Orpheu

1915 O Ano do Orpheu
1915 - O Ano do Orpheu. Provavelmente é apenas mais um livro que não lerei. É um belo livro - e caro - nisto, coincidem quase todos os livros em Portugal. Mas não é por causa do preço que não o lerei - até porque me ofereceram o livro no dia de aniversário.

Como também me ofereceram Pó, Cinza e Recordações, de J. Rentes de Carvalho. Li as primeiras três entradas deste Diário, e não consegui continuar. A qualidade é a mesma de sempre, e permito-me aconselhar a leitura a toda a gente.

O mesmo aconteceu com O Tempo Morto É Um Bom Lugar, de Manuel Jorge Marmelo. Li as primeiras doze páginas e parei. É muito, muito bom. Eu é que não consigo.

Sobre a enorme pilha de livros que se acumulam na minha mesa de cabeceira está também Soumission, de Michel Houellebecq, que a minha irmã me trouxe de França - um presente a pedido. Li as primeiras páginas apenas.

Há quase oito meses que não leio um livro. A excepção, pelo meio, foi a leitura de Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos. E foi uma leitura tão cheia de soluços, tão dolorosa, tão arrastada, que chamar-lhe leitura é já um acto de misericórdia.

Os livros - e a leitura - foram durante muitos anos o lugar onde me refugiei e protegi das agruras da vida. Mas já nem estes me consolam. Não, os livros não nos podem salvar - nem mudar a vida - apesar de todas essas frases românticas que pululam por aí.

Obrigado a todos que me ofereceram livros - não apenas estes, que refiro, mas muitos outros.

Post Scriptum: este post não é publicidade.

domingo, 24 de maio de 2015

Citação: Desemprego e Canas de Pesca - de Gonçalo Mira

Desemprego Jovem na Europa
O desemprego não é nada de novo, nem para mim nem para muitas (demasiadas) pessoas, mas continua a doer que se farta. Não há repetição que torne a situação suportável, não há forma de isto calejar e ser ignorado. Ainda bem que assim é, por um lado, porque a revolta fermentada é mais saudável do que o abandono de tudo e a aceitação de que é assim mesmo. Sou daqueles idiotas que faz questão de não partir. É aqui que quero estar, é aqui que quero construir qualquer coisa, mesmo quando os governantes mandam embora a minha geração e depois a chamam de volta, como destruíram a pesca e depois a quiseram impulsionar.

Não é fácil explicar em palavras o sofrimento silencioso que esta situação provoca. Não será igual para toda a gente, mas custa muito a muitos. À beira dos trinta, a minha vida tem sido recheada de empregos precários e muitos regressos a casa dos meus pais. É aqui que estou, de novo, sob uma pressão imensa que não ajuda nada, vendo-me confinado a uma cidade de que não gosto, onde a única coisa que me salva são os meus poucos amigos que ainda cá estão. Mas tenho muitos outros em Lisboa, onde vivi e trabalhei em vários períodos, Lisboa que fica a uma hora de viagem, e dói muito não ter dinheiro sequer para lá ir de vez em quando beber uns copos. Como dói não ter dinheiro para ir ao cinema, para ir ao jantar de aniversário de uma amiga, para beber um café.

(...)

Há uns meses, comecei a escrever um romance. Durante algumas semanas consegui dedicar-me a ele quase em regime de full-time. Já me imaginava a vencer um prémio literário e a ouvir pessoas a falarem do meu desemprego como uma oportunidade de vida e eu mandá-las para o caralho. O conto de fadas só muito raramente acaba assim, meus caros. O que aconteceu foi que o dinheiro com que vivia, do meu último trabalho, chegou ao fim e a depressão instalou-se. Quando isto chega a este ponto, o saldo da minha força de vontade espelha o da minha conta bancária. Não há motivação que resista, não há capacidade mental para juntar palavras em frases e fazer qualquer coisa com qualidade. Não tenho pejo em admitir a minha fraqueza: entro num ciclo vicioso em que não tenho vontade de fazer nada, logo não consigo mudar a minha situação, ou sequer tentar, logo a situação não muda, logo não tenho vontade de fazer nada, logo não consigo mudar a minha situação, logo ad infinitum.

Desemprego e Canas de Pesca, de Gonçalo Mira. Texto completo no blog do autor.

sábado, 23 de maio de 2015

O Dia de Não-Aniversário

Fiz anos, algo que acontece com demasiada frequência e que, embora pareça demasiado fácil, é cada vez mais difícil. Obrigado a todos que, de uma forma ou outra, se lembraram de mim. Deixo-vos com um excerto de um dos meus livros dilectos.

