terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Coisas. Ou o equivalente em Inglês: F*ck

Guitarra de gelo num copo de whiskey,
duplo, por favor.
 «Para mim, o ideal de vida é ser uma árvore. A árvore está ali, alimenta-se diretamente do chão, da terra, cresce, abre-se, dá flores se é árvore para dar flores, ou frutos, se der, e vive o tempo que tenha de viver. Uma sequoia vive mil anos, há oliveiras no nosso país que são centenárias e várias vezes centenárias, mas tudo acaba. Se se derreterem os gelos do Ártico...vamos ficar debaixo de água. Um dia a Terra desaparece, o Sol apaga-se, o sistema solar acaba e o Universo nem sequer se dará conta de que nós existimos. O Universo não saberá que Homero escreveu a Ilíada.»

José Saramago no documentário "José e Pilar"



Um facto é apenas um facto. O que o torna grave ou irrelevante, o que lhe dá um significado, são as circunstâncias: são as circunstâncias que dão significado aos factos - que o tornam significativo.

Não há pessoas especiais. Há pessoas especiais para nós. E um dia seremos todos pó das estrelas - nós e as memórias de nós. Até Homero. 

Todas as pessoas são únicas, únicas na sua ontogenia e nas suas circunstâncias. E únicas, também, todas as relações que estabelecem entre si - únicas nas suas origens e circunstâncias - únicas no modo como se desenvolvem.

Algumas relações são de diamante - começam logo belas e com valor incalculável - e de um momento para o outro, parece que nos conhecemos desde sempre - um pouco de lapidação para facetar e polir, e são perfeitas.

Outras são um bloco de granito, ou mármore, ou outra pedra qualquer - podemos até não dar nada por elas, mas o tempo, as vivências em comum, as experiências, as partilhas - esculpem obras monumentais - obras que chegam mesmo a ser mais valiosas que o diamante.

Podem durar para toda a vida - ou quebrar-se num instante - e tanto quebra o diamante polido, como a pedra esculpida.

Quebradas, já nada lhes pode valer. Podemos deitá-las fora - esquecê-las - ou guardá-las, como memória daquilo que foram um dia - como recordação e aviso. Até que um dia o universo se esqueça de tudo - e esquecerá, essa é a única certeza.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Não há presentes... Há abraços.


Uma vez que não tenho direito a presentes de Natal - devo ser um menino muito mal comportado - enfim, os meninos mal comportados também vão para todos os lados, como as meninas? - estou esperando esses abraços.

Espero que tenham tido um Feliz Natal - com muitos presentes: com as pessoas de que de gostam presentes, acima de tudo - seus interesseiros do caraças.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Podcast Revista de Imprensa, na Rádio Altitude, 17 de Dezembro de 2015


Como prometido é devido, aqui fica o podcast do programa Rádio de Imprensa, no qual participei, no passado dia 17 de Dezembro de 2015, na Rádio Altitude. Ouçam com cuidado - e pode ser que entendam alguma coisa do meu discurso destrambelhado. Os microfones ainda me assustam - principalmente na Rádio. Eu não ouvi - porque detesto ouvir-me, portanto não sei se está muito mau ou se se aproveita alguma coisa.

sábado, 19 de dezembro de 2015

Feliz Natal, Boas Festas & etc

Chegou a hora de vos desejar um Feliz Natal, Boas Festas & etc - família, amigos, presentes, amor, carinho, afecto, aconchego, essas coisas - e eis-me perante o ecrã em branco, do editor do Blogger, e o teclado - tentando resistir a mais um texto depressivo: já vos disse que detestava esta época?

Já, já vos disse num post intitulado «Paz» (deixo o link para quem o queira ler por completo) que «Estes dias de Natal custam-me a passar (mais que os outros). E quando alguém se aproxima com caridadezinhas, solidariedadezecas, frasezonas, palavrinhas e palavrecas de discursozinhos, é isto que me apetece fazer: correr tudo à chapada e à paulada, à pedrada e à pauzada.»

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Mais uma vez fui à rádio - desta vez à Rádio Altitude - fingir que era escritor. Acreditaram...


André Benjamim, escritor natural de Pinhel, foi o convidado a ler em voz alta, na Rádio, os jornais e as revistas do dia.
Posted by Rádio Altitude FM on Thursday, 17 December 2015


...Provavelmente porque não era um programa sobre escrita, nem livros, nem Literatura. Fui apenas comentar e opinar sobre as notícias dos jornais e revista do dia, na Revista de Imprensa. Quem não teve a excelente oportunidade de me ouvir gaguejar, poderá fazê-lo mais tarde, em podcast.

E pronto... o meu ano foi mais ou menos isto (requer facebook para ver):


Vá, vão lá espreitar. Here's my 2015 Year in Review. See yours at facebook.com/yearinreview.
Posted by André Benjamim on Wednesday, 16 December 2015


Entretanto consegui descobrir como fazer uma imagem do My Year in Review 2015. Está engraçado.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Feliz Carnaval e Sejam Felizes! - ou, em linguagem mundana, Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!

Goofy Pateta Disney
O Goofy é o meu personagem preferido da banda desenhada da Disney. Podia escolher uma árvore de Natal, para vos dar os votos de Boas Festas deste ano, como fiz noutras ocasiões (1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6). Mas encontrei esta ilustração do Pateta - nome adoptado nas traduções portuguesas, que é literalmente o que significa o seu nome em inglês - um nome injusto, penso eu, para aquela que é a mais bondosa das personagens da Disney - e considerei que era uma boa imagem para ilustrar os votos da época que vivemos.

Enfim, as personagens engraçadas, desajeitadas, engraçadas, da ficção que é esta vida, são sempre tratadas como patetas - talvez não seja desajustado o nome - é cruelmente assim na realidade. 

Não espero presentes - prendas não aceito - não sei, na verdade, se ainda espero alguma coisa. Já estou habituado a esta espécie de abandono - bem sei que não é a ocasião propícia a lamentos - e que as pessoas preferem ouvir palavras vácuas e sorrisos inócuos - a superficialidade e a hipocrisia soam sempre melhor: por isso, Bom Carnaval a todas as pessoas que por aqui vão passando, então! - Que, tomando por referência o tempo que decorreu já desde os primeiros anúncios natalícios, devemos estar a chegar ao Carnaval!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Uma Viagem Sentimental por França e Itália, pelo Sr. Yorick - de Laurence Sterne - lista de desejos #4

Uma Viagem Sentimental por França e Itália pelo Sr. Yorick de Laurence Sterne
Embora A Vida e Opiniões de Tristram Shandy seja o meu romance preferido, de Laurence Sterne não li as restantes obras - o que muito lamento.  

Uma Viagem Sentimental por França e Itália, pelo Sr. Yorick trata-se de um texto editado pela primeira vez em Londres em 1768, três semanas antes da morte do autor, Laurence Sterne (1731-1768). Misto de autobiografia e de ficção, aí são narrados alguns episódios das viagens de Sterne pela Europa continental em 1762-64 e em 1765-66.
A linguagem irónica do narrador propõe aos leitores um sinuoso percurso sentimental pelo coração do viajante. Mais atento às transacções humanas do que ao património, Yorick, o turista sentimental, viaja seguindo a máxima «conhece-te a ti mesmo». Foi desta peculiar combinação de observação social, introspecção psicológica e desejo sexual que um novo tipo de narrativa de viagens emergiu a partir dos finais do século XVIII, explorando a retórica da sensibilidade e do sentimento. Na literatura portuguesa, as Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, são um reconhecido descendente. (Informação do site da Antígona)

Ganhasse eu o EuroMilhões e comprava todo o catálogo da Antígona - um pobre tipo como eu percorre o site da editora e - ai! - não há um título de qualidade duvidosa.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Nos 80 anos da morte do meu poeta dilecto...

