quarta-feira, 30 de abril de 2014

Workshop Fotografia de Bolso: Nos Bolsos do Mundo - Pinhel

Nos Bolsos do Mundo, Fotografia de Bolso, Fotografia com Smartphones e Tablets

Realiza-se em Pinhel, nos próximos dias 10 e 17 de Maio de 2014, o Workshop de Fotografia de Bolso, nos bolsos de Pinhel, para quem pretenda explorar as potencialidades da fotografia com smartphones e tablets. Quem esteja interessado pode obter mais informações na página Nos Bolsos do Mundo.

Vasco Graça Moura (1942-2014)

Vasco Graça Moura
Vasco Graça Moura - fotografia de Nuno Ferreira Santos/Público
(Foz do Douro, Portugal, 3 de Janeiro de 1942 - Lisboa, Portugal, 27 de Abril de 2014)

Os poemas que li de Vasco Graça Moura, bem como os romances que folheei em livrarias, nunca me despertaram interesse; parece-me mais interessante o trabalho enquanto tradutor: os Sonetos, de William Shakespeare, Rerum Vulgarium Fragmenta, de Petrarca, Fedra, Andromaca, e Berenice, de Jean Racine, O Misantropo, de Moliére, ou A Divina Comédia, de Dante Alighieri, entre outras. Comprei, para oferecer, algumas antologias organizadas por Graça Moura. Das traduções, gostaria de comprar O Misantropo, e A Divina Comédia - mas pelo facto de ter outras traduções mais antigas, nunca foram uma prioridade. Um dias destes, se ou quando sobrarem uns trocos, talvez compre os Sonetos de William Shakespeare - mas tendo em conta que me faltam outras obras mais urgentes do Bardo... Quanto a questões políticas, exceptuando a posição quanto ao "Acordo Ortográfico" (que nem sequer devia, nunca, ser uma questão política), sempre tive posições mais ou menos opostas. Até Sempre.

Post-Scriptum: Acho lamentável o eufemismo "doença prolongada" (e outros semelhantes) de muitos jornalistas; em Portugal a "doença prolongada" mata mais que a "apoplexia" nos romances de Eça de Queiroz.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

A Vida é Bela - Filme Completo - Post #1001

Filme já não está disponível

Não gosto de filmes dobrados, mas é o que se arranja. A Vida é Bela é o meu filme preferido - não sei se a vida será mesmo bela, mas o filme é. Não sabia que assunto arranjar para celebrar o post n.º 1001 neste blog - e então lembrei-me deste filme. Provavelmente já todos os meus caros leitores e queridas leitoras (ou ao contrário, tanto faz) o viram. Mas pode-se sempre ver de novo o que já foi visto. Obrigado a todas e a todos os que me visitam.

A Poesia Está na Rua: 25 de Abril de 1974

A Poesia Está na Rua, 25 de Abril de 1974, Cartaz Vieira da Silva
Concorri uma única vez a um prémio literário - a falar a verdade, nem sequer fui eu que concorri. Um amigo meu devia andar apaixonado pela sua professora de Português, pois outra razão não encontrei até hoje para me chegar um dia com um pedido inusitado e urgentíssimo. Queria um poema sobre o 25 de Abril para daí a duas horas, que era pouco mais que o tempo que faltava para o prazo de inscrição. Em meia hora fiz um rascunho, em verso livre, que não supunha que se pudessem escrever poemas sobre o 25 de Abril que não fossem em verso livre, mostrei-lhe, e perguntei-lhe se algo do género daquilo o satisfazia. Arrancou-me as folhas (eram duas folhas A5, três páginas) da mão dizendo que estava bom demais, que ele jamais escreveria qualquer coisa melhor que aquilo, e mesmo aquilo era já bom demais. A professora não era burra e ia desconfiar, e como tinha que ser a professora a indicar o poema para o concurso... Protestei, mas não me devolveu as folhas. Ainda tenho que escrever isto tudo com a minha letra - não tinhas nada mais pequeno? Para minha desilusão ganhou o primeiro prémio um soneto, em segundo lugar ficaram umas quadras com a métrica quase certa, e o meu poema livre conseguiu apenas o terceiro lugar. A professora disse-me que o meu poema era o melhor, mas... disse-me o meu amigo. Suponho que o desiludido mas não tivesse nada que ver com Literatura. Após este episódio, o meu amigo, que nunca lera nada, tornou-se um leitor compulsivo. Foi ele quem primeiramente leu o meu exemplar de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, aparição e manhã submersa depois de mim, O Ano da Morte de Ricardo Reis quando eu ia a meio e comecei a ler o Evangelho que ele me devolvera, O Memorial do Convento; sei que ainda lhe emprestei muitos outros, mas já não me recordo quais. No dia em que nos despedimos - sabíamos que provavelmente nunca mais nos voltaríamos a ver - veio ter comigo, meio envergonhado, com um exemplar de O Principezinho todo rabiscado. Era o único livro que tinha, mas queria que eu ficasse com ele. Não lho quis aceitar, mas ele nem sequer colocou essa hipótese. Guardo o livro com muito carinho.

