terça-feira, 25 de novembro de 2014

Não sei se este ano haverá Natal, contudo...

Árvore de Natal Livros, Christmas Tree Books
Não sei se haverá condições para haver Natal este ano, mas uma árvore assim, de livros novos (ou velhos, tanto faz) no meu sapatinho, seria o ideal. E uma máquina de escrever, daquelas que fazem barulho e tudo, e uma quinta no monte, que isto de fazer pedidos ao pai natal, se é para pedir, que seja para pedir logo tudo.

Respeitando a habitual tradição, não aquela de que o Natal é quando um homem quiser (não vou fazer piadas de carácter sexual)..., a tradição de desejar aos meus leitores um Feliz Natal no mês de Novembro, aqui venho desejar-vos um Feliz Natal, e um Próspero Ano Novo, principalmente próspero, que isto da miséria é verdadeiramente miserável.

Junto-me assim à trupe capitalista que anda em publicidades e musiquinhas de natal desde de Outubro, pelo menos, que eu estou em dúvida se não começaram as campanhas em Setembro, logo a seguir ao regresso às aulas - embora, como o regresso às aulas este ano foi sucessiva e consecutivamente adiado, talvez esteja enganado.

Abraços e Beijinhos para todos e para todas (também pode ser ao contrário, sou completamente liberal). Sejam felizes, & etc.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

What goes around comes around - original The Unknown

The Unknown «em acção» no artbarô, Covilhã.
 
Para quem não teve a oportunidade de estar presente no concerto The Unknown da passada sexta-feira, no artbarô, na Covilhã, aqui deixo um original da banda. A qualidade da imagem e do som não é a melhor, ao vivo é muito melhor, mas é o que se arranja. Espero que gostem.





Podem seguir a banda na página do facebook: The Unknown. Também podem encontrar mais informações sobre os três elementos que a compõem no site. E se houver por aí algum produtor que esteja interessado em apostar nestes jovens talentos, não hesitem...

José Sócrates é culpado ou inocente? Ligue 111111111 para «culpado» ou 999999999 para «inocente». Custo da chamda: 0.60€ (acrescidos de IVA à taxa em vigor).

ÚLTIMA HORA: A origem dos 20 milhões de Euros José Sócrates!

Origem da Fortuna de José Sócrates
Afinal não passou tudo de um enorme mal-entendido. Está esclarecida a origem da fortuna de José Sócrates, conforme se pode confirmar através desta prova inequívoca.

Prezo por saber que não sou o único a receber estas propostas aliciantes - esta mensagem eu mesmo a recebi três ou quatro vezes - só lamento não ter sido o escolhido...

domingo, 23 de novembro de 2014

A Última Esperança...

Esperança, Eu Acredito
(Fonte Cartoon)
...Se eu tivesse fé em alguma coisa, este seria, muito provavelmente, o momento de rezar, ou de fazer algum ritual, ou de exorcizar qualquer coisa... mas não tenho fé em nada, nem em mim (ou pour cause)...

...Vai para dois meses que não leio um livro; nem sei quando foi a última vez que estive tanto tempo sem ler um livro... Talvez quando tinha treze ou catorze anos... (não vou fazer contas, que desde os dezoito anos que aboli o aniversário)...

...Estou como o cartoon - julgo que nunca vos tinha dito que, nos tempos em que tinha uma equipa preferida em todos os campeonatos, o Sociedade Esportiva Palmeiras era o meu clube Brasileiro...?

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Coisas. Mensagens.

Livros, Books, Child, Criança

Recebi um e-mail da Editorial Presença com o assunto "Não abra este e-mail... pode não resistir a tantos livros novos!" foi directamente para o lixo. É o que faço normalmente quando recebo e-mails de editoras a publicitarem livros, não abro. Não há dinheiro para livros. Nem para nada. Nem para um monte longe de tudo.