Alice and Humpty Dumpty


- Portanto, aqui vai uma pergunta para ti. Que idade disseste que tinhas?
Alice fez umas breves contas de cabeça e respondeu:
- Sete anos e seis meses.
- Está errado! - exclamou Humpty Dumpty com um ar de triunfo. - Tu nunca disseste isso.
- Pensei que querias perguntar: «Que idade tens?» - explicou Alice.
- Se eu quisesse perguntar isso, tê-lo-ia dito - objectou Humpty Dumpty.
Alice não queria começar outra discussão, por isso não disse nada.
- Sete anos e seis meses! - repetiu Humpty Dumpty, pensativo. - Que idade incómoda! Se tivesses perguntado a minha opinião, eu ter-te-ia dito: «Pára aos sete anos»... Mas agora é tarde de mais.
- Eu nunca peço conselho para crescer - respondeu Alice, indignada.
- Por uma questão de orgulho? - perguntou o outro.
Alice ficou ainda mais indignada com esta sugestão e respondeu:
- O que eu quero dizer é que uma pessoa não pode impedir-se de crescer.
- Uma talvez não possa - respondeu Humpty Dumpty -, mas duas podem. Com a ajuda adequada é possível parar de crescer aos sete anos.
- Que lindo cinto que traz! - disse Alice de repente. (Já tinham falado o suficiente sobre o assunto da idade, pensou, e se a regra era escolherem assuntos à vez, agora era a vez dela.) - Ou antes - corrigiu, depois de pensar melhor -, uma linda gravata, queria eu dizer... Não, um cinto... Desculpe! - concluiu, consternada, pois Humpty Dumpty parecia verdadeiramente ofendido, e ela começou a desejar não ter escolhido o assunto.
«Se ao menos eu soubesse onde fica o pescoço e onde fica a cintura!», pensou Alice.
Era visível que Humpty Dumpty estava muito zangado, embora não dissesse nada durante um minuto ou dois. Quando voltou a falar, foi num tom de profunda ofensa.
- É a maior das insolências uma pessoa não saber distinguir uma gravata de um cinto! - disse por fim.
- Eu sei que mostrei ser muito ignorante - confessou Alice, com um ar tão humilde que Humpty Dumpty abrandou o tom.
- É uma gravata, menina, e muito bonita que ela é, como tu dizes. Foi um presente do Rei e da Rainha Branca. Nem mais!
- A sério? - replicou Alice, muito satisfeita por achar que descobrira afinal um bom assunto.
- Ofereceram-ma - continuou Humpty Dumpty com ar pensativo, cruzando as pernas e segurando um dos joelhos com as mãos -, ofereceram-ma... como presente por não fazer anos.
- Perdão? - perguntou Alice, confusa.
- Não estou ofendido - respondeu Humpty Dumpty.
- O que eu queria saber é o que é um presente por não fazer anos.
- É um presente oferecido num dia em que não fazemos anos, é claro.
Alice ficou uns instantes a pensar. Por fim, disse:
- Eu prefiro os presentes no dia em que faço anos.
- Não sabes o que estás a dizer! - exclamou Humpty Dumpty. - Quantos dias tem um ano?
- Trezentos e sessenta e cinco - respondeu Alice.
- E quantas vezes fazes anos?
- Uma.
- E se tirares um a trezentos e sessenta e cinco, quantos ficam?
- Trezentos e sessenta e quatro, é claro.
Humpty Dumpty parecia desconfiado.
- Prefiro fazer a conta no papel - disse ele.
Alice não pôde deixar se sorrir ao tirar o seu bloco de notas e fazer a conta para ele:

365
   -1
364

Humpty Dumpty pegou no bloco e observou-o atentamente.
- Parece que está bem... - começou a dizer.
- Mas está a segurar nele ao contrário! - disse Alice.
- É verdade! - concordou Humpty Dumpty alegremente, quando Alice endireitou o bloco. - Bem me parecia que havia qualquer coisa estranha. Como eu ia dizendo, parece que está bem... Embora eu não tenha agora tempo de examinar a conta com atenção... E isto mostra que há trezentos e sessenta e quatro dias em que podes receber presentes quando não fazes anos...
- Sem dúvida - respondeu Alice.
- E só um em que podes receber presentes por fazeres anos. Que glória para ti!
- Não sei o que quer dizer com «glória» - disse Alice.
Humpty Dumpty sorriu com um ar de desprezo.
- É claro que não sabes... senão quando eu te disser. O que quero dizer é: «Ora aí está um belo argumento para te derrotar!»
- Mas «glória» não quer dizer «um belo argumento para te derrotar» - objectou Alice.
- Quando eu utilizo uma palavra - disse Humpty Dumpty com um ar trocista - ela significa exactamente aquilo que eu quero... Nem mais nem menos.
- A questão é saber se pode fazer com que as palavras signifiquem coisas tão diferentes - disse Alice.
- A questão é saber quem é que manda... Mais nada - corrigiu Humpty Dumpty.