Hogwarts School of Witchcraft and Wizardry

Hogwarts School of Witchcraft and Wizardry
Podia estar aqui a perorar sobre o 25 de Abril de 1974, ou a falar sobre o Dia Mundial do Livro, sobre Miguel de Cervantes Saavedra, sobre William Shakespeare, sobre o abismo para que caminha a Europa, sobre a morte anunciada do Bernardo, ou sobre mil e uma coisa importante. Mas não, venho apenas dizer que me inscrevi na Hogwarts School of Witchcraft & Wizardry. Os Gryffindor, como seria de esperar, são quem tem mais membros - no entanto, os Ravenclaw têm mais pontos. Por agora tenho que vos deixar, que está prestes a começar a minha primeira lição de Defense Against the Dark Arts. Parece que a professora é Lillian Mae - nunca cheguei a entender se após a morte de Tom Marvolo Riddle a maldição que recaía sobre os professores desta disciplina terminou...

quinta-feira, 24 de abril de 2014

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Mikkel Keldorf Jensen, Jorge Amado, e o Drama das Crianças Abandonadas

Capitães da Areia, Jorge Amado
Ontem, por causa das notícias que chegam do Brazil, pela mão do dinamarquês Mikkel Keldorf Jensen, relacionadas com crianças abandonadas de Fortaleza - quem não estiver a par, siga o link do perfil do facebook - não as vou reproduzir aqui porque me parece que algumas acusações são demasiado escabrosas para serem feitas sem provas - fui reler o romance Capitães da Areia, de Jorge Amado, que lera há mais de uma década. Na minha memória o romance acabava quando Dora se tornava uma estrela. É um romance belo e simples, mas também triste e doloroso - e mais dói pensar que ainda hoje há milhares (milhões?) de crianças abandonadas pelas ruas do Brazil (e do mundo) - mas dói-nos mais pensar nisso quando isso acontece na nossa língua - a nossa alma-nação espiritual. Gosto muito do Professor, do Sem-Pernas, do Gato. O drama do Pirulito decidindo se leva ou não o menino é inesquecível. O fim do Sem-Pernas é um doloroso grito silencioso - demasiado silencioso para um ser "humano" demasiado surdo. E o seu dilema entre deixar-se adoptar e a lealdade ao grupo de amigos que era a sua verdadeira e única família, um dilema demasiado grande para um corpo tão pequeno e tão carente de afectos. Gosto muito do Sem-Pernas.


Adenda (06/06/2014): Documentário The Prize of World Cup, de Mikkel Keldorf Jensen.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Raios Partam a Vida e Quem lá Ande! - Soneto Já Antigo - Soneto de Álvaro de Campos.


Olha, Daisy: quando eu morrer tu hás de
dizer aos meus amigos aí de Londres,
embora não o sintas, que tu escondes
a grande dor da minha morte. Irás de

Londres p'ra Iorque, onde nasceste (dizes...
que eu nada que tu digas acredito),
contar àquele pobre rapazito
que me deu tantas horas tão felizes,

Embora não o saibas, que morri...
mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar,
nada se importará... Depois vai dar

a notícia a essa estranha Cecily
que acreditava que eu seria grande...
Raios partam a vida e quem lá ande!


