domingo, 27 de julho de 2014

Tsundoku

Tsundoku, Pilha de Livros
Um prémio para quem adivinhar os títulos todos...

Tsundoku (a nova palavra a caminho do dicionário de inglês), acto de comprar livros e não os ler, deixando-os acumular em pilhas, nas estantes, mesas, mesinhas de cabeceira, corredores, seja lá onde for. Também tenho pilhas de livros, não porque não os leia, mas porque não tenho mais espaço para eles nas minhas estantes, todas de fila dupla, preenchidas no espaço restante com livros deitados. Abençoada crise que não deixa que as minhas estantes continuem a viver acima das suas possibilidades...

Romances Distópicos

Utopia, Distopia, Dystopia

Se fosse vivo, Aldous Huxley faria ontem 120 anos. Para celebrar a data escrevi no site homo literatus um artigo sobre distopia, romances distópicos, e 5 dos grandes autores / obras do género. Podem lê-lo aqui.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

DDT - Dono Disto Tudo - ou DDMT...

Ricardo Salgado, DDT, Dono Disto Tudo
Dono Disto Tudo

Ricardo Salgado saiu nesta quinta-feira ao final da tarde do Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, indiciado por crimes graves: burla, abuso de confiança, falsificação e branqueamento de capitais. Com escassos minutos de diferença, a holding-estrela da família Espírito Santo, a Espírito Santo Financial Group (ESFG), informou que pedira a protecção de credores junto das autoridades luxemburguesas. Dois episódios que traduzem um virar de página, com o fim de um centro de poder considerado o mais influente da vida política, social e financeira em Portugal dos últimos 15 anos. (Notícia completa no Público).

quinta-feira, 24 de julho de 2014

As Bundas Portuguesas, João Ubaldo Ribeiro

A Casa dos Budas Ditosos, João Ubaldo Ribeiro, As Bundas Portuguesas

Já aqui deixei a crónica de João Ubaldo Ribeiro, Memória de Livros, que muito tem sido referida nos últimos tempos; deixo-vos agora a passagem de A Casa dos Budas Ditosos onde João Ubaldo Ribeiro fala das bundas portuguesas:

Em suma, os americanos eram uns merdas simpáticos, só eram bonitinhos, mas não sabiam trepar, e a maioria, quando queria dizer palavrão, dizia God e Jesus, imagine um povo que achava palavrão dizer Deus e Jesus, tudo ligado ao puritanismo deles, usar Seu santo nome em vão, essas coisas. Tanto assim que muitos empregavam eufemismos, como Geez, Golly gee e outras besteiras do mesmo jaez, imagine novamente um povo que precisava de eufemismos para exclamar o nome de Deus ou de Jesus.

Futebol, Sigmund Freud, Psicanálise...

Sigmund Freud, Karl Marx, Futebol, Treinadores, Técnicos de Futebol, Psicanálise do Futebol

[O pai adora futebol ( "Para se ser um bom chefe de família tem que se ser do Benfica, Dra!). O miúdo nem por isso, prefere dançar ("Mas isso eu não digo ao meu pai, que ele chama-me logo de maricas!"). O pai perguntou-lhe se queria jogar futebol ("Queres, não queres? Vais ser um grande ponta de lança, o pai também era!"). O menino não tem coragem de dizer que não ("Ele não foi obrigado, Dra, que eu bem lhe perguntei uma mão cheia de vezes, ele é que quis"). O menino finge que tem prazer em jogar, assiste aos jogos com um entusiasmo fingido para ter aqueles momentos de "homens", nas tardes no sofá entre pai e filho ("Ele nunca está em casa, está sempre a trabalhar, só estamos os dois quando ele vem para casa e vemos a bola juntos!"). Escuta o pai com uma falsa atenção a ensinar-lhe o que é um fora-de-jogo mas não decorou o que é ("Eu gosto é de dançar mas o meu pai diz que a dança é para as meninas"). A mãe não se mete ("Ah, isso da bola é lá entre eles, eu não interfiro..."). O pai preocupado que o menino, de cada vez que é para o levar ao treino, fica doente, dá-lhe vómitos, náuseas, doente mesmo ("Será dos nervos, Dra? Será que ele leva o futebol tão a sério que fica doente com a pressão? Olhe que ele faz-se um grande ponta de lança, Dra, podemos ter aqui o próximo Ronaldo."). O filho confidencia, à parte, que finge estar doente de cada vez que tem que fazer o sacrifício de ir aos treinos ("Se eu lhe disser que não quero ele zanga-se, assim fica aflito a pensar que eu estou doente e não teima para me levar.").
O pai só quer resolver os sonhos que a sua infância não lhe permitiu.
O filho? Só quer dançar. ]

terça-feira, 22 de julho de 2014

Adeus, João Ubaldo Ribeiro.



