terça-feira, 21 de abril de 2015

Portugal é um país fantástico quando visto pelos olhos delirantes dos alienados que o tomaram de assalto...

Portugal, Cavaco Silva, Passos Coelho, Joana Vasconcelos, Paulo Portas, Ricardo Salgado

Quando se lêem as notícias não se acredita; Portugal, um país maravilhoso, e nós aqui presos, nesta realidade paralela. Como é que se foge desta «porra triste»?

terça-feira, 14 de abril de 2015

Tudo Reduzido a Isto:

Despair, Desesperança, Desespero


59.

Quando damos por nós à espera da passagem das horas, envolvidos pelo tédio no seu limbo de marasmo e melancolia, a existência transforma-se num interminável e sorumbático suplício. A única esperança reside no súbito aparecimento de um dia melhor – firme ilusão com que subsistem os canalhas. Não surgirá melhor dia. Quando o presente não nos satisfaz, foi derrubada a barreira entre nós e o absurdo. Demo-nos conta do exílio a que nos encontramos condenados. Para os canalhas o futuro é a fuga ao absurdo. Mas como qualquer outra é uma ilusão também. E incapacitante. A esperança de que um dia melhor virá resgatar-nos do exílio, do absurdo, do presente, prende-nos ao que há, impedindo-nos de lutar contra essa angustiante alienação com a única arma de que dispomos: nós mesmos.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

«Yet each man kills the thing he loves» - Oscar Wilde

Yet each man kills the thing he loves


Contudo os homens matam aquilo que amam
Que por todos seja isto ouvido,
Alguns fazem-no com olhar amargo,
Outros com palavras lisonjeiras,
O covarde fá-lo com um beijo,
O homem bravo com espada!

Alguns matam o seu amor quando são jovens,
Outros quando estão velhos;
Alguns estrangulam com as mãos de Luxúria,
Outros com as mãos de Ouro:
Os mais gentis usam uma faca, porque
Assim o morto arrefece logo.

Alguns amam pouco tempo, outros demais,
Alguns compram-no, outros vendem-no;
Alguns matam com muitas lágrimas,
Outros sem sequer suspirar:
Porque cada homem mata aquilo que ama,
Porém nem todos os homens hão-de morrer.

Ele não terá uma morte vergonhosa
Num dia negro de desgraça,
Nem terá uma corda em volta do pescoço,
Nem um pano sobre o seu rosto,
Nem, faltando o soalho, os pés lhe cairão
Pendentes no espaço vazio.

Um excerto de A Balada da Prisão de Reading, de Oscar Wilde, em tradução livre da minha autoria. No link têm o poema completo, em inglês.

A Pedofilia na Igreja Católica é Conseqüência do Celibato*

Pedofilia, La Mala Educación, Pedro Almodóvar
Fotograma do filme La Mala Educación,
de Pedro Almodóvar


No velho colégio de padres onde estudei, a entrada dos alunos já era um desfile de velada pedofilia. O padre reitor - ah... tempos antigos de batinas negras, rosários nas mãos, panos roxos nos ombros, tristeza infinita nas clausuras - postava-se imóvel, na porta do colégio, numa pose paternal e severa, com os braços erguidos e as mãos oferecidas para os alunos que chegavam. Passavam por ele duas filas de dezenas de meninos, beijando servilmente suas mãos abençoadas. Havia algo de veadagem naquilo, aquela negra batina imóvel, divina, como um manequim, as mãos beijadas com chilreios e devoção por mais de 500 meninos de calças curtas. Eu ainda me lembro do vago cheiro de sabonete e cuspe no dorso cabeludo da mão do padre. Centenas de meninos de pernas nuas eram pastoreados por tristes noviços e "irmãos leigos". Só se pensava em sexo naquele colégio. Eu via as mães dos alunos, lindas, com seus penteados e decotes imitando a Jane Russel ou Ava Gardner, fazendo charme para os padres na força de seus verdes anos, enlouquecidos pela castidade obrigatória. E eu me perguntava: "Meu Deus... por que padre não pode casar?" Lembro-me do tremor dos jovens padres, excitados pelas madames pintadíssimas, indo se trancar em negras clausuras, entregues ao "vício solitário", indo depois bater no peito e chorar sua culpa diante das imagens silenciosas.

domingo, 12 de abril de 2015

Pó, Cinza e Recordações - de J. Rentes de Carvalho - à venda a partir de 08 de Maio de 2015

Pó Cinza e Recordações de José Rentes de Carvalho
Pó, Cinza e Recordações
de J. Rentes de Carvalho

O próximo livro de J. Rentes de Carvalho, pela Quetzal, Pó, Cinza e Recordações. À venda a partir de 08 de Maio de 2015.

Sinopse: Escrito entre Maio de 1999 e Maio do ano 2000, este é o diário do milénio de um dos mais relevantes autores portugueses da actualidade, J. Rentes de Carvalho, então a caminho dos setenta anos. Excerto da primeira entrada, a 15 de Maio: «É essa uma das poucas vantagens da velhice: poder viajar no tempo. Não como o faz a juventude, com o privilégio de ansiar pelo futuro, mas ironicamente em marcha-atrás. Recebendo lições de modéstia, deixando pelo caminho as certezas que o não eram, rindo de ter tomado a sério a palavra eternidade. A caminho dos setenta. (…) A sopesar se me restam ainda cinco, dez, quinze anos, ou se amanhã - nunca hoje, sempre amanhã! - a Parca se canse de dobar o meu fio e o corte de uma tesourada.» (fonte)

Tinha uma história para vos contar... Coisas várias, que talvez não tenham interesse para ninguém... Mas, enfim, isto é apens um blog - apenas um diário público...

Jana Schirmer
Pintura de Jana Schirmer
A todos aqueles que procuram definições, apenas lhes posso citar a velha frase do bom Oscar Wilde: «Definir é Limitar». Tenho para mim que quem depende de definições (taxionomias, nomenclaturas, classificações, etc) é limitado; e eu detesto limites, e pessoas limitadas. O belo, o extraordinário, escapa a todas as amarras com que o queiram agarrar ao normal, ao ordinário, ao vulgar...

E é tão raro, tão raro... e tão frágil.

Pedem-me poemas, mas eu só tenho rascunhos - aqueles que foram sobrevivendo. Páginas, e páginas, e páginas de nada, quase todas pintadas com riscos e mais riscos ao invés de versos. Nos últimos quatro ou cinco anos não escrevi mais que três ou quatro textos longemente parecidos com poemas: têm versos, que são frases quebradas ao ritmo de uma qualquer emoção indefinível, indizível... intraduzível.

Contudo, a história que tenho para vos contar é outra; já a contei no facebook, mas talvez quem por aqui passe, pelo blog, não seja quem passa no facebook, e no facebook é tudo tão efémero e tão seleccionado por algoritmos para quem somos apenas mercadoria, que a vou aqui recontar: