quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A Vida não se compadece com a Poesia que nos habita...

Talent, Luck, Courage

Há um texto apócrifo - supostamente - como todos os textos apócrifos - atribuído a William Shakespeare [espero não estar a dizer nenhum disparate, mas não o conheço nas obras que li do Bardo, nem encontrei nenhuma fonte fidedigna que me diga que é dele], que diz que na vida aprendemos que «não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que o consertes». Nalgumas versões lê-se, no lugar de «mundo» a palavra «tempo». Vai dar ao mesmo. 


A Vida não te virá perguntar o que poderia ter sido (poderia?) - a Vida não virá perguntar se tinhas ou não tinhas condições, génio, maturidade, idade - coragem - o que quer que seja - na Vida raramente há segunda oportunidade - muitas vezes nem sequer há a primeira.

...É, talvez, chegado o momento de admitir para mim mesmo que nunca chegarei a um lugar chamado casa. Que o barco que tem andado à deriva não chegará a porto nenhum, não encalhará em nenhum sítio sólido, que há muito tempo que se está a afundar, e apenas a custo toca ainda, de quando em quando, a superfície da Vida.

7 comentários :

  1. Não sendo pessoa propriamente dada à Esperança, aquela espécie de arco triunfal ornado por grinaldas de flores colhidas sempre de fresco, confesso que também não percebo um texto assim de tanta Desesperança. Não pretendo ser ofensiva, cada um de nós tem as suas razões e emoções e experiências e etc., mas bolas, parte do desencanto tem sempre o seu encanto, como um fio condutor que nos deixa onde colocar a mão mesmo nas trevas, não é?

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    1. Mas o título do post até que é maneiro, não?

      (Ando, talvez, a atravessar uma fase anti-lírica. E como não suporto o pragmatismo do dia-a-dia, a coisa não está fácil...)

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  2. É, é maneiro :)
    De resto, uma forma de chamar a atenção, um belo título, do género encanto no meio do desencanto, conforme referi :)

    O pragmatismo do dia-a-dia é feito disto mesmo, André...

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  3. Ora, afinal os grandes escritores também se espraiam em lugares comuns. Essa da vida parar para conserto de corações partidos é muito palerma. Seja quem seja que tenha dito.

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    1. Não me parece, de todo, que o texto seja, ou possa ser, de William Shakespeare - no entanto, há que dizê-lo, William Shakespeare é talvez o maior criador de lugares-comuns da história da Literatura. Porque aquilo que hoje é um lugar comum, há que o ter em atenção, não o foi outrora. Olha um exemplo de um lugar-comum que saiu da pena de um grande poeta: «Valeu a pena? Tudo vale a pena/ Se a alma não é pequena.» (Fernando Pessoa, em Mar Portuguez) E um de Shakespeare que eu gosto muito «Os motivos do amor não têm motivo» (em Cimbelino).

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    2. O ponto é que não acho que esses dois sejam lugares comuns. São é poesia. E a poesia - a boa - é muita coisa, mas não é lugar comum.

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    3. Há algo mais poético que ser um fazedor de lugares-comuns, isto é, tornar evidente aquilo que vivo oculto no território indizível da alma?

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