Andava aqui pela blogosfera / facebook a pensar em escrever um post sobre a questão shakespereana, mas depois deparei-me com esta fotografia que a minha irmã publicou, e vieram-me aos olhos os versos de Álvaro de Campos... Da esquerda para a direita: a minha prima, que não vejo há 14 anos, eu mesmo, perdido há 20 anos, a minha irmã, que quase toda a vida viveu longe de mim, o meu tio, que não vejo há 21 anos, e o meu pai, morto há 25 anos. Fotografia tirada cerca de de 3 meses antes da morte do meu pai, provavelmente em Agosto de 1988. Soneto de Álvaro de Campos. Fotografia tirada pelo Luís.

Acordo Ortográfico: a Fraude

Países Língua Portuguesa, Acordo Ortográfico

Nesta segunda-feira (21/04) gravei uma breve entrevista com o filólogo Sergio De Carvalho Pachá, que, em 2009, era Lexicógrafo-Chefe da Academia Brasileira de Letras (ABL) e conheceu os bastidores da reforma ortográfica mais absurda de que se tem notícia entre nós.

Pachá foi defenestrado da ABL por ter uma opinião privada (de caráter absolutamente técnico!) contrária ao acordo. Ele viu o gramático Evanildo Bechara transformar-se, num passe de mágica, de grande crítico da reforma em seu principal garoto-propaganda — para depois, com aparente sã consciência, editar um pequeno manual da nova ortografia, trazendo para as próprias algibeiras certamente mais do que as trinta moedas com que Judas vendeu Cristo.

O ridículo argumento da "união política entre os países lusófonos", como sabíamos previamente, não se cumpriu. Quem ganhou com a coisa no Brasil foram as editoras apaniguadas da "corte", que recebem milhões do governo para imprimir livros paradidáticos.

Trata-se de um depoimento histórico, dado por pessoa abalizada tanto pelo apuro do seu conhecimento lingüístico como pelos cabelos brancos e os alquebrados olhos, que a terra há de comer. Olhos de quem, como Gonçalves Dias no "I-Juca Pirama", pode muito bem dizer:

— Meninos, eu vi.

Reitero: entrevista concedida por uma autoridade em língua portuguesa que exercia papel importante na ABL quando da concepção do acordo ortográfico. Iniciativa esta chamada por Pachá de "fraude", sem meias palavras.

O material será apresentado ao público em breve.

Sidney Silveira, via ILC Contra o Acordo Ortográfico.

P. S. Sou contra qualquer acordo ortográfico sem as consoantes "mudas" e os acentos - especialmente o trema: saüdade, freqüente, delinqüente, etc. (leiam lá honestamente sem trema...) E que devolvam as consoantes todas - k, w, y - cysne fica melhor assim. E dansa com s é mais bonito. E que devolvam os acentos aos advérbios de modo. Etc. (E não julguem que estou a ironizar).

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Happy - Sport Lisboa e Benfica


Um dia destes voltaremos aos posts pretensamente sérios - agora estamos embriagados... porque não tem que ser sempre com vinho, com poesia, ou com virtude - também pode ser ao nosso gosto - ou misturando tudo, e o Sport Lisboa e Benfica não é apenas futebol, também é poesia, paixão, álcool - para as feridas e para a alma. Pronto, fiquem-se com o poema em prosa de um dos meus poetas dilectos, Charles Baudelaire:

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Gabriel García Márquez (1927-2014)

Gabriel García Márquez, Cem Anos de Solidão
Gabriel García Márquez
Aracataca, Colômbia, 6 de Março de 1927 - Cidade do México, México, 17 de Abril de 2014

Que há a dizer quando morre um génio? Do Gabriel García Márquez faltam-me ler alguns contos, que fui deixando porque sabia que provavelmente quando os lesse nada mais dele teria para ler. São poucos os escritores de quem li a obra completa (ou pelo menos tudo o que existe publicado): Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, e Franz Kafka. «Quando li aos 17 anos A Metamorfose descobri que seria escritor. Ao ver que Gregor Samsa podia despertar certa manhã transformado em um gigantesco escaravelho, eu disse para mim mesmo: ‘Eu não sabia que era possível fazer isto. Mas se é assim, escrever me interessa’.» Ninguém que tenha lido, pode esquecer o início de Cem Anos de Solidão - nem o fim - e quase de certeza o meio. Ainda assim, as minhas obras preferidas do Gabo são Ninguém Escreve ao Coronel, Crónica de uma Morte Anunciada, e Viver para Contá-la. As duas primeiras porque condensam em tão poucas páginas um génio imenso. Cem Anos de Solidão é uma explosão, um espectáculo pirotécnico que quem assiste jamais poderá esquecer. É um gigantesco e irónico ponto de exclamação, uma afirmação categórica do génio. Ninguém Escreve ao Coronel (e Crónica de uma Morte Anunciada) é um barril de pólvora que ameaça explodir - e embora saibamos desde a primeira página que não vai explodir, quando viramos a última página continuamos a saber que a qualquer momento pode explodir. Viver para Contá-la é uma obra soberba - eternamente inacabada - uma prova de que o génio era afinal humano (embora suspeite que caminhava num patamar invisível e superior, sem nunca deixar de pisar a mesma terra que todos nós). Quem conheça a biografia do Gabo (apenas quatro escritores me suscitaram até hoje interesse biográfico: Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Yukio Mishima, e Gabriel García Márquez) sabe como continua Viver para Contá-la, infelizmente nunca saberemos como ele a contaria - sabemos apenas que seria melhor contada.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Sorteio do Fisco...