Muito se tem citado esta crónica de João Ubaldo Ribeiro; esta crónica e aquela passagem em que fala das bundas portuguesas. Prefiro esta crónica, e não desgosto de nenhuma das crónicas que li de Ubaldo, e são bastantes, reunidas em diversos livros. Memória de Livros, publicada originalmente no jornal Frankfurter Rundschau, no início da década de 90, quando Ubaldo passou 15 meses em Berlim  a convite da Deutscher Akademische Austauschdienst - Instituição alemã que convida artistas para passar temporadas em Berlim. Ubaldo publicava crónica mensais, que depois foram reunidas em livro, na obra Um Brasileiro em Berlim. O que se passou quando, regressando de Berlim, aterrou em Portugal, nem vale a pena referir. Como português, tenho vergonha. Cavaco Silva era primeiro-ministro, Dias Loureiro era ministro da administração interna. Parece sinistro, não parece, a quantidade de vezes que tristes figurinhas aparecem associadas a episódios nada edificantes da nossa história recente? Parece... 

A crónica:

Aracaju, a cidade onde nós morávamos no fim da década de 40, começo da de 50, era a orgulhosa capital de Sergipe, o menor Estado brasileiro (mais ou menos do tamanho da Suíça). Essa distinção, contudo, não lhe tirava o caráter de cidade pequena, provinciana e calma, à boca de um rio e a pouca distância de praias muito bonitas. Sabíamos do mundo pelo rádio, pelos cinejornais que acompanhavam todos os filmes e pelas revistas nacionais. A televisão era tida por muitos como mentira de viajantes, só alguns loucos andavam de avião, comprávamos galinhas vivas e verduras trazidas à nossa porta nas costas de mulas, tínhamos grandes quintais e jardins, meninos não discutiam com adultos, mulheres não usavam calças compridas nem dirigiam automóveis e vivívamos tão longe de tudo que se dizia que, quando o mundo acabasse, só íamos saber uns cinco dias depois.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

A Jangada de Pedra...

União Ibérica, Bandeira, Portugal, Espanha
União Ibéria de Portugal e Espanha

Parece que há por aí uns tipos a sonhar com Uniões Ibéricas; bem verdade que isto anda tudo à deriva, mas daí a construirmos Jangadas de Pedra...

Jorge Matias, 17 Anos, Génio da Robótica

Jorge Matias, Robótica, Jovem Génio
Jorge Matias, fotografia de Miguel Pereira da Silva/Lusa (via)

Jorge Matias completou este ano o 11.º ano de escolaridade, mas já tem um vasto currículo na área da robótica e das novas tecnologias. 
Em 2013, foi campeão nacional de robótica (integrado na equipa ADoT – Associação Desenvolver o Talento/Município de Pinhel) e ficou em 5.º lugar no campeonato mundial Robocup, realizado na Holanda. 
Já foi convidado para integrar a equipa de Aveiro de futebol de robótica e para prosseguir os estudos na universidade de Oxford (Reino Unido). Atualmente, colabora com a multinacional Apple no desenvolvimento de aplicações informáticas, programa e constrói robôs para provas nacionais e internacionais, nas quais participa individualmente. 
O jovem autodidata também se orgulha de ter automatizado a casa e de ter participado no Encontro Nacional de Estudantes de Informática (ENEI 2014), em Aveiro, onde falou de dispositivos autónomos. O jovem contou à agência Lusa que o gosto pela informática e pela robótica começou aos nove anos, quando os pais lhe ofereceram, como prenda de aniversário, um “kit” da Lego, “que dava precisamente para programar e dar atividade” às peças. “Estive um ou dois anos a desenvolver por mim mesmo o ‘kit’ da Lego, depois tive conhecimento da ADoT, da Guarda, entrei para lá, estive durante dois anos e consegui adquirir grande parte dos meus conhecimentos”, disse. 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