Fernando Pessoa, não é necessário repeti-lo para aqueles que me acompanham nos blogs há mais tempo, é o meu escritor preferido - o dilecto dos meus poetas dilectos. Li (e tenho) toda a sua obra publicada - e tenho muita - muita - repetida - e muitas obras porque trazem mais um conto, ou mais um poema, ou mais um texto. Lembro-me do primeiro poema que li dele, assinado por Alberto Caeiro. Tinha 9 anos, e estava escrito num livro do ensino primário que uma prima, professora, me havia dado - mas que não foi aquele que eu usei. Era o poema VII de «O Guardador de Rebanhos», que começa assim: Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo… O meu Pessoa preferido é o Álvaro de Campos - bastava a sua obra para que Fernando Pessoa fosse, para mim, o melhor Poeta de sempre. Hoje, porém, nos 80 anos da morte de Fernando Pessoa, aconteceu-me ser o poema que a seguir apresento, de Alberto Caeiro, o primeiro que li. Aqui o partilho com todas as pessoas que por aqui passam. Espero que gostem.

Todos os sonhos são, serão/ Sonhos que tivemos. Sonhados/ Outra vez, sempre a mesma vez./ Uma corda mágica que vibra/ Dentro do ser, que lhe dá vida/ Até que, quebrada, se desfaz.

Fazenda, Quinta, Farm


Queria ter uma quinta isolada com um riacho ao fundo... onde pudesse ter os meus livros, uma máquina de escrever, um cão e um sótão... um perdigueiro... e a sombra de um salgueiro... um pôr-do-sol arroxeado... uma brisa estival... um pintassilgo e um pardal... e um horizonte prateado... gostava de não ter nascido, embora a ideia de morrer me assuste... gostava de ter resposta para duas ou três perguntas simples... aqueles porquês amargos que vamos coleccionando... ou talvez seja eu que não tenha coragem para fazer as perguntas certas... não acredito na hipótese de voltar a amar... "Todos os amores são a sombra daquele que nos alvoroça como um fantasma"... se alguém pensar que consegue fazer-me acreditar no contrário!... tenho duas pulseiras, uma de prata, outra com pedras (violetas, pretas e verdes)... disseram-me que eram um pouco amaricadas... "Ainda bem! É sinal que gostas, mas és cobarde demais para admitir!"... gosto de vestir roupas com cores fortes (vermelho, verde, laranja, violeta)... há mais de dois anos que não uso os meus quatro brincos... gostava de fazer um piercing e uma tatuagem... com a imagem de um anjo a masturbar-se, enquanto segura um crucifixo, sentado na Bíblia... tento sempre cumprir as promessas que faço, desde as mais simples às mais difíceis... tento... a coisa que mais odeio na vida é o facto de não poder ter por perto todas as pessoas de quem gosto... sou incapaz de dizer a alguém que tenho saudades... detesto pedir desculpas... e também não gosto que me peçam desculpas... não sei qual das duas situações é mais confrangedora para mim... sou disléxico, as pessoas nem imaginam o que me custa escrever certas palavras!... não sei o que são asneiras, para mim são interjeições!... o que mais me cativa nas pessoas é o sorriso e o modo de olhar... gosto mais das pessoas bonitas e tristes que das pessoas feias e alegres... tenho pena que a maioria das pessoas não entenda o non-sense... costumo pensar "coitada, nunca leu a Alice nem os livros do Boris Vian nem nada que valha a pena!"... é impossível (já desisti) ironizar com os portugueses, levam tudo à letra... ando sempre com um poema na cabeça... já soube o poema "Guardador de Rebanhos" de cor... ainda sei a primeira estrofe... gostava de ler todos os livros de Luiz Pacheco, mas tenho receio que depois desate a plagiá-los... por isso ainda não comprei nenhum... o whisky é a única bebida capaz de anestesiar as minhas dores do espírito... ou de afogar as mágoas, como diz um amigo de infância... gosto de cozinhar, mas detesto lavar e arrumar a louça... prefiro a comida um pouco insonsa e pouco doce... junto noz moscada a todos os temperos... às vezes fico angustiado quando estou a ler, porque penso que nunca conseguirei ler todos os livros que queria... detesto a barba... em vez de me cair o cabelo, devia cair-me a barba... tenho insónias... por causa disso, ando quase sempre mal disposto... ou talvez seja o contrário... eu sei que é um sintoma de um outro problema, mas não gosto de pensar nisso... porque não há nada a fazer, e quando não se pode fazer nada, tem que se aguentar... sou feio e infeliz... um mal nunca vem só!... e não me venham com falinhas mansas... que a beleza está por dentro!... O tanas é que está!... por dentro estão as entranhas... sou alérgico aos pólens de algumas árvores e à alegria... a alegria causa-me depressão... os pólens provocam-me comichão... e o acordo ortográfico irritação!... gosto muito de enchidos... e de reticências... dizem que são indefinição, indecisão... são uma ideia que fica no ar... a vaguear... algumas pessoas dizem-me que poderia ter ido muito longe... longe é muito distante!... sim!, se tivesse um alpendre, largo sobre o horizonte! 

*Versos deste poema.

Texto corrigido e alterado. Original aqui. Republicado no blog, porque me apetece - porque provavelmente, os leitores de hoje já não são os leitores de ontem.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

"Ashes to ashes, dust to dust"



Time and again I tell myself
I'll stay clean tonight
But the little green wheels are following me
Oh, no, not again

I'm stuck with a valuable friend
"I'm happy. Hope you're happy, too."
One flash of light
But no smoking pistol

I never done good things
I never done bad things
I never did anything out of the blue,
Want an axe to break the ice
Wanna come down right now

Provavelmente ninguém entenderá - provavelmente - que para entender? - quem há para entender? I'm happy. Hope you're happy, too. Pois bem: é exactamente assim que me sinto. E sim, consigo escrever sem advérbios de modo em -mente - não há nada de especial em fazê-lo: é só ler Gabriel García Márquez. I never done good things/ I never done bad things/ I never did anything out of the blue. Não há nada de especial - não há ninguém especial - senão para nós - ninguém é especial. E com tantos traços talvez não consigam acompanhar o raciocínio - conseguem? - pois bem, repito-me - é só lerem Laurence Sterne - e - e talvez - talvez consigam agarrar - ou será intuir? - entrever, talvez - a palavra - o sentido, íntimo - daquilo que, no meio, ficou por dizer. Tudo o que há só existe em nós - tudo o resto é um sonho - ou um pesadelo. No fim de contas, ninguém quer ser especial: mesmo nisso não há nada de especial. Afinal, vimos do pó e ao pó voltaremos - já dizia o Judeu que escreveu os Génesis. Espero que sejam felizes - nem sempre temos direito à citação completa: mesmo que os olhos falem, se a boca o não disser, de que vale saber?

