quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Mário Coluna, o Eterno Capitão

Cesare Maldini, Mário Coluna, Sport Lisboa e Benfica, Milan A. C., Eterno Capitão
«Nasci Moçambicano, tornei-me também Português, e a tudo isto juntei a cereja em cima do bolo: sou Benfiquista até morrer.» 

Até Sempre, Eterno Capitão, Mário Coluna.

Mapa da Europa, por Sébastien Laurent

Europa, Europe, Mapa, Map, Carte, Sébastien Laurent

A Europa, vista por Sébastien Laurent. Mais uma «polémica» repetitiva - mapas destes há por aí aos montes e vales - e até aos pontapés. Cliquem na imagem para ampliar - ou aqui. Quanto a chamar «Pedreiros Peludos» aos Portugueses - até acho bastante simpático...

«Mas não é isso que eles querem ouvir.»

De regresso a Berlim, bati à máquina o meu relatório. As minhas conclusões eram pessimistas, mas lúcidas: a direita francesa era fundamentalmente contra a guerra, mas politicamente o seu peso era reduzido. O governo, influenciado pelos judeus e pelos plutocratas britânicos, decidira que a expansão alemã, ainda que nos limites do seu Grossraum natural, constituía uma ameaça para os interesses vitais da França; iria para a guerra, não em nome da própria Polónia, mas em nome das suas garantias à Polónia. Transmiti o relatório a Heydrich; a seu pedido, entreguei também uma cópia a Werner Best. «Você tem com certeza razão, penso eu», disse-me este último. «Mas não é isso que eles querem ouvir.» Eu não discutira o meu relatório com Thomas: quando lhe descrevi o seu teor, ele fez um esgar de desagrado. «Tu realmente não entendes nada de nada. Parece que acabas de desembarcar do mais fundo da Francónia.» Thomas escrevera exactamente o contrário: os industriais franceses se opunham à guerra em nome das suas exportações, e por conseguinte também o exército francês se lhe opunha, e que uma vez mais o governo acabaria por inclinar-se perante o facto consumado. «Mas sabes perfeitamente que não é assim que as coisas se vão passar», objectei eu. - «O que é que nos interessa o que se vai passar? Em que é que isso nos importa, a ti e a mim? O Reichsführer só quer uma coisa: poder garantir ao Führer que poderá ocupar-se da Polónia como entender. Do que acontecer depois, trataremos depois.» Sacudiu a cabeça: « O Reichsführer nem sequer verá o teu relatório.»

Jonathan Littell, em As Benevolentes, pp. 62-63, 1.ª edição, Lisboa: Dom Quixote (Dezembro de 2007).

O espaço vital alemão é-nos mortal - Ferreira Fernandes.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Planeta Terra à Noite: Coreia do Norte desaparece do Mapa...

Earth, Planeta Terra, Noite, Night
Imagem do Planeta Terra durante a noite - imagem em grande resolução, da NASA, aqui.
De vez em quando as notícias que já não são notícias para ninguém regressam - desta vez a 321 Km de altitude:

Mário Esteves Coluna (1935-2014)

Mário Coluna
Mário Esteves Coluna
(Ilha da Inhaca, 06-08-1935 - Maputo, 25-02-2014)




Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Jorge Amado

Fiquei a saber pelo post do Carlos Azevedo, Uma apologia da resignação e da subserviência, que António Carneiro Pacheco, ministro da Educação de Salazar, defendia «um lugar para cada um e cada um no seu lugar». Fez-me isto recordar o farmacêutico metódico Teodoro, com quem Dona Flor casa após o falecimento de Vadinho, cujo lema, pendurado na farmácia, era "Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar". Talvez isto seja um lema antigo - mas por momentos pensei que António Carneiro Pacheco lesse Jorge Amado. Porém António Carneiro Pacheco estava já morto e enterrado quando o romance de Jorge Amado foi publicado - o primeiro morreu em 1957 - o segundo foi publicado em 1966. Ter-se-à Jorge Amado inspirado no ministro português para construir a sua personagem, conservadora, por oposição ao outro marido de Dona Flor? Suponho que Laurence Sterne tivesse qualquer coisa a dizer quanto a isto.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

MtGox fechou - o fim da BitCoin - ou uma nova era?

