quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Resoluções & Desejos para 2015: «A única conclusão é morrer.»


Assim acabou a primeira noite do novíssimo ano - ou começou o primeiro dia - afinal nada é tão simples quanto parece - um facto em si mesmo é nada...

Não comi passas, não pensei em nenhum desejo, não tomei nenhuma resolução. Podia resolver deixar de fumar, por exemplo. Pensei nisso mais tarde, durante a noite. Podia - mas é pelas pequenas coisas que falhamos...

Entretenho-me, nestas noites, a observar: é tudo tão plástico, tudo tão falso, tudo tão premeditado, tudo tão pré-determinado. Tudo tão vulgar. Tudo tão ordinário. Tudo preso a ideias, tudo refém de conceitos. Tudo a procurar encaixar-se num modelo. Tudo tão limitado. Tudo tão convencional. Tudo tão ridículo.

Nem vislumbre de autenticidade, de espontaneidade. Reconheceriam o extraordinário, o magnífico, o belo, se o tivessem à frente dos olhos? Limitados pelas amarras da formatação total a que se encontram reduzidos, ignoram. E assim vão os homens, felizes simplesmente por viver, escravos e predadores de si mesmos.

Uma amálgama de seres humanos - e pelo meio, perdidas, irremediavelmente perdidas, duas ou três pessoas. Irremediavelmente condenadas, porque a sociedade não é mais que uma máquina da colónia penal kafkiana.

Pelo que me resta de saúde mental - pelo que me resta de esperança - pelo que me resta de força - permito-me deixar a óbvia conclusão por dizer... «A única conclusão é morrer.»

4 comentários :

  1. Concordo com tudo o que dizes, excepto a descabida frase final.

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    1. João, é claro que a única conclusão é morrer. Não há mais nada que seja definitivo na vida, além da morte; por isso a única (verdadeira) conclusão é morrer.

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  2. Se quando morremos, acabamos e deixarmos de existir, também deixa de existir o definitivo da nossa morte. Por isso definitivo é o que sentimos enquanto estamos vivos e a única conclusão é viver.
    ...e vinha para desejar um bom ano, esperemos que o seja.
    um beijinho
    Gábi

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    1. É a lógica inexorável da vida..... (é como na música do Queen: «não quero morrer, mas às vezes desejo que nunca tivesse nascido...) Bom Ano, Gábi. Beijinhos.

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