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Cartoon de António Gaspar.

Mais dia menos dia começa o sorteio do fisco... Miseráveis, mas a bordo de um topo de gama...

Proscritos & Prescritos, uma "pequenina" diferença semântica...

Proscritos, Prescritos, Pobreza, Miséria, Desemprego, Fortunas, Cartoon, António Gaspar, Corrupção, Portugal
Cartoon de António Gaspar.
Proscritos & Prescritos, a diferença não é apenas semântica - e, paradoxalmente, embora o significado seja distinto, são faces da mesma moeda, num país onde a moeda de troca corrente é a corrupção. A proscrição de uns enche os bolsos de outros. Na medida em que aumenta o desemprego, a pobreza, e a miséria de uns, avolumam-se as fortunas de outros. À medida que é destruído o que é de todos, constrói-se o que é só de alguns. Warren Buffett tem razão quando afirma que vivemos uma guerra de classes - e fechar os olhos à luta apenas contribui para a perca de tudo quanto levou tantos séculos a construir. E no entanto, diariamente escuto, nas vozes aterradas das vítimas, a esperança que aqueles que diariamente nos conduzem para a catástrofe nos salvem...

Como ganhar o Euromilhões esta semana?

Países EuroMilhões, Euromilhões, Mapa Europa, Portugal, Espanha, França, Suíça, Áustria, Bélgica, Luxemburgo, Irlanda, Inglaterra, Escócia, País de Gales, ou Irlanda do Norte
A todas as pessoas que procuram no google, e outros motores de busca, resposta à pergunta «Como ganhar o Euromilhões esta semana?» tenho que informar que para ganharem o EuroMilhões esta semana, têm que fazer como na semana anterior e na semana seguinte - e - suspeito - como em todas as outras. Começa por jogar - num destes países: Portugal, Espanha, França, Suíça, Áustria, Bélgica, Luxemburgo, Irlanda, Inglaterra, Escócia, País de Gales, ou Irlanda do Norte...

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Citação, 21: Fome, de Kunt Hamsun

Fome, Knut Hamsun, Prémio Nobel de Literatura, Paul Auster, Cavalo de Ferro
Fome, de Knut Humsun
Prémio Nobel de Literatura 1920
Quando é que adquirimos um nome? Não no sentido de no-lo terem dado, mas no sentido, mais fundamental, de se ter conquistado o próprio nome. Esta pergunta surgiu na sequência da leitura do romance Fome (1890), do escritor norueguês Knut Hamsun (Nobel da Literatura em 1920). O romance conta-nos a vida de um jovem pretendente a escritor na cidade de Kristiania (actualmente, Oslo), entre o tempo da sua chegada e o da sua partida. É a história de uma derrota, a qual se consuma com a partida do protagonista da cidade. Para não morrer de fome, acabou por aceitar trabalho num barco de transporte de mercadorias para o estrangeiro. Nunca o leitor acede ao verdadeiro nome do protagonista. Ele não é apenas anónimo. É alguém que não conquistou o seu próprio nome e é como se o não tivesse.
Jorge Carreira Maia, sobre uma das minhas obras preferidas, no post Knut Hamsun, Fome, no blog Kyrie Eleison.

domingo, 13 de abril de 2014

Karakter, filme completo

(O Filme foi retirado do Youtube)