{Estando na blogosfera há mais de onze anos, recebo frequentemente mensagens, com pedidos disto e daquilo, a maior parte a pedir para divulgar um livro, um lançamento, uma peça de teatro, um qualquer evento cultural; tento sempre responder, embora por vezes receba tantos e-mails, e tão em cima da hora, que quando vou responder... já passou o prazo! Se um livro vai ser lançado amanhã, ou se uma peça de teatro vai ser representada no próximo fim-de-semana, não me peçam para divulgar hoje, pois o mais provável é que quando eu conseguir ver o e-mail já seja ontem! É que se eu passar um dia sem vir ao e-mail, o mais provável é que quando lá for tenha cento e cinquenta ou duzentas mensagens novas - e nem falo do spam... Por isso peço desculpa, mas muitas vezes é-me impossível responder a todas as solicitações em tempo útil!}

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

The Unknown: Concerto no ArtBarô (Covilhã)

Concerto The Unknown ArtBarô Covilhã
Concerto The Unknown no ArtBarô (Covilhã) - Evento facebook
Na próxima sexta-feira, 21 de Novembro de 2014, The Unknown actuam no ArtBarô, na Covilhã. Convido todos os leitores, seguidores, amigos, e conhecidos que estejam por perto (ou um pouco mais longe, porque não?) a aparecer. Abaixo deixo-vos um vídeo com um ensaio já antigo da banda. No site da banda (ainda por acabar) podem ficar a saber um pouco mais sobre The Unknown. Apareçam.

[O ArtBarô situa-se na Rua Comendador Campos Melo, 111, na Covilhã]

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Há mais 500 crónicas de João Ubaldo Ribeiro para ler

Bacurinho*

No início dos anos 1960 João Ubaldo Ribeiro começou a trabalhar como repórter no Jornal da Bahia; o imortal escritor Brasileiro, com 22 anos na época, escreveu então cerca de 500 crónicas anónimas, onde «um personagem batizado de Theóphilo ironizava problemas da cidade». A crónica era uma das mais lidas do jornal, e só agora foi revelado quem era o seu autor.

De entre as várias obras publicadas pelo autor dos romances Viva o Povo Brasileiro, O Sorriso do Lagarto, Sargento Getúlio, Diário do Farol, ou A Casa dos Budas Ditosos, João Ubaldo Ribeiro publicou algumas colectâneas de crónicas, entre elas Um Brasileiro em Berlim, O Rei da Noite, e Arte e Ciência de Roubar Galinha. Publicou também contos, ensaios, e obras de literatura infanto-juvenil.

Estás crónicas poderão agora vir a ser reunidas em livro. Também em breve serão publicados alguns contos em que o autor trabalhava aquando do falecimento em Julho. Leiam uma das crónicas «Theóphilo propõe interruptores a fim de estimular namoros»:

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Em memória do meu Pai*


 Fico sempre um pouco deprimido quando este dia se aproxima. Passaram 26 anos...

Já era noite. Talvez sete, ou oito, ou mesmo nove horas da noite. Talvez fosse mais tarde. Na memória resta-me apenas o frio, o escuro e o último olhar. Agarrei-lhe o tecido das calças, e abracei-o pela cintura. Tocou-me na cabeça e disse que não podia ficar. Nunca fui pessoa de insistir. Mas insisti. Uma, duas ou três vezes. Talvez mais. Voltei para junto da minha mãe, e da minha tia. Ele afastou-se alguns passos. Olhou para nós, aquele último olhar que me resta na memória. Ou talvez já nem seja esse último olhar, não sei. Virou-se e caminhou lentamente, subindo a rua empedrada. Uma lágrima queria sair-me dos olhos, mas eu não deixei. Queria que ele ficasse, a minha mãe insistira. Eu também. A minha tia aconselhara-o igualmente a ficar. Ele disse que não, que não podia ficar. Já era noite.

Acordei, à pressa vesti-me, empurrei os cadernos, os lápis e borrachas, os livros, a tralha para dentro da mochila vermelha. Ainda anda aí por um canto. Uma prima minha oferecera-ma. Era vermelha e branca, e no bolso de fora tinha escrito, a letras garrafais, vermelhas e maiúsculas, QUEEN. O nome da banda de Freddie Mercury, Roger Taylor, Brian May e John Deacon. Comi pão migado em leite com café. Era sempre o meu pequeno-almoço. Por nada deste mundo aceitava outro. Tinha que ser pão migado em leite com café, na minha tigela preferida. A tigela partiu-se meses, ou anos, depois. Anos depois a minha avó, que me dera aquela, deu-me outra igual. Ela não sabia, mas tinha pintado o desenho de um boneco animado de uma série alemã, ou talvez austríaca, que eu via todos os dias na televisão. A televisão era a preto-e-branco, comprada pouco tempo depois de eu ter nascido. Mas ali o boneco era a cores. O cabelo e o nariz são vermelhos, a t-shirt é amarela e as calças são verdes. Não sei se na televisão as cores do boneco eram as mesmas, mas a tigela está aqui para comprovar a minha memória. Acabei de comer, despedi-me da minha mãe e corri para a escola. Não era que tivesse muita vontade de ir para a escola; fugia do frio da rua.

