quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Pessoas Despidas.

Chega o Outono como ameaça de Inverno, e é difícil suportá-lo sem ter havido Verão, e a esperança da Primavera ainda tão longe. Os dias são mais pequenos - maneira de dizer que lhe caíram horas de luz, e se acumularam no chão como escuras folhas das árvores que se vão despindo. Mas custam tanto a passar.


E, no entanto, nos acasos da vida, nos encontros e desencontros dos caminhos que percorremos, há pessoas que nos despem; que nos olham nos olhos - e nós sabemos, e elas sabem - não é preciso dizê-lo, tudo o que nos vai por dentro. E é tão belo - e é tão assustador. A alma humana é demasiado negra - demasiado escura - para que se possa aprender - ou ensinar - a vê-la. Se pudéssemos viver todos despidos - se pudéssemos ver toda a gente - e toda a gente nos pudesse ver - como distinguiríamos as pessoas especiais?

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