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A Vida não se compadece com a Poesia que nos habita...

Talent, Luck, Courage

Há um texto apócrifo - supostamente - como todos os textos apócrifos - atribuído a William Shakespeare [espero não estar a dizer nenhum disparate, mas não o conheço nas obras que li do Bardo, nem encontrei nenhuma fonte fidedigna que me diga que é dele], que diz que na vida aprendemos que «não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que o consertes». Nalgumas versões lê-se, no lugar de «mundo» a palavra «tempo». Vai dar ao mesmo. 


A Vida não te virá perguntar o que poderia ter sido (poderia?) - a Vida não virá perguntar se tinhas ou não tinhas condições, génio, maturidade, idade - coragem - o que quer que seja - na Vida raramente há segunda oportunidade - muitas vezes nem sequer há a primeira.

...É, talvez, chegado o momento de admitir para mim mesmo que nunca chegarei a um lugar chamado casa. Que o barco que tem andado à deriva não chegará a porto nenhum, não encalhará em nenhum sítio sólido, que há muito tempo que se está a afundar, e apenas a custo toca ainda, de quando em quando, a superfície da Vida.

Os Sonetos de William Shakespeare - lista de desejos #3

«De entre os 154 sonetos que William Shakespeare nos deixou, publicados em 1609, já no reinado de Jaime I, e que se julga terem sido escritos ao longo de toda a sua carreira, escolhi 31 para esta antologia. Para além do critério de gosto, sempre subjectivo mas nunca irrelevante, essa escolha não foi arbitrária. Os primeiros 126 sonetos do poeta e dramaturgo inglês são dirigidos a um homem, jovem, belo e nobre, geralmente referido como “lovely boy”, ou “fair youth”, amado e idolatrado pelo poeta, que sabe não ser retribuído o seu amor. Os restantes sonetos (do 127 ao 152) são dedicados a uma mulher, normalmente referida como “dark lady”, perigosamente sedutora, uma amante traidora e cruel, mas capaz também de despertar satisfação sexual. Por sua vez, os dois últimos sonetos (153 e 154) recorrem à figura de Cupido para fechar o triângulo amoroso sugerido pela presença do jovem e da mulher como destinatários, exprimindo o conflito entre o poeta e os seus dois objectos amorosos, mas não tratando directamente as temáticas presentes nos dois primeiros grupos: a passagem inexorável do tempo, a procriação, o desejo, o erotismo, o ciúme, o abandono, a paixão, ou a força da palavra e da poesia como única forma de perpetuar a beleza e o amor — e a memória do amor.
Seleccionei 25 sonetos de entre o primeiro grupo, os dedicados ao homem jovem, 5 sonetos de entre o segundo grupo, os dedicados à mulher escura e infiel, e o Soneto 154, o último de toda a série. Casos houve em que os sonetos foram agrupados (como os Sonetos 88, 89 e 90), visto dialogarem entre si e se constituírem como argumento próprio. Pareceu-me que esta escolha ofereceria a quem lê uma amostra expressiva do conjunto completo.» [da introdução de Ana Luísa Amaral, no blog da editora].

Nunca gostei de selecções, antologias, e outros tipos de castrações à obra completa: quero tudo. Porque há-de alguém seleccionar por mim. Não entendo, portanto, estas opções editoriais. Deve ser mais barato pagar para traduzir apenas uma parte (independentemente de até poder ser a melhor parte) - e talvez dê mais lucro vender menos páginas por um preço um pouco, relativamente, mais elevado. Não sei.

Há a tradução de Vasco Graça Moura que julgo ser completa. Tristemente (que abuso, tanto advérbio de modo em -mente), não a tenho, nem prevejo que vá adquirir esta, de Ana Luísa Amaral. Os tempos de pobreza acabaram, agora são de miséria mesmo: em todos os sentidos, de todos os modos, em todos os campos.

(Se alguém me quiser oferecer, não porque seja quase Natal, mas porque estou sempre disponível para receber presentes de Não-Aniversário!)

domingo, 22 de novembro de 2015

Hábitos de Leitura

Van Gogh Escultura em Livro Hábitos de Leitura

Não me pediram opinião, o soliplass e o Carlos Azevedo, isto é, não me fizeram «tag», mas, intrometido como sou - vou botar opinião, embora seja provavelmente a pior altura da vida para o fazer - uma vez que perdi por completo os hábitos de leitura: no último ano e um mês li, em rigor, algumas páginas da biografia de Eça de Queiroz escrita por A. Campos Matos, Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos, algumas páginas de AVC do Amor, de Luís Abreu, e vou lendo, lentamente, Pó, Cinza e Recordações, de J. Rentes de Carvalho.


1 – Tens um lugar específico na casa para ler?

Sim, no quarto. Deitado na cama, ou sentado à secretária.

2 – Marcador ou Pedaço de Papel? 

Qualquer coisa serve, quando estou quase quase a deixar-me dormir. Caso contrário, normalmente, memorizo o número de página.

3 – Consegues parar simplesmente de ler ou tem de ser sempre no final de um capítulo ou a um certo número de páginas? 

Quando lia nunca conseguia parar de ler a meio de um capítulo, tinha que ir até ao fim. Agora que parei, aparentemente estava errado.

4 – Comes ou bebes enquanto lês?

Comer nunca, que tenho receio de sujar o livro, beber, de tudo, e demasiadas vezes, que algumas entornei líquidos para cima dos livros.

5 – Música ou TV enquanto lês? 

Não ligo uma televisão há muitos anos - se alguma vez lia com ela ligada era apenas coincidência. Com Música apenas quando lia em cafés ou outros locais públicos onde a houvesse.

6 – Um livro de cada vez ou vários ao mesmo tempo? 

Vários ao mesmo tempo; contudo quase sempre com prioridade para um deles.

7 – Ler em casa ou em qualquer lugar?

Em qualquer lugar. Principalmente cafés não muito frequentados e/ou barulhentos. Na adolescência lia em bibliotecas - depois ganhei alergia a bibliotecas: é lugar que evito - tal como livrarias - provavelmente pelo mesmo motivo...

8 – Ler em voz alta ou silenciosamente? 

Silenciosamente. Sempre me soa estranho o texto, e a minha voz. Além disso, tenho dificuldade em dizer algumas palavras - daquelas que praticamente só se encontram em obras literárias - pelo que não me afecta no dia-a-dia.

9 – Lês para a frente e/ou pulas páginas? 

Raramente pulo páginas - excepto quando é demasiado óbvio que estão ali apenas a encher chouriços; por vezes, muito poucas vezes, engano-me na avaliação e sou obrigado a voltar atrás.

10 – Quebrar a lombada ou mantê-la como nova? 

Como nova. A maior parte dos meus livros estão como novos - excepto aqueles que emprestei, ou aqueles onde deixei cair líquidos (café, na maioria dos casos), que ainda assim são muito poucos - demasiado para o meu pobre coração.

11 – Escreves ou fazes anotações nos livros? 

Nunca. Nunca. Nunca. Considero isso uma blasfémia. 

12 – Quem tagueias? 