Há bastante tempo que não deixo aqui nenhum filme. Apresento-vos, a quem não conhece, o filme Belga-Holandês que em 1998 ganhou o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro: Karakter. É um dos filmes que mais vezes vi. Espero que gostem.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Amores e Saudades de um Português Arreliado, de Miguel Esteves Cardoso

Amores e Saudades de um Português Arreliado, Miguel Esteves Cardoso, Porto Editora
Um ano após Como é Linda a Puta da Vida, Miguel Esteves Cardoso regressa com mais um título bonito: Amores e Saudades de um Português Arreliado. Se há coisa em que Miguel Esteves Cardoso é um génio é na escolha de títulos que vendam. Há uma crónica (ou será no O Amor é Fodido?) dele sobre isso mesmo, mas não tenho presente em que obra seja, talvez em A Causa das Coisas, ou em Os Meus Problemas. Tenho que dar uma espreitadela, e, se me lembrar, logo aqui coloco a crónica em questão, não vão pensar que estou a gozar com os títulos de Miguel Esteves Cardoso. Sai para as livrarias dia 22 de Abril. A única coisa é a vida. A única coisa é a vida de cada um. Sem vida, nada feito. Viver não é a melhor coisa que há: é a única coisa. Cada momento da vida não é único. Mas há momentos únicos. A nossa felicidade não é passá-los como quisermos. É dar por ela a aproveitá-los. Continuo a preferir o grafismo das obras de Miguel Esteves Cardoso publicadas na Assírio & Alvim. Este também não tenciono comprar (restrições financeiras), e aqueles que me faltam da Assírio & Alvim (li-os todos emprestados, antes de ter exemplares meus), ainda não perdi a esperança de encontrar um bom negócio em segunda (ou terceira, ou quarta...) mão.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Grande Prémio de Romance e Novela APE 2012

E a Noite Roda, Alexandra Lucas Coelho, Grande Prémio de Romance e Novela, Associação Portuguesa de Escritores, APE, 2012


A vontade deste governo, estou convencido, é acabar com o Grande Prémio de Romance e Novela; acabar, aliás, com todos os prémios - e associações - que cheirem a cultura. A vontade deste governo, estou convencido, é fazer o mesmo que fez o Estado Novo em 1965 com a Sociedade Portuguesa de Escritores, aquando da entrega do Grande Prémio de Novela a Luandino Vieira. Episódio de que saiu, como estarão ou não recordados, muito mal na fotografia um dos meus escritores portugueses preferidos, Joaquim Paço D' Arcos, facto que ainda hoje se abate como uma maldição sobre a sua obra. Adiante. De novo, a palavra a Alexandra Lucas Coelho (desta vez publico a nota completa, que pode ser encontrado nesta nota, no facebook da escritora). Mas antes, não, nada disto me surpreende:

13 Livros Proibidos (Censurados) pelo Estado Novo

Gaibéus, Alves Redol
O Público lança mais uma colecção de livros; desta vez são 13 livros proibidos - não sei o porquê da escolha desta palavra - pelo Estado Novo. Uma colecção interessante para quem ainda tiver alguns trocos para gastar em livros. Eis os 13 títulos escolhidos: Gaibéus, de Alves Redol; Histórias de Amor, de José Cardoso Pires; Fátima, de Tomás da Fonseca; Povo, de Afonso Ribeiro; Quando os Lobos Uivam, de Aquilino Ribeiro; O Encoberto, de Natália Correia; Vagão J, de Virgílio Ferreira; Rã no Pântano, de António de Almeida Santos; Minha Cruzada Pró-Portugal, de Henrique Galvão; Um Auto para Jerusalém, de Mário Cesariny de Vasconcelos; Diário VIII, de Miguel Torga; Refúgio Perdido, de Soeiro Pereira Gomes; e Escritos Políticos, de Mário Soares. Estes livros são fac-similados das primeiras edições, e vêm acompanhados pelos relatórios oficiais de censura, podendo assim ler as perigosas "razões" que levavam a censura a proibir a liberdade de expressão e de pensamento.

O antigo sapateiro que, com 179 anos, era a pessoa mais velha do mundo, mas que afinal já não é...