«O correto uso do papel higiênico» A última crónica de João Ubaldo Ribeiro

João Ulbaldo Ribeiro, Viva o Povo Brasileiro
João Ubaldo Ribeiro lendo o seu romance Viva o Povo Brasileiro
 
O título acima é meio enganoso, porque não posso considerar-me uma autoridade no uso de papel higiênico, nem o leitor encontrará aqui alguma dica imperdível sobre o assunto. Mas é que estive pensando nos tempos que vivemos e me ocorreu que, dentro em breve, por iniciativa do Executivo ou de algum legislador, podemos esperar que sejam baixadas normas para, em banheiros públicos ou domésticos, ter certeza de que estamos levando em conta não só o que é melhor para nós como para a coletividade e o ambiente. Por exemplo, imagino que a escolha da posição do rolo do papel higiênico pode ser regulamentada, depois que um estudo científico comprovar que, se a saída do papel for pelo lado de cima, haverá um desperdício geral de 3.28 por cento, com a consequência de que mais lixo será gerado e mais árvores serão derrubadas para fazer mais papel. E a maneira certa de passar o papel higiênico também precisa ter suas regras, notadamente no caso das damas, segundo aprendi outro dia, num programa de tevê.

Excerto da última crónica escrita por João Ubaldo Ribeiro, versão completa no jornal O Globo.

João Ubaldo Ribeiro (1941-2014)

João Ubaldo Ribeiro
João Ubaldo Ribeiro
Itaparica, Brasil, 23 de Janeiro de 1941 - Rio de Janeiro, Brasil, 18 de Julho de 2014

Ainda estou incrédulo; soube apenas há instantes da morte de João Ubaldo Ribeiro, um dos meus escritores dilectos, um dos maiores escritores da Literatura em Língua Portuguesa, um dos escritores por quem secretamente torcia todos os anos para que fosse anunciado pela Academia Sueca. Escritor e jornalista, escreveu entre outras as seguintes obras: Sargento Getúlio, Viva o Povo Brasileiro, O Sorriso do Lagarto, A Casa dos Budas Ditosos, Diário do Farol, Um Brasileiro em Berlim, Política: quem mando, por que manda, como manda. Conheci-o um pouco tarde, mas depois de ler uma primeira obra, fui logo em busca de outras, e ainda não li tudo, os títulos citados são os que li. Estou triste. Estou de luto.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Ilha de Metarica - Memórias da Guerra Colonial, de João Carlos Roque

Ilha de Metarica - Memórias da Guerra Colonial, João Carlos Roque, Index ebooks
Ilha de Metarica - Memórias da Guerra Colonial,
de João Carlos Roque

Ilha de Metarica - Memórias da Guerra Colonial, de João Carlos Roque, será lançado no mercado, em versão digital, e em versão impressa, em sistema de "print on demand", na próxima quinta feira, dia 17 de Julho de 2014. É publicado pela INDEX ebooks.

Habemus Taça!

Alemanha, Argentina, Cartoon, Papa Bento XVI, Papa Francisco, Habemus Taça

Alemanha 1-0 Argentina - Nem Messi, nem o Papa Francisco...

Alemanha, Argentina, Papa Francisco, Junião, Cartoon
(fonte)

Nadine Gordimer (1923-2014)

Nadine Gordimer
Nadine Gordimer
Joanesburgo, África do Sul, 20 de Novembro de 1923 - Joanesburgo, África do Sul, 13 de Julho de 2014

Nadine Gordimer foi uma das vozes mais influentes e importantes na luta contra o appartheid; publicou romances, contos, uma peça, ensaios, e documentários / peças jornalísticas sobre o appartheid. Em Portugal encontram-se publicados alguns dos seus trabalhos (alguns provavelmente esgotados, pelas pesquisas que fiz nas livrarias online). Em 1990 (quatro anos antes do fim do appartheid) publica A História de Meu Filho [tenho a edição da Editorial Presença, que aparentemente já não publica Nadine Gordimer], considerado um hino literário contra a segregação racial na África do Sul. No ano seguinte recebe o Prémio Nobel da Literatura, tornando-se a primeira Sul-Africana a recebê-lo.

domingo, 13 de julho de 2014

Coreia do Norte - Portugal, a verdadeira final do Campeonato do Mundo de Futebol do Brasil!