Ia a manhã a meio quando a minha vizinha veio ter comigo à escola. Bateu à porta, a professora calou-se, a sala ficou imersa no nosso silêncio. A professora foi abrir a porta. O silêncio dera lugar ao barulho. A professora conversava com a minha vizinha. Ela apontava para mim, queria falar comigo, mas não queria dizer o que se passava. A professora não a queria deixar entrar, mas ela insistia. E quando a minha vizinha insistia, não havia nada que a demovesse. A professora teve que aceitar, resignada. Ela chegou-se à minha beira e disse-me, depois de me agarrar, me fazer uma festa na cabeça, com os olhos vermelhos de lágrimas que tentava segurar nos olhos, directa ao assunto, sem meias palavras, que ela não sabia muitas, havia quem a achasse louca, porque era gaga e tinha dificuldades em exprimir-se: o teu pai morreu.

Levou-me com ela para fora da sala. Foi falar à professora, trouxe a minha mochila, e fomos para minha casa. A minha mãe não estava. Aos poucos chegaram alguns familiares. Ninguém sabia como dizer-me; houve até quem tentasse mentir-me, dizendo-me que o meu pai estava muito mal no hospital, que ainda não se sabia nada, que estavam à espera que a minha mãe chegasse. Eu até queria acreditar nisso, mas eu já sabia. Não chorei. Nunca, em toda a minha vida, chorei no momento, na hora. Às vezes choro uma semana depois, outras meses, algumas anos depois. Nunca chorei de dor, de saudade, de pena ou alegria. Há quem me ache frio por isso. Quando choro é raiva. Raiva por me sentir impotente. Choro de raiva, quando finalmente admito que nada posso fazer, nem mesmo chorar, por isso choro, mas choro pouco. Depois chorei, sozinho. Dois ou três dias após o meu pai estar enterrado. De raiva, como quem dá um murro de cima de uma mesa. Ele subiu a rua empedrada. Estava uma noite escura e fria. Ainda olhou para trás uma última vez, o último olhar que recordo, subiu para o tractor e partiu. Dez, ou quinze, ou mesmo vinte minutos depois estava morto. Estávamos no dia 14 de Novembro de 1988.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

De Princesa a Zé-Ninguém...


A EuroMilionária de Marco de Canaveses agora passa os dias nos jornais; um dia é porque ficou com dinheiro do antigo companheiro, no outro é porque o novo marido lhe ficou com dinheiro; no primeiro caso queixava-se ele que o dinheiro lhe pertencia, no segundo queixa-se ele que afinal foi ele que ganhou.

Não me admiro. Não concordo, no entanto, que seja porque foram pobres, ou porque não tinham "educação financeira", ou porque a riqueza ou pobreza não esteja no dinheiro. O problema é que há pessoas que não sabem, intimamente, o que é que se pode comprar - e o que é que não se pode comprar. Conheço muitas pessoas assim, e nunca foram ricas, ou ganharam o EuroMilhões.

Amor e Amizade não se compram - nem se vendem. Ponto. Carros e Casas compram-se - e vendem-se. Ponto. Afecto e Carinho não se compram - nem se vendem. Ponto. Computadores e Smartphones compram-se - e vendem-se. Admiração e Respeito não se compram - nem se vendem. Ponto. Há coisas que se compram - há outras que se conquistam. Para as primeiras é preciso dinheiro, para a segundas nem todo o dinheiro do mundo é suficiente. Só nas novelas.

Portanto, se jogam no EuroMilhões para comprar amor, amizade, carinho, afecto, admiração, respeito, ou qualquer coisa desta categoria, melhor fazem se pouparem os dois euros da aposta. Aproveitem o dinheiro e tomem um café com alguém - talvez vos saia a outra sorte grande. Exige maior investimento, exige um investimento diferente, mas normalmente é mais fácil de encontrar. Há no mundo mais pessoas que amam e são amadas - que aquelas que são ricas; apesar de todo o sofrimento e desamor que por aí anda...

(As pessoas não são colonizáveis!) 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Um dia de Chuva é tão belo como um dia de Sol...

Um dia de Chuva é tão belo como um dia de Sol Fernando Pessoa


Não me dêem esperanças que não existem, não brinquem com o meu pobre coração...