Sapateiro Indiano, Pessoa mais velha do mundo, homem mais velho do mundo
O antigo sapateiro indiano, com 179 anos de idade, afinal não é a pessoa mais velha do mundo. É verdade, era tudo mentira. E nem sequer era o dia das mentiras, porque para os jornalistas esse dia generalizou-se a todos os dias do ano - por este andar da carruagem ainda hão-de instaurar no dia 1 de Abril o Dia da Verdade. Quem é que se importa, afinal, com a verdade, quando se tem uma história tão boa. Para quê confirmar as fontes? 179 anos? Nem é assim tanto... Não acreditam? Alguns exemplos de pessoas bem mais velhas:

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Silêncios, de Filipe Marinheiro*

Silêncios, Filipe Marinheiro, Poesia, Chiado Editora
«Silêncios» de Filipe Marinheiro, 
Press Release

Filipe Marinheiro nasceu em Coimbra, 30 de Julho de 1982. É natural e reside em Portugal Cidade de Aveiro. Poeta. Chegou em Dezembro de 2013 às livrarias o novo livro de Filipe Marinheiro intitulado “Silêncios” pela Chiado Editora. A obra reúne cerca de 270 poemas inéditos em 378 páginas.

Em desdobramentos melancólicos entre poesia em prosa e verso, a realidade poética é uma densa complexificação que devora o universo e é, ao mesmo tempo, devorada por ele. A escrita desta segunda obra do jovem poeta é pautada pela construção e desconstrução da linguagem, resultando numa poesia de transfiguração e transmutação, caracterizando o sujeito poético como plural, obscuro e enigmático. Léxicos múltiplos, caminhos diversos para dar a conhecer os diferentes acontecimentos da sensibilização, a fim de exprimir o que mais puro existe na existência. Em “Silêncios”, a rebeldia e fragmentação da linguagem quase que hipnotiza a atmosfera envolvente, desenvolvendo uma sobre-realidade alquímica e mística, purificando a própria palavra e o vazio absoluto.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Combata a Fraude

Combata a Fraude, Carris, Metro, Transportes de Lisboa
Combata a Fraude, Governo, Administração do Metro, Administração da Carris

Cabe a cada um decidir que fraude combater - aliás, decidir qual das fraudes é da sua responsabilidade combater...

«O meu país não é deste Presidente, nem deste Governo» - Alexandra Lucas Coelho

Alexandra Lucas Coelho
Alexandra Lucas Coelho
Fotografia de Miguel Manso - Público

Nenhuma arte é panfleto, se é panfleto não era arte. Ao mesmo tempo, toda a arte é política, no sentido em que não existe sem um outro, que pode ser apenas um. O determinante não é que sejam muitos mas que exista uma relação. Que algo actue entre um e outro.

Este livro é político, como todos os que fiz, como tudo o que faço, pelo simples facto de me pôr em relação com outros. Estar aqui hoje é político, falar em público é político. Onde há um colectivo há política.

O meu feitio seria mais não estar, mas encaro isto como parte de um trabalho que aceitei fazer desde que comecei a publicar, por acreditar que podia, devia, contribuir para os livros chegarem a mais alguém, respeitando eu tanto quem se recusa a fazer isso como quem o faz, por razões que são de cada um e de mais ninguém.

A minha opção é política, digamos. Uma forma de participação, de agir além da militância partidária. A militância não é a minha coisa, ainda bem que é a coisa de pessoas que admiro, entre os quais conto amigos. A minha coisa é escrever, falar dos livros, conseguir fazer disso uma acção.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Keep Calm que eu Acardito...

Keep Calm que eu Acardito, Jorge Jesus, Sport Lisboa e Benfica,
(fonte)
Vamos lá ver se à terceira é de vez, que já não há calma que aguente perder um campeonato na recta final. «O que mais queremos é voltar a ser Campeões.»

A Ideiateca de Manuel Forjaz


Uma leitora do blog alertou-me para o caso Ideiateca. Obviamente o post In Memorian de Manuel Forjaz não pretende limpar a imagem de ninguém. Desconheço os contornos deste caso - que suponho um caso de justiça. Se acredito na justiça portuguesa? - Não. Mas isso é outra questão. Infelizmente os casos de abertura e fecho de empresas é o prato do dia em Portugal - há muitos anos. Espero ter respondido às inquietações...

domingo, 6 de abril de 2014

Manuel Forjaz (1963-2014)