A esta hora o planeta inteiro assiste à final do Campeonato do Mundo de Futebol, no Maracanã, Rio de Janeiro, Brasil. Como curiosidade, o Rio de Janeiro tornou-se hoje a segunda cidade a receber duas finais (embora a primeira, Brasil-Uruguai, em 1950, não fosse realmente uma final, mas o último jogo, de uma segunda fase com um grupo de quatro equipas num sistema de todos contra todos, que por acaso decidia quem seria o campeão), depois da Cidade do México (1970, 1986). O Maracanã (embora também não seja exactamente o mesmo estádio) torna-se também o segundo estádio a receber duas finais, depois do Estádio Azteca (1970, 1986). Uma última curiosidade: tal como em 1986, defrontam-se Alemanha e Argentina. Toda a gente? Não, na Coreia do Norte assiste-se à verdadeira final: Coreia do Norte - Portugal. Preciso dizer-vos quem ganha?


(O vídeo é falso... Mas tem piada de qualquer modo...)

Brasil 0-3 Holanda - Um jogo de Clasie, onde até um Blind marcou...

Holanda, Brasil, Cartoon, Blind, Clasie
(fonte)

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Coelho Desossado com Anchovas*

Coelho Desossado com Anchovas
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Coelho Desossado com Anchovas
Tempo de preparação: 1 hora
Tempo de cozimento: 2 horas e 15 minutos
Rendimento: 6 porções

Sirva como primeiro prato.

Ingredientes:

1 coelho novo de cerca de 1kg e 500g;
2 dentes de alho esmagado;
12 anchovas;
Sal q.b.;
Pimenta-do-reino q.b.;
4 colheres de sopa de queijo parmesão ralado;
6 tomates picados sem pele nem sementes;
200g de toucinho defumado, e picado;
1 xícara de chá de vinho branco seco;
20 cebolinhas pequenas.

Modo de Preparação:

1) Limpe o coelho. Lave bem e enxague. Desosse com uma faquinha afiada, sem deixar perder a forma. Tempere com o alho, o sal e a pimenta. Deixe tomar gosto por 1 hora. 

2) Tire as espinhas das anchovas e deixe de molho em água fria, por cerca de 1 hora. Escorra e enrole-as com um garfo. Reserve.

3) Abra o coelho sobre o mármore. Espalhe a metade das anchovas dentro dele e polvilhe o queijo ralado. Enrole o coelho com cuidado e amarre com barbante. Deixe tomar gosto por 1 hora.

4) Frite o toucinho até dourar. Retire e reserve. Na mesma gordura do toucinho, doure o coelho, junte as cebolinhas, o toucinho frito e o vinho. Tampe a panela e deixe cozinhar em fogo baixo por 45 minutos.

5) Acrescente os tomates, o restante das anchovas e cozinhe por mais 30 minutos.

6) Corte o coelho em fatias e sirva com o molho do cozimento.

(fonte)

*Inicio uma nova temática culinária no blog, pois julgo se suprema importância que todos os Portugueses conheçam diversas formas de preparação de refeições com base no Coelho, animal que tem sido subestimado enquanto fonte de alimento.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

segunda-feira, 7 de julho de 2014

TV PSD - Equipa e Programação do novo canal de TV por cabo, do Partido Social Democrata*

O PSD vai ter um Canal próprio de TV.A equipa técnica, que está ainda em debate, deverá incluir:

Director Financeiro: Oliveira e Costa
Provedor de Ética: Miguel Relvas

Para além dos normais Telejornais, conduzidos por Manuela Moura Guedes, a programação deverá incluir, no prime-time, uma série de “talk shows”:

Segunda-Feira: “CSI Oeiras”, com Isaltino de Morais
Terça-Feira: “Portugal dos Pequeninos”, com Marques Mendes
Quarta-Feira: “Moda e Elegância”, com Carlos Abreu Amorim
Quinta-Feira: “Macho Latino”, com Paulo Portas e Pedro Mota Soares
Sexta-Feira: “Ética nos Negócios”, com Dias Loureiro

Ao Sábado e ao Domingo, haverá dois Concursos de Cultura:

“De onde sopra o Vento?”, com Marcelo Rebelo de Sousa, e
“Quem matou a Velha?”, com Duarte Lima.