BitCoin, MtGox
Tinham BitCoins no MtGox.com? Tenho uma certa esperança nesta moeda - parece que o Passos Coelho - e companhia - que parece ilimitada - não tinha como roubar ali - mas houve um esperto (ou vários) que roubaram 744 000 BitCoins ao banco virtual... Os meus restinhos de BitCoins (que não chegam a 0.00001 Bitcoin, estão guardados na minha carteira virtual - mas, por agora, não tenho onde os trocar...)

19.ª Feira das Tradições

(Cliquem para Ampliar)

Costuma ter lá uns licores óptimos. Quanto às Tradições - e actividades económicas... *suspiro*

Fim*

The End Dead End Fim Fin Fine


Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

*Poema de Mário de Sá-Carneiro

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Uma Mentira Mil Vezes Repetida, de Manuel Jorge Marmelo

Uma Mentira Mil Vezes Repetidas, Manuel Jorge Marmelo, Prémio Correntes d'Escritas 2014, Quetzal
Manuel Jorge Marmelo venceu, com Uma Mentira Mil Vezes Repetida, o Prémio Correntes d'Escritas 2014, na 15.ª edição do festival literário Correntes d'Escritas, que decorre anualmente na Póvoa de Varzim. O prémio é atribuído todos os anos, alternando entre uma obra em prosa e uma obra de poesia. Quem tiver a oportunidade de se deslocar à Póvoa de Varzim, pode ouvir o autor hoje, 21/02/2014, pelas 22h00, na Mesa 5, com o tema Cada livro é a antologia corrente da existência, onde participam também Carlos Quiroga, Joana Bértholo, Manuel da Silva Ramos, Miguel Sousa Tavares, Ondjaki, e Rui Zink. A moderação é deita por Michael Kegler.

Os meus parabéns a Manuel Jorge Marmelo; pode ser que as vendas - muito justamente - lhe permitam viver profissionalmente da escrita; e que as visitas ao seu blog Teatro Anatómico (que sofre também do abandono generalizado da blogosfera) aumentem - e que isso lhe dê motivação para lá escrever mais frequentemente. Neste país em ruína (económica, financeira, social - mas pior ainda, cultural e moral) é bom saber que aqueles que não se vergam nem se vendem ainda vão tendo algum reconhecimento.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Os descendentes dos Navegadores, e &c.

Fernando Tordo,

Ouço frequentemente indivíduos extasiados de súbito e momentâneo patriotismo afirmarem algo absolutamente fabuloso (do domínio das fábulas, portanto) e surpreendente: que somos, os Portugueses, descendentes desses que partiram à conquista do mundo, que deram novos mundos ao mundo, que exploraram lugares então desconhecidos, os idealizados Navegadores (e Colonizadores). Pois. Mas não somos. Nós, os Portugueses, somos, e teimamos em ser, os descendentes dos que ficaram. Os que partiram são hoje Brasileiros, Angolanos, Goeses, Malaios, São-Tomenses, Cabo-Verdianos, Moçambicanos, Macaenses, Timorenses - apenas para citar alguns. Outros, vítimas de outras purgas, de outras partidas, são hoje Franceses, Suíços, Alemães, Americanos, Canadenses, Luxemburgueses, Belgas, Holandeses... E aqueles, que por acasos do destino, tiverem os genes desses que partiram, hão-de partir... Até que fiquem apenas, com o seu paradisíaco deserto e a sua inveja endémica, marqueses arruinados, com os seus reality shows na televisão, as telenovelas e a vergonha - se a tiverem - mas não acredito que a tenham.

Carta de João Tordo, ao seu pai, Fernando Tordo, que aos 65 anos partiu para o Brasil:

Ontem, o meu pai foi-se embora. Não vem e já volta; emigrou para o Recife e deixou este país, onde nasceu e onde viveu durante 65 anos.

A sua reforma seria, por cá, de duzentos e poucos euros, mais uma pequena reforma da Sociedade Portuguesa de Autores que tem servido, durante os últimos anos, para pagar o carro onde se deslocava por Lisboa e para os concertos que foi dando pelo país. Nesses concertos teve salas cheias, meio cheias e, por vezes, quase vazias; fê-lo sempre (era o seu trabalho) com um sorriso nos lábios e boa disposição, ganhando à bilheteira.