Ninguém. Passem bem, obrigado. Se quiserem responder também, respondam. Se quiserem comentar, comentem. Sejam felizes.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Carol - ou O Preço do Sal - de Patricia Highsmith - lista de desejos #2

Carol, O Preço do Sal, de Patrícia Highsmith
Patricia Highsmith é uma das minhas autoras preferidas - embora ainda nem a metade das suas obras tenha chegado a minha leitura. O Preço do Sal foi o título utilizado pela escritora quando pela primeira vez publicou esta obra, a sua segunda, em 1952, com o pseudónimo Claire Morgan.

Entre as muitas razões para se utilizar um pseudónimo com vista a ocultar a verdadeira identidade do autor, felizmente, ser uma narrativa com personagens homossexuais, já não é uma delas. Patricia Highsmith publicou depois a obra, autobiográfica, com o seu nome e o título Carol, o nome de uma das personagens.

«Trata-se da história de amor entre Therese Belivet, uma jovem mulher de 19 anos, aprendiza de cenógrafa, e Carol Aird, uma mulher mais velha, casada e com uma filha. No início do romance, Carol encontra-se em fase de divórcio e Therese tem um namorado, Richard, por quem não está apaixonada. Após um breve encontro nuns armazéns de Nova Iorque, onde Therese trabalha temporariamente como vendedora, a ligação entre as duas mulheres vai-se desenvolvendo, culminando numa relação amorosa, no decurso de uma viagem pelos Estados Unidos.» (fonte: blog da Relógio D'Água Editores).

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Assim começa o mal, de Javier Marías - lista de desejos

Assim começa o mal, Javier Marías




Nunca li nada de Javier Marías. A primeira vez que ouvi falar dele talvez tenha sido aquando do lançamento de Os Enamoramentos.

Agora foi publicado Assim começa o mal, que diz em sinopse "Assim começa o mal é um livro sobre um dos factores mais determinantes na vida de qualquer um, condutor de desprezo por qualquer lealdade, consideração ou respeito para com os outros: o desejo".

E eu tenho curiosidade (na realidade todos os livros me suscitam curiosidade), não tenho é o pilim. É mais um livro para a minha longa lista de desejos. Talvez o começo do mal...

domingo, 15 de novembro de 2015

Paris. Terroristas. Bárbaros. Beirute. Iraque. Síria. A espécie "humana"...

guitar design, guitarra, music, design
De quando em quando abro o editor de texto do Blogger para escrever um post, carrego uma imagem, e penso em escrever sobre algum tema da actualidade ou sobre qualquer coisa sobre que tenho pensado. Mas acabo por não escrever nada, e as imagens ficam guardadas nos rascunhos. Tenho imensos posts que nunca chegaram a ser escritos. O mais certo é não se ter perdido nada. 

Provavelmente, dependendo do vosso ecrã de computador, se - quem estiver aqui, por frequência, hábito, ou acaso - se estiverem a ver esta imagem de frente apenas verão duas guitarras. Agora experimentem inclinar-se para trás - ou ao ecrã, se estiverem num PC em que possam incliná-lo. Engraçado, não é? Nem tudo é o que parece, é isso. 

Pensei em escrever sobre os atentados terroristas, em Paris, em Beirute, em toda a Síria, no Iraque... Eu sei lá mais onde. Mas que há para dizer quando sabemos que nada que digamos vai trazer as vítimas de volta, aplacar a dor daqueles que perderam entes queridos, ou fazer com que mudem de ideias estas bárbaras bestas que temos como companheiros de espécie. Perante predadores não podemos ser complacentes, de maneira nenhuma. Isto tem que ser combatido, urgentemente, de todas as maneiras possíveis. Porém, quantos interesses ocultos, sentados em respeitáveis e confortáveis poltronas, alimentam estes indivíduos para os quais tenho dificuldade em encontrar um termo que os defina? Temos, a sociedade ocidental, que encontrar maneira de combater - e eliminar, que para predadores é esta a palavra que tem que ser utilizada; diria mais: dizimar - os bárbaros: os terroristas, e os que vivem disfarçados (camuflados, como camaleões) entre nós, alimentando estas bestas. 

Não sei bem o que tencionava escrever quando abri o editor do blogger. Mas foi isto que saiu. Vão passando. E sejam felizes, na medida do possível.

Post-Scriptum: todos os meus familiares, amigos, e conhecidos, na zona de Paris e arredores, estão a salvo. Por agora.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Quando Hitler Roubou o Coelho Cor-de-Rosa, de Judith Kerr

Quando Hitler Roubou o Coelho Cor-de-Rosa, Judith Kerr

Já aqui falei, no blog, do livro Quando Hitler Roubou o Coelho Cor-de-Rosa, de Judith Kerr. Na edição que há muitos anos li, o título era mais pessoal: Quando Hitler me Roubou o Coelho Cor-de-Rosa. Agora, muitos anos após se ter esgotado a edição da Editorial Caminho, vai ser reeditado pela Booksmile. Uma boa oportunidade para ler ou reler, haja dinheiro para adquirir um exemplar...

Juro Amar-te, de André Sousa

Juro Amar-te, André Sousa
A história começa sempre aqui, num coração que sente, que ama muito para além da morte. Num homem que erra, num homem que chora, num amante que ama. Poderiam ser palavras em que o amor não era falado mas... não! Aqui respira-se o sentimento, a adrenalina de amar sem tempo, o sonho de sonhar de olhos abertos. Mais do que frases, são vivências, pulsações pujantes, rios de desejo. É a carne. O sangue. O devaneio. Nestes poemas vivo eu, eu e um mar de gente.


Depois do seu lançamento oficial no dia 6 de agosto, a primeira edição de Juro Amar-te está quase a esgotar-se. A nova apresentação ocorrerá na Biblioteca Municipal de Silves, pelas 16h00, na rua Latino Coelho, 8300 Silves, no dia 14 de Novembro.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Pessoas Despidas.

Chega o Outono como ameaça de Inverno, e é difícil suportá-lo sem ter havido Verão, e a esperança da Primavera ainda tão longe. Os dias são mais pequenos - maneira de dizer que lhe caíram horas de luz, e se acumularam no chão como escuras folhas das árvores que se vão despindo. Mas custam tanto a passar.


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Amigos. «Que é um amigo? Uma única alma habitando dois corpos.»

Figuras de Banda Desenhada

Hoje dei comigo - isto de estar a ficar choné tem destas coisas - damos connosco - a remexer nas estantes, passando as mãos pelos livros, como quem acarinha um retrato antigo como se acarinhasse um antigo amigo. Olho para eles - e já não sei porque nos amámos tanto - busco no fundo de mim um motivo para tanto nos termos querido - e para tanto nos estranharmos.

Entre os milhares - sim, são mais que mil, portanto são milhares - devem rondar os dois mil, não sei, há muitos anos que lhes perdi a conta - reencontrei um que um dia comprei para oferecer - e lá estava, escrito na contra-capa a frase atribuída a Aristóteles - na obra Vidas dos Filósofos Eminentes de Diógenes Laércio - Que é um amigo? Uma única alma habitando dois corpos. Comprei-o para oferecer àquele que para sempre ficará com o título de melhor amigo - embora já não me seja nada - mas - melhor amigo é como primeiro amor - não há como mudar. 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Sessão de Lançamento e Apresentação de «AVC do Amor» de Luís Abreu


Foi apresentado no passado dia 16 de Outubro o romance «AVC do Amor», de Luís Abreu. AVC do Amor é um texto de ficção, baseado na realidade e que relata, de uma forma “leve”, não espiritual e alegre a rotina diária de uma paralisia causada por um AVC. Neste texto, o autor, ele próprio tetraplégico, faz um relato muito verosímil e realista dessa condição, misturando-o com grandes paixões, com uma viagem a outra dimensão e com alguns episódios ligeiramente humorísticos.

