segunda-feira, 4 de maio de 2015

Eu a fingir que sou Escritor. O Tempo Morto é Um Bom Lugar. Pinky Swear. Soumission.

Mindinhos Cruzados, Pinky Swear, Juramento, Mindinho Esticado
Pinky Swear.
«Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra.»

Caio Fernando Abreu.

Já devem os meus ilustres leitores e leitoras, ou o inverso, estar habituados a posts como este que se segue, aparentemente desconexo. Acreditem, está tudo ligado, nem que seja no meu cérebro cansado, com cansaço (à terceira tentativa consegui escrever a palavra, que isto da dislexia parece-me que tem tendência para piorar - ou sou apenas eu que estou cada vez mais burro - ou precocemente senil) de séculos.



Há muitos anos (não foram tantos assim, que, bem vistas as coisas, na escala do universo todo o tempo humano é pequeno) entrou pela minha vida a dentro, sem pedir autorização, como quem vem ocupar um lugar que sempre lhe esteve reservado, um indivíduo do qual não vou falar. Apenas vou dizer que muitas vezes me esticava o dedo e perguntava se prometia. E eu prometida. E todas as promessas foram vãs. Cruzávamos os dedos mindinhos, e prometido ficava com o selo da eternidade - coisa que na natureza humana tem duração variável - que nunca excede, no entanto, a morte.

O Tempo Morto é Um Bom Lugar, Manuel Jorge Marmelo
O Tempo Morto É Um Bom Lugar,
de Manuel Jorge Marmelo
Depois de se ter ido embora, também sem pedir licença, não pensava - sinceramente não pensava - que mais alguma vez alguém entrasse de rompante na minha vida. Não pensava voltar a permiti-lo - mas, óbvio, não estava sobre meu controlo tal decisão.

(Não é muito vulgar, mas este post vai ter mais que uma imagem).

Um dia comprei três exemplares de um livro - não vou dizer qual - para oferecer: o primeiro a um amigo aniversariante, o segundo para mim (não sei onde anda o raio do livro), e o terceiro para oferecer, caso algum dia encontrasse quem preenchesse os pré-requisitos, mesmo - e não podia, afinal, ser de outra maneira - nunca tendo lido Alice. Pois.

Ofereceram-me O Tempo Morto É Um Bom Lugar, do Manuel Jorge Marmelo. Não tem nada que ver com o assunto, mas eu andava há tanto tempo para o comprar, que não posso deixar de partilhar isto com quem ainda não desistiu de ler este post. Já não me lembro do último livro que comprei - foi há muito tempo - não há dinheiro. Porcaria do dinheiro. Obrigado!

Ainda não li - nem sei se lerei - já vos disse que não consigo ler? - desde dia 09 de Outubro de 2014 apenas li um livro, Meu Pé de Laranja Lima [ah, claro, é aqui, neste ponto, que tudo se liga, afinal o meu cérebro não está tão senil assim, e há um motivo para ter decidido meter este assunto no meio do outro assunto, porque são, afinal, o mesmo assunto] - e não foi bem uma leitura, foi um arrastar forçado de páginas.

Talvez tenham que ler Meu Pé de Laranja Lima, para perceberem porque é que a citação do Fernando Caio Abreu, o meu melhor amigo [andava tão controlado relativamente a este assunto - há quanto tempo não falava dele aqui!], o livro que comprei para oferecer (e ofereci, seis ou sete anos depois de o ter comprado), e tudo o que vem a seguir, está relacionado...

André Benjamim, Entrevista
Esta terceira imagem é da página de um jornal, onde está impressa uma entrevista a este vosso servo . Eu finjo que sou escritor - e aparentemente há quem acredite - não sei qual das duas sentenças é mais grave - e se estão a refilar com os travessões, os parêntesis (curvos e rectos), e as ideias cortadas a meio - leiam lá, e vejam se não refiro o Laurence Sterne. Podem ampliar, não dá para ler grande coisa, mas é o que se arranja, na falta de um digitalizador.

Bem avisei o fotógrafo para me favorecer - mas mesmo assim não conseguiu captar o meu cabelo. E não, não são óculos de sol. Prometo, se pedirem com jeitinho e insistência, que um dia publico aqui a entrevista integral. Por agora deixo à vossa atenção a última pergunta, e resposta:

Existe alguma pergunta que não fiz mas gostarias que tivesse feito?

Os Portugueses entenderão, algum dia, uma ironia? Caracóis! Que o meu cachecol é o mais saboroso, mas eu quero é a abóbora do vizinho... Falta-lhes, acima de tudo, empatia. São demasiado egoístas, narcisistas, e egocêntricos. Perdem-se, portanto, com simpatias e antipatias pífias, organizados em clubismos bacocos, reduzidos a acenadores de bandeirinhas.

Percebem agora porque é que isto está tudo ligado, neste post? Sim? Não? A minha irmã ofereceu-me Soumission, do Michel Houellebecq. Edição francesa, da Flammarion. O primeiro parágrafo parece-me bem - os outros, quem sabe algum dia os leia. Se chegaram a esta última frase considerem-se corajosos, que a cobardia paga-se cara, e o mundo é feito de lesmas escorregando por qualquer buraco.

2 comentários :

  1. A relação entre as coisas só é verdadeiramente importante para quem as escreve...

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    1. AHAHAHAHH (E agora entra o conto dos narizes... Já leste Sterne?) Abraço.

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