Ainda (ou outra vez): Portugal, a Flor e a Foice

Portugal, a Flor e a Foice, José Rentes de Carvalho
Portugal, a Flor e a Foice, José Rentes de Carvalho



No começo dos anos 80 um conhecido editor português pediu-me para ler o manuscrito, e logo de seguida foi franco:
- Editar isto? Nem pensar! Agora não, daqui a trinta anos também não!
Trinta anos passaram e provavelmente continuará inédito, mas que isso não obste.

J. Rentes de Carvalho, daqui.

Monstruoso concubinato o de certos escritores portugueses com a Censura, escrevendo com o propósito de serem censurados e assim alcançarem o nadinha de notoriedade que, doutra forma, os seus escritos nunca lhes dariam. A mostrarem depois cicatrizes da alma como quem pendura medalhas num uniforme – para que se veja. E queixando-se da falta de liberdade, esquecidos de que a liberdade não é coisa que se receba doutrem, mas direito que se tem.
Se não fosse a Censura, diziam, escreveriam coisas grandiosas e quando chegasse a liberdade eles iriam tirar das gavetas os manuscritos lá escondidos, as obras primas, os soluços abafados pelo fascismo.
A liberdade chegou com o 25 de Abril, mas as gavetas nada continham. A Censura e o fascismo tinham sido a desculpa fácil, o pretexto visível a cobrir um mal mais profundo que a falta de talento: a demissão perante a realidade política e social do país, o alheamento voluntário em malabarismos de uma intelectualidade duvidosa.

J. Rentes de Carvalho, em Portugal, a Flor e a Foice. Agora que Portugal, a Flor e a Foice, está a chegar finalmente às livrarias (ainda não consegui saber em que abençoado dia chegará dia 21 de Março de 2014 chega às livrarias), convém não esquecer que esta obra (aliás, toda a obra do escritor) foi vítima da mais cobarde censura, a censura do silêncio e da indiferença, a censura da promiscuidade e da prostituição, a censura sem rosto. Foi vítima da nacional cobardia daqueles que, domesticados, fazem fila para ver quem primeiro beija a mão que os oprime. Foi vítima das colunas vertebrais dobradas, que guerreiam entre si, lutando pelas migalhas que caiem das mesas onde lhes negam o assento. Foi vítima dos interesses mesquinhos daqueles a quem convém ladrar aos interesses instalados - para obterem os aplausos - ao mesmo tempo que lhes piscam o olho, como quem diz, não tenhais receio que não mordemos - para obter a bênção. Foi vítima - mas nunca se vergou perante os carrascos. Teve um caminho difícil, mas conseguiu chegar. Também por isto - os meus parabéns (e agradecimento) a J. Rentes de Carvalho. Houvesse mais Portugueses assim...

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Harry Potter e a Pedra Filosofal

Harry Potter e a Pedra Filosofal, J. K. Rowling
O post do Pedro Correia pôs-me a pensar como é que cheguei ao Harry Potter. Foi assim: comprei Harry Potter e a Pedra Filosofal numa feira do livro dum hipermercado (não vou fazer publicidade - aconselharia até toda a gente a não comprar em hipermercados desses mega-grupos económicos que secam tudo à sua volta, como os eucaliptos - ai se os consumidores fossem inteligentes!). Foi numa tarde de Agosto do ano 2000, antes de entrar para a faculdade - tinha lá ido com um amigo fazer compras para a sua festa de aniversário - razão porque até sei a data exacta, mas não importa para aqui. O dinheiro era muito pouco - ele nunca cresceu - motivo porque duvido que fazer anos seja sinónimo de crescer - e como sou muito original no que concerne a prendas de aniversário: ofereço sempre livros - veio mesmo a calhar que houvesse uma feira do livro. Tinha acabado de ler Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade, de Sigmund Freud, que lera pela mesma razão que leio frequentemente: porque me apetece ler qualquer coisa. Do Harry Potter nunca tinha ouvido falar, mas como eram os livros mais baratos, comprei para mim e para o meu amigo. Li o Harry Potter na noite seguinte, que nesse dia houve festa até tarde. Na época estavam publicados em Portugal os três primeiros volumes dos sete que completam a série. E em Inglaterra havia saído o quarto. Alguns meses mais tarde, no fim-de-semana a seguir ao lançamento do quarto volume traduzido para Português, comprei Harry Potter e a Câmara dos Segredos, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, e Harry Potter e o Cálice de Fogo. Foi no sábado à tarde, tinha ido às compras, que não tinha comida em casa, a um hipermercado - que já não havia mais nada aberto por perto - e quando vi que tinham os volumes anteriores em promoção, comprei logo os três. Li-os nessa noite e na tarde e noite de domingo. Os livros seguintes da série, comprei-os sempre na data de lançamento - ainda não voltei à literatura mainstream - quer dizer, comprei o 2666, do Roberto Bolaño no dia de lançamento - até hoje continuo a pensar que o Francisco José Viegas e a Quetzal me enganaram com uma enorme acção de marketing. Prefiro os clássicos.