Manuel Forjaz, Posso Morrer de Cancro mas o Cancro nunca me matará
Manuel Forjaz
Lourenço Marques (actual Maputo), Moçambique - 13 de Agosto de 1963
Estoril, Portugal - 6 de Abril de 2014


Foi um dos poucos empreendedores com o qual concordei, de quando em quando. Dizia-se de Esquerda, e Católico. Entre os seus últimos desejos: não quer ninguém vestido de preto. Apesar de algumas discordâncias, era um Homem que admirava. Até Sempre.

sábado, 5 de abril de 2014

José Wilker (1947-2014)

José Wilker, Roque Santeiro
José Wilker
Juazeiro do Norte, Ceará, 20 de Agosto de 1947 - Rio de Janeiro, 5 de Abril de 2014

Tinha seis anos quando a novela Roque Santeiro começou a ser exibida em Portugal - já não me recordo de quase nada, a não ser que gostava muito da personagem Zé das Medalhas. Sei que foi uma das únicas novelas que segui atentamente - que via quase religiosamente, para depois narrar aos meus pais, quando não conseguiam chegar a casa a tempo do episódio. José Wilker era o Roque Santeiro.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Jorge Fallorca (1949-2014)

Jorge Fallorca
Jorge Fallorca
Fotografia de Fábio Teixeira

(Ainda não tinha oportunidade, hoje, de ler os blogs que sigo, e logo no primeiro onde calhei a ir fiquei a saber da triste notícia... Escritor, Poeta, Tradutor, Blogger... Um dos bloggers que há mais tempo leio, O Cheiro dos Livros. Até Sempre...)

A Europa de Acordo com o Suíços

Suíça, Suíços, Europa, A Europa de Acordo com os Suíços

Os 10 Escritores Portugueses...

O Sítio do Picapau Amarelo, Monteiro Lobato
O que eu não daria para ter estes livrinhos todos...

Como não tenho mais que fazer, e não quero desagradar à Tia Jonet, ocupei um pouco do meu demasiado tempo livre a verificar quais os 10 Escritores Portugueses que mais compro* - verifiquei assim que a memória não me traiu, e são mesmo os que refiro em comentário ao post Os 10 Escritores Portugueses que mais Vendem (ordem quase ao acaso): 

Fernando Pessoa, José Saramago, José Maria Eça de Queiroz, J. Rentes de Carvalho, Mário de Sá-Carneiro**, Mário Cesariny, Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner Andresen, António Lobo Antunes, Manuel Poppe. Depois, ainda com bastantes volumes, mas fora do top 10: Camilo Castelo Branco, Almeida Garrett, Jorge de Sena, Luís Vaz de Camões, e Gil Vicente. 

Verifiquei também que os 10 Escritores Brasileiros que mais compro* são (ordem quase ao acaso): Joaquim Maria Machado de Assis (ainda assim são muito menos que aqueles que já li, que a obra está toda disponível na internet), Jorge Amado (é o escritor Brasileiro de que tenho mais livros); João Ubaldo Ribeiro (talvez o meu preferido, a par de Rubem Fonseca, e Machado de Assis, embora o meu livro preferido seja mesmo Capitães da Areia, de Jorge Amado), Rubem Fonseca, Cecília Meireles, João Cabral de Melo Neto, Dalton Trevisan, Lygia Fagundes Telles, Manuel Bandeira, e Monteiro Lobato (tenho todos os livros da série O Sítio Picapau Amarelo em pdf, uma vez que não os consigo de outra forma)...

Quanto a autores lusófonos de outras paragens... é uma absoluta miséria.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Portugal não é um País Pequeno...

Antes: Portugal é (Ultra)Mar.

Portugal não é um país pequeno, Mar, Ultramar, Colónias

Agora: Portugal é Mar

Portugal não é um país pequeno, Mar, Ultramar, Colónias

Portugal não é um País pequeno... É um país pequenino...