As manhãs da semana, serão abrilhantadas com um programa de Culinária:
“Os meus Aventais”, com Luís Montenegro.

Para assegurar a total independência do canal, estão ainda pensados diversos debates de membros do Governo, com os principais líderes da oposição: Manuela Ferreira Leite, José Pacheco Pereira e Rui Rio.

Nova edição de «Ernestina» de J. Rentes de Carvalho tem capa nova.

Ernestina, José Rentes de Carvalho, Capa, Nova Edição
Ernestina, de J. Rentes de Carvalho, tem uma nova edição, com uma capa nova - já por aqui disse que gosto muito das capas das edições da obra de J. Rentes de Carvalho, na Quetzal. Tivesse eu dinheiro para estas pequenas extravagâncias, e iria comprar esta nova edição, que eu gosto muito não só de ler os livros, mas também do livro-objecto - assim, fico-me apenas com a segunda capa (esta é a terceira, na Quetzal) desta obra magnífica. Para quem ainda não leu, aqui está uma sugestão que é sempre excelente.

domingo, 6 de julho de 2014

Como o Facebook Manipula o que vês no teu NewsFeed?

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Já toda a gente percebeu que o facebook não lhe apresenta todas as publicações dos amigos e das páginas de que gosta. Mas como é que o facebook escolhe o que é que aparece no mural (newsfeed) de cada pessoa? Aqui está uma tabela que explica de forma simples o processo. (fonte)

sexta-feira, 4 de julho de 2014

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A cultura é cara, a incultura é mais cara ainda...

Sophia de Mello Breyner Andresen
1 - A ARTE deve ser livre porque o ato de criação é em si um ato de liberdade. Mas não é só a liberdade individual do artista que importa. Sabemos que quando a Arte não é livre o povo também não é livre. Há sempre uma profunda e estrutural unidade na liberdade. Onde o artista começa a não ser livre o povo começa a ser colonizado e a justiça torna-se parcial, unidimensional e abstrata. Se o ataque à liberdade cultural me preocupa tanto é porque a falta de liberdade cultural é um sintoma e significa sempre opressão para um povo inteiro.

2 - NÃO PENSO que exista uma arte para o povo. Existe sim uma arte para todos à qual o povo deve ter acesso porque esse acesso lhe deve ser possibilitado através dos meios de comunicação. Primeiro os "aedos" cantaram no palácio dos reis gregos "o canto venerável e antigo". Era uma arte profundamente aristocrática. Depois os rapsodos cantaram esse mesmo canto na praça pública. E Homero, foi, como se disse, o educador da Grécia. Isto é: a cultura foi posta em comum. E por isso os gregos inventaram a democracia. A política começa muito antes da política.

Penso que nenhum socialismo real será possível se a cultura não foi posta em comum. Quando o aedo, ou poeta medieval cantavam na praça o seu poema era ouvido por todos, mesmo pelo analfabeto. E viajava por todo o país e de país em país: por isso o mirandês canta Mirandolim-Marlbourg.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sophia de Mello Breyner Andresen no Panteão Nacional...

Sophia de Mello Breyner Andresen, Ilustração
Ilustração de Diogo Ramos
25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andersen já está no panteão nacional; Cavaco Silva, que provavelmente nunca leu nada desta grande poetisa (para mim a melhor da língua portuguesa, a par da brasileira Cecília Meireles), já veio dizer-se rendido. Conseguiu assim, a Assembleia da República deste regime caduco, nem inteiro nem limpo, colocar Sophia na lapela. Sophia é maior que qualquer panteão, que qualquer regime; é uma princesa da língua portuguesa, habitante apenas dessa pátria maior, sem fronteiras desenhadas em mapa algum, uma pátria gravada na alma.