Luís Abreu nasceu em Luanda, em 1973. Veio para Portugal com 30 meses para morar em Vieira de Leiria; aos 4 anos mudou-se para Paio Pires, e aos 13 anos foi viver para Almada. Estudou engenharia informática no IST, foi sócio de uma empresa de novas tecnologias e trabalhou numa multinacional onde esteve envolvido em projetos de âmbito nacional. Em 2006 teve um avc gravíssimo que quase o levou à morte. Contrariando as evidências sobreviveu e, desde então, tem tido vários ganhos que, apesar de lentos, são o culminar de muito esforço e dedicação do próprio e de todos que o rodeiam. É autor da página Palavras Paralíticas - Luís Abreu, no facebook.

Quem quiser adquirir este livro pode fazê-lo na wook ou na Chiado Editora, seguindo os links. 50% do lucro da venda deste livro reverte a favor da Associação Salvador.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Diário de Bordo - ou de como a vida é ir caindo sempre até tocar no fundo do buraco.

Abismo

Levo o último diário publicado por J. Rentes de Carvalho, Pó, Cinza e Recordações, comigo para todo o lado, na esperança que em algum lado me apeteça lê-lo. Mas há mais de um ano que não leio um livro; folhei-o, espreito, vai-se-me embora a vontade. Leio de quando em quando uma entrada. Porque coincide com a data, porque um amigo faz anos naquele dia, porque abri o livro ao acaso e fui ali parar.

Também em tempos escrevi diários. Talvez durante dez anos - era fácil de saber, estão para ali arrumados nas estantes entre os livros que em tempos li - ou sonhei que leria um dia, e ficarão, quiçá, para sempre por ler. Nas minhas deambulações pela internet encontrei esta imagem, e ao olhar para ela pensei que poderia muito bem ser uma representação da minha vida, do meu estado _________ (preencham a gosto: podem meter "anímico", "psicológico", "social", "económico", "financeiro", "sexual", o que quiserem, tanto se me dá). E não, não vou a descer pelas escadas, rumo ao inevitável. 

Bem sei que este post, como tantos outros, não tem jeito nenhum. É apenas uma entrada de um diário. Nada mais.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Jorge Amado. Navegação de Cabotagem. «Pensar pela própria cabeça custa caro, preço alto»


Prisioneiro, Pensar pela própria cabeça, Pensamento Próprio

«Pensar pela própria cabeça custa caro, preço alto. Quem se decidir a fazê-lo será alvo do patrulhamento feroz das ideologias, as de direita e as de esquerda e as volúveis: há de tudo e todas implacáveis. Ver-se-á acusado, xingado, caluniado, renegado, posto no pelourinho, crucificado. Ainda assim vale a pena, seja qual for o pagamento, será barato: a liberdade de pensar pela própria cabeça não tem preço que a pague.»

Jorge Amado em «Navegação de Cabotagem»

One Million PageViews: 1.000.000!

one million pageviwes, 1000000, um milhão, 1 milhão

Passados 4 anos e 8 meses, o blog atingiu o número redondo de 1 milhão de pageviews. O que dá uma média 17.857 pageviews por mês. Obrigado a todas as pessoas que passaram aqui pelo blog (os visitantes ocasionais talvez nunca venham a ler este post, mas é assim a internet, e a blogosfera, em particular). Aos mais fiéis, um redobrado agradecimento. Se tivesse alguma coisa para sortear, era a ocasião, mas como ninguém me patrocina nada, e não tenho dinheiro, resta-me agradecer-vos - e, talvez, esperar por melhores dias. Para quem quiser, ou tiver paciência, deixo a lista dos 10 posts mais visitados, convidando-vos a lê-los (ou relê-los):

  1. EuroMilhões: como aumentar as hipóteses de ganhar?
  2. O Curriculum Vitae Perfeito
  3. Lolita, de Vladimir Nabokov - livros que nunca devia ter lido, 20
  4. As Mil e Uma Noites - livros que nunca devia ter lido, 4
  5. Como escrever uma Crítica Literária - ou Resenha - de um Romance
  6. A Indiferença - Poema de Bertolt Brecht*
  7. Como é Linda a Puta da Vida, de Miguel Esteves Cardoso
  8. Servidões, de Herberto Helder
  9. Guerra é Paz
  10. Dia do Pai*

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

As minhas escolhas para Os Melhores Romances Escritos em Língua Portuguesa

Books, Livros, Novels, Romance, Lista Romances, Pilha de Livros
Já divulguei aqui a lista que o Projecto Adamastor está a elaborar, para a qual se pede a colaboração de todos os leitores. Ainda não me decidi pela ordem, nem completei a lista. Por enquanto tenho os títulos que apresento a seguir pensados (decidi não apresentar mais que um título por autor): Ensaio Sobre a Cegueira (José Saramago); Sinais de Fogo (Jorge de Sena); Viva o Povo Brasileiro (João Ubaldo Ribeiro); Ernestina (J. Rentes de Carvalho); Capitães da Areia (Jorge Amado); manhã submersa (Vergílio Ferreira); O Primo Bazílio (ou O Crime do Padre Amaro, Eça de Queiroz); Memórias Póstumas de Braz Cubas (Machado de Assis); Agosto (ou O Caso Morel, Rubem Fonseca). Falta-me encontrar um título de outro autor, e decidir-me qual é o romance que eu prefiro do Eça de Queiroz e do Rubem Fonseca. Na elaboração da minha lista o meu primeiro critério é o meu gosto pessoal - e único.

Anúncio do Prémio Nobel da Literatura 2015: Svetlana Alexievich


"for her polyphonic writings, a monument to suffering and courage in our time". 

Svetlana Alexievich Nobel Prize 2015

Svetlana Alexievich, escritora Bielo-Russa, «pelos seus escritos polifónicos, um monumento ao sofrimento e à coragem nos nossos tempos».

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Elaboração de lista d' Os Melhores Romances Escritos em Língua Portuguesa

O Projecto Adamastor está a elaborar uma lista dos melhores romances escritos em Língua Portuguesa, para a qual se pede a colaboração de todos os leitores. Para participar basta preencher o formulário apresentado, indicando dez romances de autores lusófonos, por ordem de preferência, ordem essa que funcionará como principal ponderador no apuramento dos resultados finais; de notar que as escolhas podem ser editadas até ao final da votação. Em alternativa, caso não possuam conta Google, podem enviar directamente as suas escolhas para o e-mail do projecto (geral@projectoadamastor.org), ou partilhá-las na secção de comentários.

As regras são simples:

Podem ser indicados quaisquer romances originalmente escritos em português.
Não serão considerados títulos de menor extensão, como contos ou novelas, assim como os casos cuja classificação é mais problemática, de que é exemplo O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa.
Não existe qualquer restrição no que diz respeito ao número de obras por autor, isto é, podem ser indicados múltiplos romances escritos pelo mesmo autor.

Informação completa no blog do Projecto Adamastor.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Chove lá fora...