Post-Scriptum: E se a Igreja contratasse J. K. Rowling para reescrever a Bíblia?

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A Grande Aventura dos Livros Grátis: as minhas escolhas

A Grande Aventura dos Livros Grátis, Leonardo da Vinci

Aqui estão as minhas escolhas na promoção A Grande Aventura dos Livros Grátis. Após ponderada - e difícil - porque é difícil ouvir a palavra «grátis» e não poder trazer todos - reflexão, decidi-me por estes três: O Olho de Apolo, de Chesterton, O Convidado das Últimas Festas, de Villiers de L'Isle-Adam, e O Amigo da Morte, de Pedro A. de Alarcón. Já não cheguei a tempo de alguns, e ainda pensei nos de John dos Passos - se os três disponíveis fossem os três que compõem a trilogia U.S.A. provavelmente teria optado por este autor - que está há muito na minha lista mental de autores a ler. Na encomenda (ainda me falta pagar os portes de envio - 4,80€ -, mas às 03h00 da manhã não tenho nenhum multibanco por perto) apareceu o envio de um quarto livro grátis - não sei se é engano ou não - o melhor se calhar era estar calado - e esperar que chegasse. E não, não esperem que eu devolva um livro se vier por engano. Honestidade, tudo bem - mas com livros não caio nesses exageros morais, nem me deixo levar por subtilezas éticas - açambarco tudo quanto posso. Obrigado, Editorial Presença, por me fazeres parecer um garoto a esta hora da manhã.

Interrupção - de manuel a. domingos

Miguel de Carvalho, Interrupção, manuel a domingos, anjo, angel

Interrupção
Edição do autor
2014

Fotografia de capa por Miguel de Carvalho e desenho de  Carla Ribeiro. Composição e paginação de Pedro Ribeiro,  numa tiragem única de 100 exemplares, dos quais vinte numerados de 1 a 20 pelo autor e cinco numerados de I a V pelo autor, ilustradora e fotógrafo, no mês de Fevereiro de 2014.

Normais: 8 euros
Numerados e assinados de 1 a 20: 10 euros
Portes de envio: incluídos.

pedidos para:

manueldomingos[arroba]gmail[ponto]com

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A Vasconcelização do País...

Joana Vasconcelos

A embrulhadora-mor, enfeitadora oficial, escultora do estado (a que isto chegou), artista do regime (que ninguém sabe que regime seja: aparentemente seria de dieta de emagrecimento, mas só se vêem emagrecer aqueles que já estão magros de uma magreza de pele-e-osso-e-vê-se-te-anguentas-em-pé), ou lá o que ela é, volta a atacar - mas porque raio se queda pelas chaimites? Porque não há-de embrulhar a merda do país inteiro, que nem precisa de mecenas, com os enfeites que tem à disposição no palácio de belém, no da ajuda, no de são bento, no das necessidades, ...?


A Grande Aventura dos Livros Grátis*

A Grande Aventura dos Livros Grátis, Editorial Presença

Parece que a Editorial Presença vai voltar a dar alguns livros (pagam os portes de envio, se for como em ocasiões anteriores). Normalmente não são livros de encher o olho, uns policiais de segunda ou terceira categoria (tenho uma gula insaciável por este género literário - mas alguns são tão mauzinhos que metem dó: não admira que estejam a encher os armazéns da editora - e que esta os queira despachar - em vez de os mandar para a guilhotina, faz uma operação de publicidade, marketing, e captação de e-mails/potenciais clientes); o melhor que consegui foi um livro de Lygia Fagundes Telles. Pode ser que este ano haja algo que se aproveite... Enfim, têm páginas... (O concurso poderá ser aqui...)

*publicidade ao evento/editora completamente gratuita.

Dia dos Namorados*

Amor, Amour, Love, Cupido, Frank Uyttenhove
Fotografia de Frank Uyttenhove


(Soneto II)

Amor, quantos caminhos para chegar a um beijo,
que solidão errante até chegar a ti!
Os comboios continuam vazios rolando com a chuva.
Em Taltal a primavera não amanheceu ainda.