(Imagem partilhada por uma amiga no facebook, que não linko porque a minha amiga do facebook só partilha os seus posts com os amigos)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Sophia e Cecília

Sophia de Mello Breyner Andresen


Há coisas estranhas e sem explicação. As minhas duas poetisas dilectas, Sophia de Mello Breyner Andresen e Cecília Meireles, nasceram em datas consecutivas: Sophia a 06 de Novembro, Cecília a 7 de Novembro. E só este ano reparei nesse facto. Aqui deixo dois poemas destas princesas da poesia em Língua Portuguesa.

Cecília Meireles


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Diáspora - Festival Literário, em Belmonte, de 7 a 9 de Novembro de 2014


Situada no interior do país, Belmonte é uma das localidades mais singulares de Portugal: das paisagens naturais ao património, da forte herança judaica à gastronomia, passando ainda pela ligação histórica ao Brasil, a vila assume agora a sua posição privilegiada para acolher um novo acontecimento literário que vai marcar o panorama cultural.

O Diáspora — Festival Literário de Belmonte quer garantir que a comunidade estará em contacto e trocará experiências com a nova geração de autores portugueses e outros mediadores da leitura. De periodicidade anual, Belmonte pretende dar aos seus habitantes e visitantes um evento focado na produção literária portuguesa e estrangeira, privilegiando a relação com o vasto património histórico e a cultural local. A esta pretensão, junta-se o envolvimento da população escolar, que receberá escritores e ilustradores. Pretendemos contaminar todos com a paixão pelos livros e pela leitura.

Com este festival, Belmonte assume-se como uma referência na produção cultural do interior do país: quer na programação oferecida à população local, quer na promoção de espaços de convívio entre a população e os maiores nomes do panorama literário nacional. Desta forma aprofunda-se o papel de Belmonte para descentralizar a cultura, centrada nas grandes cidades, e promover um património histórico único.

Programação:
(Fonte)

terça-feira, 4 de novembro de 2014

15.º Aniversário do Harry Potter

15 Aniversário Harry Potter, Kazu Kibuishi
Cliquem na imagem para Ampliar
A Editorial Presença vai reeditar os sete volumes da saga HarryPotter com novas ilustrações nas capas, da autoria de Kazu Kibuishi, em celebração do 15.º aniversário da publicação da primeira edição do primeiro volume de Harry Potter, Harry Potter e a Pedra Filosofal, em Portugal, em 1999.

Às minhas mãos chegou em Agosto de 2000. Os últimos volumes comprei-os na data de publicação. Não, não leio apenas Cervantes, Sterne, e Fielding, não leio apenas os clássicos.

Harry Potter gera paixões, há quem goste muito e há quem deteste - há até, em ambos os grupos, quem nunca tenha lido! Voltei recentemente a reler todos os sete volumes, desta vez lendo-os de enfiada, o que não era possível fazer para quem foi lendo à medida que iam sendo publicados.

São sete obras desequilibradas entre si, tanto em tamanho como em qualidade. Ainda não me decidi sobre qual dos sete prefiro, talvez o terceiro, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, ou o quinto, Harry Potter e a Ordem da Fénix.

O quatro têm a pior tradução (não sei se ainda se mantém a mesma, ou se entretanto foi revista), tradução claramente apressada, a três mãos; neste, as diferenças no vocabulário escolhido eram evidentes. E o nome de um bar e uma livraria não era o mesmo ao longo da saga.

Enfim, ninguém me paga para fazer publicidade, mas aqui deixo a informação da existência desta nova edição - houve também uma edição em que as capas da série eram pretas, sombrias, talvez ainda a encontrem nas livrarias, se quiserem ser colecionadores. Como não acerto nos números de nenhum jogo de azar, não vou obviamente comprar. Uma feliz terça-feira a todos que por aqui passam.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O Mistério da Agricultura Biológica...

Agricultura

De todos os mistérios da vida moderna, o que mais me intriga é a moda da agricultura biológica. Nascido no campo, descendente de gerações de camponeses pobres, nunca consegui ver na agricultura o maná que agora apregoam. Antes sempre fiz minhas a as palavras daquele papa, Pio não sei quantos: "Há três maneiras de um homem se arruinar. Ao jogo, com as mulheres, com a agricultura. O meu pai escolheu a mais trabalhosa." (Já agora, o meu também. E morreu debaixo do tractor...) Depois, ouvi, li. Que a maior parte dos solos do nosso país não tem aptidão agrícola; que o relevo dificulta ou torna inviável a mecanização; que o clima, quase imprevisível, é uma ameaça permanente. Que sem financiamento...

José Catarino, O mistério da agricultura biológica, post completo no blog Viajante no Tempo.