Rain, Chuva, Pintura, Painting, Rainy Night, Noite Chuvosa
"Rainy Night" (fonte)
chove lá fora
água escura

o meu olhar chora
e irrequieto procura

a luz que demora
a trazer brancura

(a noite é escura
e a chuva dura)

o meu ser implora
que não chova lá fora!


Poema de André Benjamim

Legislativas 2015: A Anedota da Noite Eleitoral


E cobram todos os meses a taxa por um serviço de que não usufruo. Não, não ligo a televisão há mais de dois anos.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Tinha muitas coisas para dizer. Mas tenho pouca vontade, e nenhuma motivação.

Coffee, Café, Mocho, Coruja
Fotografia que um amigo captou e partilhou no meu mural do facebook
Teria muitas coisas para vos dizer, nestes últimos tempos, se tivesse motivação, ou triunfasse a vontade. Assim, por aqui vou andando, ocupando os meus dias como me é possível ocupá-los, esperando não sei o quê - provavelmente nada. 

Pela minha saúde mental - o que resta dela - há um par de anos que desliguei a televisão - livrar-me de pagar a taxa que se paga por um serviço de que não se usufruiu, nem se quer usufruir, isso é que julgo não me ser possível. 

Contudo, não era ao roubo a que não podemos escapar que eu me queria referir com isto da televisão; era ao facto de assim me livrar de debates, tempos de antena, e notícias sobre a campanha. Tudo o que sei sobre este assunto é o que vou lendo nos blogs que sigo (na barra lateral, alguns, muitos mais no meu Feedly), e nas rápidas espreitadelas aos títulos gordos nas páginas electrónicas dos jornais (aproveito para dizer que ainda não consegui compreender porque é que o raio do Público me envia e-mails com uma selecção de notícias para ler, se depois não mas deixa ler - se eu quisesse pagar para ler as vossas notícias da treta, eu pagava - ou melhor, não pagava, que não tenho dinheiro - mas, se tivesse...)

Teria, como disse, muita coisa para vos dizer. Mas como não tenho motivação para quase nada, aqui vos deixo uma selecção de posts de blogs que acompanho, que dizem uma pequena parte daquilo que eu vos diria, se triunfasse a vontade:


Passem pelos links. Creio que vale a pena - e sempre ficam a conhecer um pouco, muito pouco, daquilo que me tem ocupado o pensamento.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Os Cadernos Secretos de Sébastian, Best Seller na loja Americana da Amazon

Os Cadernos Secretos de Sébastian, Amazon, Best Seller, André Benjamim
Os Cadernos Secretos de Sébastian, #52 na Amazon USACliquem na Imagem para Ampliar

Depois de ter estado em número 22 nos mais vendidos na Amazon UK, agora o meu romance Os Cadernos Secretos de Sébastian encontra-se na posição número 52 na Amazon USA. Não é que isto me traga qualquer fortuna - pois aparentemente é preciso vender mesmo muito pouco para chegar ao Top 100 das lojas Amazon (pelo menos para línguas estrangeiras) - mas sempre me dá uma pequena alegria nestes dias sombrios. Não faço ideia quem sejam os compradores, uma vez que nenhum deu sinal de vida (nem têm que dar, ora essa), mas uma vez que a divulgação é tão pouca, cingindo-se a este (e a um ou outro blog - obrigado, uma vez mais, ao Folhas de Papel) e ao facebook, que já não é nada do que foi, em matéria de divulgação, para quem não tenha dinheiro para gastar, fico a pensar quem serão. Por apenas 3,60€ (dependendo da loja onde a compra for efectuada, que isto tem IVA diferentes conforme o país) podem adquirir um exemplar em formato e-book. Se quiserem gastar um pouco mais (entre 15€ e 20€, depende do IVA e dos descontos da Amazon) podem ter um belo exemplar em papel (na compra de um exemplar em papel, têm direito a download gratuito do e-book).

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Nossos dias melhores nunca virão? Crónica de Arnaldo Jabor, em "amor é prosa sexo é poesia"



Ando em crise, numa boa, nada de grave. Mas, ando em crise com o tempo. Que estranho "presente" é este que vivemos hoje, correndo sempre por nada, como se o tempo tivesse ficado mais rápido do que a vida, como se nossos músculos, ossos e sangue estivessem correndo atrás de um tempo mais rápido.

As utopias liberais do século 20 diziam que teríamos mais ócio, mais paz com a tecnologia. Acontece que a tecnologia não está aí para distribuir sossego, mas para incrementar competição e produtividade, não só das empresas, mas a produtividade dos humanos, dos corpos. Tudo sugere velocidade, urgência, nossa vida está sempre aquém de alguma tarefa. A tecnologia nos enfiou uma lógica produtiva de fábricas, fábricas vivas, chips, pílulas para tudo.

Funcionar é preciso; viver não é preciso. Por que tudo tão rápido? Para chegar aonde, para gozar sem parar? Mas gozar como? Nossa vida é uma ejaculação precoce. Estamos todos gozando sem fruição, um gozo sem prazer, quantitativo. Antes, tínhamos passado e futuro; agora, tudo é um "enorme presente", na expressão de Norman Mailer. E este "enorme presente" nos faz boiar num tempo parado, mas incessante, num futuro que "não pára de não chegar". Antes, tínhamos os velhos filmes em preto-e-branco, fora de foco, as fotos amareladas, que nos davam a sensação de que o passado era precário e o futuro seria luminoso. Nada. Nunca estaremos no futuro. E, sem o sentido da passagem dos dias, de começo e fim, ficamos também sem presente. Estamos cada vez mais em trânsito, como carros, somos celulares, somos circuitos sem pausa, e cada vez mais nossa identidade vai sendo programada. O tempo é uma invenção da produção.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

AVC do Amor, de Luís Abreu

AVC do Amor, de Luís Abreu
(Clique na imagem para Ampliar)
Sinopse: AVC do Amor é um texto de ficção, baseado na realidade e que relata, de uma forma “leve”, não espiritual e alegre a rotina diária de uma paralisia causada por um AVC. Neste texto, o autor, ele próprio tetraplégico, faz um relato muito verosímil e realista dessa condição, misturando-o com grandes paixões, com uma viagem a outra dimensão e com alguns episódios ligeiramente humorísticos.
Com várias histórias, AVC do Amor conta-nos alguns eventos passados na adolescência e na vida adulta de Rodrigo. Personagem principal que se recusa a acreditar no AVC e que, com a pertinência das suas questões, leva o leitor a duvidar da sua condição de tetraplégico. O autor guarda segredo da sua condição e nunca revela se está mesmo tetraplégico, deixando essa decisão ao leitor.
O texto percorre várias fases da vida de Rodrigo, personagem usado para o autor refletir sobre os múltiplos assuntos que o apoquentam negativa ou positivamente.
É uma obra desconcertante que provocará, de certeza, múltiplos sentimentos conforme o estado de espírito de cada leitor. (Sinopse do Autor)

AVC do Amor, de Luís Abreu será apresentado no próximo dia 16 de Outubro de 2015, pelas 18:00, na Biblioteca da Residência Nossa Sra. da Esperança, na Rua Ramiro Ferrão, n.º 38, em Almada.
Luís Abreu é também autor de três livros de poesia: Insónia, Fragmentário, e Muros e Amor. AVC do Amor é a sua primeira obra em prosa. 50% do lucro da venda deste livro reverte a favor da Associação Salvador - página facebook.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Dificuldades na compra do romance «Os Cadernos Secretos de Sébastian», deste vosso escriba, na Amazon