Lewis Carroll, em Alice do Outro Lado do Espelho (tradução de Maria Filomena Duarte)

quinta-feira, 21 de maio de 2015

The New York Times Magazine, May 24th 2015

The New York Times Magazine, May 24th 2015
O Epicentro?

Como se propagarão as ondas sísmicas do iminente terramoto grego? Mas o epicentro deste terramoto é mesmo em Atenas? Têm mesmo a certeza que não é em Berlim? Ou Bruxelas? Ou Frankfurt?... Vejam lá...

Contrário ao Todo Mundo o Anda! Sentido, Nada Disto Faz Sentido. Quantos irmãos tem o Pescador? O Acordo Ortográfico, obrigatório?!

Quantos Irmãos tem o Pescador
Agora que deixei de ler, toda a gente me quer oferecer livros. E eu já nem tenho onde os pôr, e aqueles que ainda não li vão-se acumulando, tristemente. Talvez deva deixar de pensar em ganhar o EuroMilhões - pode ser que comecem a sair-me prémios em catadupa.

Não tenho vindo aqui que, já saberão os meus queridos clientes aqui da tasca, este mês é complicado para mim. Deprimo quando se aproxima o fatídico dia que me informa que envelheço - que estou mais velho - não bastavam as rugas e a falta do cabelo, ainda tem que vir a data no calendário, aquela que está no cartão de «cidadão» - ainda conseguem dizer esta palavra sem se rirem? Parabéns.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Citação: Sempre a Descer - de Henrique Manuel Bento Fialho

Desemprego a Descer
Deve ser disto que falam os governos, quando dizem que
o Desemprego está a descer
(...) Esperavam o quê de uma sociedade onde as famílias são quase forçadas a desestruturarem-se, com pais e mães que praticamente não falam com os filhos, distribuídos de segunda a domingo por empregos precários, cumprindo horários rotativos com turnos que parecem saídos do séc. XIX? Esperavam o quê de uma sociedade onde os pais foram forçados a legar o seu papel de educadores numa escola esmifrada, reduzida aos mínimos, pressionada por objectivos puramente mercantilistas que olha para os alunos como numa tipografia se olha para a pasta de papel? Esperavam o quê? Esperavam talvez que de uma sociedade onde os professores foram massacrados, perdendo todo o seu estatuto social, reduzidos profissionalmente a uma cambada de imbecis que devem ser sujeitos a provas de aferição, anos a fio de tenda às costas, esperavam talvez que miúdos cuja educação se exerce sob a influência de vídeos virais fossem solidários, tolerantes, cooperativos, fraternos. Cambada de cretinos. Andam há anos a fazer como os macacos, tapam os olhos, os ouvidos, não querem ver, nem ouvir, não falam, não querem saber, mas esperam que o mundo não seja o esterco que cresce a esmo em torno desta indiferença, desta indolência, desta alienação. Pais que não falam com os filhos, pais que se fazem substituir pela oferta de gadgets, pais que não têm sequer tempo para desfrutar com os filhos (eu tenho um fim-de-semana por mês para estar com as minhas e, confesso, quando ele chega tantas e tantas vezes só me apetece estar comigo próprio!), professores feridos na sua dignidade, psicólogos no desemprego a concorrerem para caixas de supermercado e livreiros de shopping, um sistema nacional de ensino trucidado pela raiz, meticulosamente destruído nas últimas décadas em função de um mercado de trabalho onde se pretende mão de obra barata, matéria bruta para servir grandes grupos empresariais que não podem ser competitivos, eh lá, sem exercerem bullying diário sobre os seus trabalhadores, pagando pelos mínimos, exigindo os máximos, impondo objectivos com os quais ameaçam, pressionam, levam à loucura, à depressão, a estados extremos de ansiedade gente que espera levar para casa ao fim do mês o suficiente para pagar gás, água, luz, gasolina, latas de atum e o MEO que cale os filhos. (...) A vossa indignação é torpe, é esterco, devia envergonhar-vos a todos. (...)

Leiam o texto completo, de Henrique Manuel Bento Fialho, no blog antologia do esquecimento.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A Entrevista. Tal como Prometido. Eu a Fingir que sou Escritor - e as Pessoas a Fingirem que Acreditam!

André Benjamim, Entrevista, Os Cadernos Secretos de Sébastian
Com um livro já publicado, Os Cadernos Secretos de Sébastian, André Benjamim é um jovem escritor natural do Sorval. Com a alma repartida entre a prosa e a poesia, André não é de muitas conversas "gosto mais de escrever", justifica. A sua escrita é polémica, acutilante e, por vezes, provocadora. O "Pinhel Falcão" foi ao Sorval para conhecer este Pinhelense.