Isabel Jonet e a Miséria a que chegámos

Um dos mais desagradáveis sintomas do estado a que chegámos é a miséria intelectual (nem refiro a miséria ética e moral - que essa sempre grassou por aí, pelos jornais, revistas, televisões, rádios, e outros pasquins), dizia, a miséria intelectual que todos os dias nos tenta engravidar pelos ouvidos, pelos olhos, e por qualquer buraco que nos apanhe desprevenido. Ele é os marcelos rebelos de sousas (que há muito andavam por aí, como sabemos) e os miguéis gonçalves e as isabéis jonets (estes multiplicam-se como caracóis, peganhosos e tudo) com os empreendedorismos e os voluntariados, com as punhetas, e os brioches. Não, não é fácil ter que gramar estas anedotas secas.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Fernando Pessoa, documentário da série Grandes Portugueses


Três notas rápidas após um visionamento meio distraído do programa/ documentário sobre Fernando Pessoa, na série Grandes Portugueses (obviamente, para mim, Fernando Pessoa foi o maior Português do século XX, senão o maior de sempre, se é que é possível medir-lhes a altura):

Primeira: Fernando Pessoa publicou, em vida, cinco livros, e não um, como é dito: 35 Sonnets (1918); Antinous (1918); English Poems I-II (1921); English Poems III (1921); e Mensagem (1934). Este é um dos mitos mais difundidos sobre Fernando Pessoa: que apenas publicou um livro em vida. Se quiserem colocar a Língua à frente da Literatura, então digam a verdade: publicou apenas um livro em Português.

Segunda: Chuva Oblíqua [25:52 - 26:12], poema publicado pela primeira vez na revista ORPHEU, n.º 2, Lisboa: Abr-Jun, 1915, poema interseccionista, é óbviamente de Fernando Pessoa, ele mesmo, e não de Álvaro de Campos, como é dito.

Terceira: Havendo quatro livros de Fernando Pessoa a recomendar, como é feito no final do programa, estes têm que ser - na minha opinião, claro - sempre: Livro do Desassossego, de Bernardo Soares; Poesia, de Alberto Caeiro; Poesia, de Álvaro de Campos; e Poesia, de Ricardo Reis. [Dependendo das edições, em vez de Poesia de... pode aparecer no título Poemas de...]

Não foi apenas o Dia Triunfal que foi uma ficção verdadeira...

terça-feira, 1 de abril de 2014

Em memória de Torquato da Luz


Torquato da Luz, Autógrafo,
Já passou mais de um ano desde que Torquato da Luz partiu. Estive esta semana que passou a reler os livros que carinhosamente sempre me enviava. Não encontrei pela blogosfera quem o recordasse nesta data, ele que escreveu durante anos no blog Ofício Diário, que chegou a ser um dos mais visitados da blogosfera nacional. Deixo aqui este post como homenagem a este amigo, onde quer que se encontre. Passem no blog Ofício Diário - ler os poemas que nos deixou é talvez a melhor homenagem.

O Dia das Mentiras do Google Adsense

Adsense, Relatório Receitas, Dia das Mentiras
O Google* decidiu brincar ao Dia das Mentiras, no Google Adsense, e eu fiquei a pensar que o meu computador tinha sido infectado por algum vírus. Enfim, permitiu-me saber que não tenho visitas nem de marcianos, nem de terráquios, nem de lunáticos - pronto, de lunáticos devo ter... Fiquei assim a saber que a maior parte das visitas aqui ao tasco provém da Europa, a única lua habitada do Sistema Solar. 

*Não sei porque mas tenho sempre tendência a imaginar que o Google é do género feminino - aquilo parece uma daquelas carteiras das mulheres onde se encontra tudo...

"O" Dia das Mentiras

Pedro Passos Coelho, Mentiroso, Mitomaníaco, Pinóquio

Eu queria dizer-vos uma mentirinha inocente, mas com tamanha concorrência todos os dias, torna-se-me difícil pensar nalguma coisa - um amigo meu enfiou-me uma peta: que tinha encontrado emprego - e eu caí que nem um patinho...

(O Carlo Collodi não merecia ver a sua genial personagem assim associada a esta trupe de mitomaníacos..)

Portugal Topo de Gama

Portugal, Pobreza, Miséria, Audi, Topo de Gama, Sorteio do Fisco
Cartoon de António Gaspar

Um governo digno, consciente dos seus deveres, respeita e educa os cidadãos, não os insulta nem alicia com brindes. É falta de vergonha tratá-los como débeis mentais, querer agradar-lhes com lotarias, acenar-lhes com luxo quando a realidade em que o povo vive é a da miséria.
Infelizmente, e para mal de todos, na nossa desgraçada pátria não o são apenas os carros do burlesco sorteio, topo de gama é também a bacoquice governamental.

J. Rentes de Carvalho, no Tempo Contado.