Os Cadernos Secretos de Sebastian, André Benjamim
Recebi queixas de alguns amigos, conhecidos, e leitores relativamente à dificuldade em comprar o romance «Os Cadernos Secretos de Sébastian», na Amazon. Uma vez que a Amazon tem várias lojas, para adquirir em exemplar, em e-book ou em papel, a compra terá de ser efectuada tendo em conta o território de residência. Assim, deixo aqui link para as várias lojas da Amazon - podem também fazer uma busca por autor, título, ISBN (papel: 9781482679342, ou ASIN (e-book: B00FUDHO56):

E-Book:

Amazon[Brasi] | Amazon[USA] | Amazon[UK] | Amazon[Alemanha] | Amazon[Itália] | Amazon[Espanha] | Amazon[França] | Amazon[Canadá]

Livro Impresso:

Amazon[Brasi] | Amazon[USA] | Amazon[UK] | Amazon[Alemanha] | Amazon[Itália] | Amazon[Espanha] | Amazon[França] | Amazon[Canadá]

Podem também comprar, em verão e-book, na iTunes, ou em papel, na CreateSpace

Obrigado a todos que se mostraram interessados. Obrigado ao blog Folhas de Papel pela sugestão de fim-de-semana.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Nobel Prize in Literature 2015

Nobel Prize in Literature 2015, Prémio Nobel da Literatura 2015
Quando falta menos de um mês para o anúncio mais esperado do ano (que deverá acontecer no próximo dia 8 de Outubro de 2015), na área da Literatura, é altura de olhar para os nomes dos candidatos, segundo o site de apostas LadBrokes, que tem acertado ou andado lá perto na última década. De acordo com as apostas efectuadas pelos utilizadores deste site, os quinze melhor colocados nesta corrida são:

Svetlana Aleksijevitj; Haruki Murakami; Ngugi Wa Thiong'o; Philip Roth; Joyce Carol Oates; Adunis; Ismail Kadare; Jon Fosse; Ko Un; Peter Handke; Amos Oz; Cesar Aira; Marilynne Robinson; Peter Nadas; e Ursula Le Guin.

Em quem apostam?


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Amazon Best Sellers: Os Cadernos Secretos de Sébastian

Amazon Best Seller Os Cadernos Secretos de Sébastian
Os Cadernos Secretos de Sébastian - à venda em todas as lojas da Amazon - bestseller

Best Seller. Aparentemente, já tenho dinheiro para pagar um café ou dois a um amigo ou outro - na realidade, as palavras best seller estão muito sobrevalorizadas. 

Enfim, chegou a estar na posição número 22, entretanto já desceu para a posição número 31 - serve o print screen para consolo do ego em dias mais tenebrosos - que têm sido quase todos, cá para os meus lados.

Entretanto, não sei se isto anda - de facto - tudo ligado ou não, o meu perfil no about.me está nos populares. Recebi um e-mail personalizado e tudo, a dar-me os parabéns.

Se me quiserem pagar um café, já sabem: é só adquirirem um exemplar do meu romance em formato e-book, que fica ao preço de um café no Reino Unido. Ou, os mais abonados, podem sempre adquirir um exemplar em papel - eu gosto mais, e a capa, vista ao vivo é mesmo bonita!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Migração na Europa - Cartoon de Vasco Gargalo

Cartoon Refugiados Migrantes Sírios Crise Migração na Europa
Cartoon de Vasco Gargalo

Migração na Europa, cartoon de Vasco Gargalo, publicado no site Cartoon Movement, onde podem encontrar mais trabalhos do autor - e de outros autores - sobre esta e outras temáticas. Estamos perante a maior crise migratória desde a Segunda Guerra Mundial? São os refugiados que chegam aos milhares, todos os dias, de África, do Médio Oriente, e da Ásia. São as populações do Sul da Europa que migram para norte - e com tudo isto, é a Europa que se afunda...

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Europa



Uma prisão para os que cá estão - uma fortaleza para os que querem entrar. Tenho lido tanto disparate xenófobo por aí, que fico sem saber o que comentar. Se há o risco de entrarem terroristas, e outros riscos? Claro que sim. Mas há acima de tudo uma Europa que fez - faz - todo o trabalho mal feito. E pior que isso, uma Europa hipócrita que continua a facturar com a venda de armas. Neste momento de urgência para milhões de pessoas, competiria há Europa organizar a recepção dos refugiados, precavendo-se da entrada de terroristas - e não andar atrás do prejuízo, quando milhões de seres humanos lhe batem à porta, em desespero.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Nova edição de «Uma Conspiração de Estúpidos», de John Kennedy Toole, na Relógio d'Água

Uma Conspiração de Estúpidos John Kennedy Toole Relógio d'Água


Uma Conspiração de Estúpidos, de John Kennedy Toole, tem nova edição em Portugal, na Relógio d'Água. É um dos livros da minha vida, e já falei dele aqui: «Li o romance aos solavancos, ao contrário do que normalmente faço; algumas páginas por dia; alguns dias sem ler, durante dois ou três meses. Porque é um romance cómico, de trazer lágrimas aos olhos de tanto rir, mas também um romance que nos angustia. Ignatius Reilly tem trinta anos e vive em casa da mãe, sem qualquer trabalho ou ocupação digna desse nome. Qualquer semelhança de Ignatius Reilly com o autor, John Kennedy Toole, ou com milhares de jovens da actualidade (da geração rasca, à rasca, mil-eurista, do trabalho máximo pelo salário mínimo, desempregada, desesperada, desencantada, endividada), não é pura coincidência. Há evidentes semelhanças. Mas também diferenças. Parafraseando o célebre início do romance Ana Karenine, de Leo Tolstoi, os jovens bem-sucedidos parecem-se todos; os mal-sucedidos são-no cada um à sua maneira.» Permito-me aconselhá-lo. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Citação: «O que vale a pena». Texto de Isabel Mouzinho. Amizade.

Amizade, Amitié, Friendship, Friends, Amigos
Ilustração de Maurice Sendak, para a obra
«Let's Be Enemies», de Janice May Udry

Há nas amizades verdadeiras uma aura de mistério, qualquer coisa de incompreensível e de inexplicável que faz delas uma espécie de bênção, que nos enche a alma e a vida, e nos conforta o coração em dias sombrios, ou quando tudo parece virar-se do avesso e o mundo começa a girar ao contrário.

Vivem-se em total liberdade, mas tratam-se com cuidado e carinho. Têm por base a confiança inabalável, os sentimentos genuínos e a grandiosidade do afecto e, por isso, devagar se fazem também cumplicidade e partilha, na magia que faz os amigos de há pouco poder parecer que são já de há muito, e na certeza de saber que para lá dos silêncios e dos gestos alguma coisa nos liga, um laço invisível que se nos ata ao coração e que se acredita poder perdurar para lá de tudo. Mas todas as pessoas, mesmo as que mais amamos ou admiramos, podem um dia desiludir-nos ou magoar-nos.

(...)