Pergunta-se a idade a um escritor? Não tenho idade. Como em «Alice», não me recordo agora se «no País das Maravilhas» se «do Outro Lado do Espelho», deixei de fazer anos. Estou todos os dias receptivo a presentes... a prendas, não! Só tenho dias de Não-Aniversário...

Pinhel Falcão (PF) – Comecemos pelo pseudónimo André Benjamim. Queres explicar como aparece este nome na tua vida?

André Benjamim (AB) Antes de mais há que dizer que muitas pessoas que se relacionam comigo nem sequer sabem que não me chamo André Benjamim, e mesmo aquelas que sabem, me chamam André. ou Benjamim. Até a minha mãe por vezes se esquece que não me chamo «André». E que quem me chama pelo meu nome civil corre o sério risco de ser ignorado, pois a maioria das vezes não me chama à atenção, sinto-o como estranho a mim mesmo. Do nome André Benjamim há apenas a dizer que teve origem em dois autores de que gosto bastante: a poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, e o filósofo Walter Benjamin.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Dom Quixote de La Mancha - de Miguel de Cervantes - Edição Especial Comemorativa dos 50 anos da Editora Publicações Dom Quixote

Dom Quixote de La Mancha, Miguel de Cervantes
E pronto! Lá vou eu fazer, novamente, publicidade, sem ser pago para isso. A editora Publicações Dom Quixote celebra o seu 50.º Aniversário - e em celebração da redonda data lançou uma nova edição de Dom Quixote de La Mancha, por apenas 10€ (9€ com desconto). Basta procurarem nas livrarias (reais ou virtuais). Não vou deixar link, que já era publicidade a mais - ainda para mais gratuita.

Bem sei que já tenho duas edições diferentes de Dom Quixote de La Mancha - porém, quanta vontade de comprar esta também! Raios parta quem inventou o dinheiro...

Se ainda não têm nenhuma edição - se ainda não leram - se tiverem por aí 10€ disponíveis - não percam esta oportunidade.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Pó, Cinza e Recordações - de J. Rentes de Carvalho - amanhã, 08 de Maio de 2015, nas livrarias.

Pó Cinza e Recordações, J. Rentes de Carvalho
Pó, Cinza e Recordações
J. Rentes de Carvalho
«O Kalifa serve um «bacalhau à lagareiro» de qualidade superior, feitura idem, pelo que para lá me mando, a antecipar os sabores do almoço.
Estaciono defronte dos Correios.
Assombrado, o casal estacou no passeio. A mulher fica. O homem, um sessentão gorducho apoiado a um cajado, avança para mim:
- Olha que esta! Ai que caralho! Quem havia de dizer!
Indiferente ao trânsito, pára a meio da rua, abre os braços, agita o pau num modo de esgrima amigável.
- Não me está a conhecer, pois não? Ai que caralho. A minha mulher… Não se lembra de mim?
- Francamente, não recordo.
- Caralho! Sou o Adérito! O Adérito das cerejas, caralho!
- Deve estar enganado.
- Não estou, caralho! Nós somos primos!
- Desculpe, mas…
- Sou o Adérito da tia Conceição, caralho! O Adérito… - continua a sorrir, mas atira uma paulada raivosa ao passeio.
- O Adérito, caralho! O Adérito de Vilarinho dos Galegos! O das cerejas! O primo!
- Olhe que não. Eu sou doutros lados. Não tenho família em Vilarinho, nunca lá fui.
- Não me diga, caralho! Então enganei-me?
- Acho que sim.
- Ai que caralho! Podia jurar, caralho!...
Encara-me descrente. No outro lado da rua, encostada à parede dos Correios, a mulher acena um adeusinho.»

O Adérito das Cerejas, J. Rentes de Carvalho, em Pó, Cinza e Recordações, Diário (15 de Maio de 1999 - 15 de Maio de 2000) - via Quetzal.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Eu a fingir que sou Escritor. O Tempo Morto é Um Bom Lugar. Pinky Swear. Soumission.

Mindinhos Cruzados, Pinky Swear, Juramento, Mindinho Esticado
Pinky Swear.
«Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra.»

Caio Fernando Abreu.

Já devem os meus ilustres leitores e leitoras, ou o inverso, estar habituados a posts como este que se segue, aparentemente desconexo. Acreditem, está tudo ligado, nem que seja no meu cérebro cansado, com cansaço (à terceira tentativa consegui escrever a palavra, que isto da dislexia parece-me que tem tendência para piorar - ou sou apenas eu que estou cada vez mais burro - ou precocemente senil) de séculos.