quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Os Sonetos de William Shakespeare - lista de desejos #3

«De entre os 154 sonetos que William Shakespeare nos deixou, publicados em 1609, já no reinado de Jaime I, e que se julga terem sido escritos ao longo de toda a sua carreira, escolhi 31 para esta antologia. Para além do critério de gosto, sempre subjectivo mas nunca irrelevante, essa escolha não foi arbitrária. Os primeiros 126 sonetos do poeta e dramaturgo inglês são dirigidos a um homem, jovem, belo e nobre, geralmente referido como “lovely boy”, ou “fair youth”, amado e idolatrado pelo poeta, que sabe não ser retribuído o seu amor. Os restantes sonetos (do 127 ao 152) são dedicados a uma mulher, normalmente referida como “dark lady”, perigosamente sedutora, uma amante traidora e cruel, mas capaz também de despertar satisfação sexual. Por sua vez, os dois últimos sonetos (153 e 154) recorrem à figura de Cupido para fechar o triângulo amoroso sugerido pela presença do jovem e da mulher como destinatários, exprimindo o conflito entre o poeta e os seus dois objectos amorosos, mas não tratando directamente as temáticas presentes nos dois primeiros grupos: a passagem inexorável do tempo, a procriação, o desejo, o erotismo, o ciúme, o abandono, a paixão, ou a força da palavra e da poesia como única forma de perpetuar a beleza e o amor — e a memória do amor.
Seleccionei 25 sonetos de entre o primeiro grupo, os dedicados ao homem jovem, 5 sonetos de entre o segundo grupo, os dedicados à mulher escura e infiel, e o Soneto 154, o último de toda a série. Casos houve em que os sonetos foram agrupados (como os Sonetos 88, 89 e 90), visto dialogarem entre si e se constituírem como argumento próprio. Pareceu-me que esta escolha ofereceria a quem lê uma amostra expressiva do conjunto completo.» [da introdução de Ana Luísa Amaral, no blog da editora].

Nunca gostei de selecções, antologias, e outros tipos de castrações à obra completa: quero tudo. Porque há-de alguém seleccionar por mim. Não entendo, portanto, estas opções editoriais. Deve ser mais barato pagar para traduzir apenas uma parte (independentemente de até poder ser a melhor parte) - e talvez dê mais lucro vender menos páginas por um preço um pouco, relativamente, mais elevado. Não sei.

Há a tradução de Vasco Graça Moura que julgo ser completa. Tristemente (que abuso, tanto advérbio de modo em -mente), não a tenho, nem prevejo que vá adquirir esta, de Ana Luísa Amaral. Os tempos de pobreza acabaram, agora são de miséria mesmo: em todos os sentidos, de todos os modos, em todos os campos.

(Se alguém me quiser oferecer, não porque seja quase Natal, mas porque estou sempre disponível para receber presentes de Não-Aniversário!)

Sem comentários :

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...