E acreditar que o tempo traz sempre consigo a verdade de todas as coisas. E que ter quem acredite em nós faz a vida valer a pena...

O que vale a pena, texto de Isabel Mouzinho, completo no blog Delito de Opinião.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Amadureci com o Passar dos (D)Anos


Há um poema, entre tantos outros, de Fernando Pessoa, que tenho sempre presente. É uma quadra ao gosto popular, das muitas que ele deixou num envelope:

«Teus olhos querem dizer
Aquilo que se não diz...
Tenho muito que fazer...
Que sejas muito feliz!»

Lembro-me dela sempre que me encontro com esse tipo humano que se limita, que se castra, que se mascara. Que se esconde num papel-prototipo e se recusar a Ser. O tipo cobarde. Adiante. Pergunto-me sempre, a mim mesmo: «E depois, quem sabe se são os teus olhos que querem dizer - ou se são os meus que querem ouvir?» Há perguntas que ficarão para sempre sem resposta. São as questões que se acumulam como espinhos na alma-ferida.

terça-feira, 9 de junho de 2015

O Bule da Joana, no Portugal dos Pequeninos

Bule Joana Vasconcelos Portugal dos Pequeninos
Fotografia de José Xavier Ezequiel

Parece que encomendaram mais uma obra de arte à artista oficial do regime - e ela, uma vez mais, não deixou ficar mal os artistas do regime: representa-os bem. E que melhor representação dos artistas do regime, que um bule gigante que é uma imagem exacta do regime: uma coisa pequenina, muito pequenina, para o Portugal dos Pequeninos, a tentar convencer-nos que são grandes, como no mapa, que Portugal não é um País Pequeno. E não é. É apenas governado por medíocres, anões mentais, convencidos que são gigantes - e são-no, no meio de um povo que se deixa apequenar - ridiculamente.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Brasil 1 Alemanha 7: Como o Brasil vendeu a Copa

Brasil, Alemanha, 7-1, Brasil vendeu a Copa do Mundo
Brasil 1 - Alemanha 7
Parece que agora toda a gente sabia da corrupção que vai ali por aquele organismo com leis próprias, embora não seja um país, pátria, ou nação, que se dá pelo nome de FIFA.

Muitas questões se colocam (ou melhor, voltam a colocar): o Brasil vendeu a final do Campeonato do Mundo de Futebol França'98 e vendeu o jogo contra a Alemanha, o dos célebres 7-1, a maior derrota da história da Canarinha?

Eis alguns artigos sobre a questão, que já vem do tempo do Mundial de França, e se voltou a colocar aquando da pesada derrota do Brasil no último Campeonato do Mundo: Brasil vendeu a Copa? - Como o Brasil vendeu a Copa? (artigo de 04 de Agosto de 2014) - O Brasil VENDEU a Copa do Mundo para a Fifa.

«Ninguém Nunca me Entregou nada de Bandeja»


Não, nunca ninguém me entregou nada, nem de bandeja, nem de maneira nenhuma. É uma miséria... História completa AQUI.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Sempre que o Vaticano bufa, a Humanidade alcançou alguma Vitória.


Sempre que o Vaticano bufa, a Humanidade alcançou alguma vitória.

As velhotas levantaram a cabeça, fixando-nos com admiração e estupefacção, provavelmente por verem dois jovens irromperem num espaço de velhos. A curiosidade fê-las parar as suas rezas maquinais. Os lábios que se mexiam, quase sem deixarem de se tocar, cerraram-se. Sentámo-nos no último banco, aquele que se prostra divinamente, frente ao altar, sem se ajoelhar.
Elevada atrás e acima do altar, pendia uma cruz com um cristo moreno e musculado, de longos cabelos ondulados caindo-lhe lubricamente sobre o peito. A cabeça tombada para a esquerda e uma expressão absorta de dor. Um belo peito definido e a barriga encolhida com os abdominais salientes. À cintura uma pequena prega de pano cobrindo-lhe a denúncia da sua humanidade, deixava entrever as vergonhas humanas. Pelos vitrais das enormes vidraças entravam alguns raios de luz coloridos, espalhando-se sensualmente sobre o corpo do cristo.
– Amo-te! – Disse-me o Fábio, baixinho, e chegando a sua cabeça junto da minha. As velhotas lá atrás olhavam-nos com curiosidade crescente. Espreitei de soslaio. Apercebendo-se do movimento da minha cabeça, recolheram às suas orações. Entretanto a terceira velhota, a mais velha delas todas, adormecera profundamente. Da testa pendiam-lhe cabelos soltos, e os sulcos das rugas enchiam-se de suor. O nariz adunco ia pingando sobre o seu vestido negro, e a respiração pesada começava a encher lentamente a igreja.
– Eu também te amo…
– Se pudesses, casarias comigo? – No instante em que acabava a pergunta pegou na minha mão direita, apertando-a com força. Entrelaçou os seus dedos nos meus e pousou as nossas mãos unidas sobre as suas calças de bombazina bege. Do alto da sua cruz, cristo parecia olhar-nos com enlevo. Uma velhota tossiu. A terceira acordou, reatando as suas rezas, com o terço enlaçado entre as pregas de pele aveludada dos dedos trementes. Entretanto, entrou um casal de mão dada. As duas velhotas ajoelhadas seguiram o seu percurso com o olhar. Subiram pela colateral, admirando os pormenores da igreja, passaram por nós sem nos ligar atenção, fizeram a genuflexão quando chegaram à frente do altar, prostrando-se alguns segundos a olhar o cristo divinizado e saíram pela coxia.
– Então, não respondes, casarias comigo?! – Insistiu o Fábio, largando a minha mão e indo apertar o meu joelho despido.
– Casaria...
– Prometes amar-me para sempre?
– Prometo…
Segredando-me ao ouvido, pediu-me para repetir a pergunta que ele fizera.
– Prometes amar-me para sempre?
– Prometo! – Respondeu prontamente. Remexeu os bolsos, retirando dois anéis de prata. Pegou na minha mão, enfiando um deles no meu dedo. Deu-me o outro e esticou-me a sua mão. Realizei o mesmo acto.
– Agora estamos casados! – Declarou-me com veemência. Agarrou-me pelos ombros e deu-me um beijo rápido e furtivo. Olhei para trás. As velhotas rezavam distraidamente.
– Vamos embora? – Perguntei-lhe.
– Não. Vamos ficar aqui um bocado. Apetece-me estar ao pé de ti. Só estar ao pé de ti, mais nada. – Encostou a cabeça no meu ombro e adormeceu. Agarrei a sua mão, e assim permanecemos longas horas. A terceira velhota foi a primeira a sair. Minutos depois saíram as outras duas, deixando-nos a sós na igreja fria. Os raios de sol que entravam pelas vidraças iam perdendo inclinação e vigor, até que a escuridão invadiu a igreja. Cristo continuava a fitar-nos, como se o seu interesse em nós crescesse, até que a negridão fechou os seus olhos.

Excerto de Os Cadernos Secretos de Sébastian. Já havia publicado este excerto no blog - pareceu-me bem voltar a publicá-lo.


O Romance «Os Cadernos Secretos de Sébastian» encontra-se à venda, em livro, na Amazon e na CreateSpace. Em formato e-book podem encontrá-lo na SmashWords, no iTunes, na Amazon, e noutras lojas online.