Mas tu e eu, meu amor, estamos juntos,
juntos da roupa às raízes,
juntos pelo outono, pela água, pelas ancas,
até sermos apenas tu e eu juntos.

Pensar que custou tantas pedras que o rio arrasta,
a embocadura da água do Boroa,
pensar que separados por comboios e nações

tu e eu devíamos simplesmente amar-nos,
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa os cravos.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

3.º Aniversário...

3, three, trois, três

Este blog faz três anos. Ainda ontem era um bebé - e agora já anda pelo próprio pé. Quando fez dois anos, era assim, o estado da arte:

555 posts, 1456 comentários, 82.078 visitas (sitemeter), 170.165 pageviews (blogger), 120 seguidores (blogger), 382 amigos/ seguidores (facebook).

Agora, com três anos, está assim (mais crescidinho):

918 posts, 2048 comentários, 240.417 visitas (sitemeter)*, 591.224 pageviews (blogger), 166 seguidores (blogger), 651 amigos/ seguidores (facebook).

Obrigado a todos que visitam o estaminé!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Carta de Samuel Johnson aos Desempregados

Bósnia e Herzegovina, Desempregados, Confrontos com a Polícia
Desempregados - imagem confrontos na Bósnia e Herzegovina.

Continuação da carta (crónica) de Samuel Johnson aos DESEMPREGADOS:

Grande parte dos habitantes das prisões podem, com toda a justeza, queixar-se de um tratamento mais duro. Aquele que começou a dever mais do que pode pagar é frequentemente obrigado a subornar o seu Credor para ele ter paciência, aumentando assim a sua dívida. É obrigado a adquirir Artigos cada vez piores, a preços cada vez mais altos; e vai empobrecendo devido a um comércio compulsivo e, por fim, fica submergido nos abismos da miséria por dívidas, as quais, sem o seu próprio consentimento, se foram acumulando sobre a sua cabeça. Para aliviar este sofrimento, não se pode fazer nenhuma outra objeção a não ser a de que se houvesse uma anulação sem consequências da dívida, a fraude ficaria sem punição, e o descaramento à solta, e se a insolvência deixasse de ser punível, o crédito terminaria.
O motivo de haver crédito baseia-se na esperança de tirar lucros disso. O comércio nunca pode parar, enquanto um homem quiser aquilo que outro lhe pode fornecer; nunca será negado o crédito que muito possivelmente será pago com lucro. Aquele que faz um contrato com alguém que tenciona processar é um criminoso; a cessação desse negócio insidioso é desejável, e não pode avançar com nenhuma razão que justifique que uma mudança da lei prejudicaria mais alguém.
Vemos nações que fazem comércio umas com as outras, e em que nenhum pagamento é compelido, a conveniência mútua leva à confiança mútua, e os Mercadores continuam a satisfazer os pedidos uns dos outros, embora não tenham mais nada a temer a não ser a perda do negócio.
É, pois, coisa vã continuar uma instituição que a experiência demonstra ineficaz. Até agora temos posto na prisão gerações e gerações de Devedores umas a seguir às outras, mas não vemos os seus números diminuir. Sabemos agora que a precipitação e a imprudência não serão dissuadidas de pedir crédito; tentemos ver como se pode reprimir a fraude e a avareza para evitar que o concedam.

Com a maior consideração, etc.

Samuel Johnson, Prisões de Devedores (1), em Páginas Escolhidas, pp. 136-137, Quetzal, Fevereiro de 2014.

Post-Scriptum: «Sim» ganha referendo na iniciativa "conta a imigração em massa" na Suíça: Suíços viram as costas à livre circulação e à Europa. Suíça diz um sim, um não e um logo se vê. A parcialidade do tom com que as notícias são escritas, não vou comentar. Quanto ao resultado do referendo, apenas tenho isto a dizer: a vitória do «Sim» reflecte mais o estado da Europa (como um todo, Suíça incluída), que o estado da Suíça. Mas a Europa (Suíços incluídos) vai continuar a assobiar para o lado, incapaz de deixar de olhar para o umbigo, e de se olhar ao espelho...

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Life of Johnson e Páginas Escolhidas: A biografia e o biografado.

Life of Johnson, James Boswell, Samuel Johnson

Para o DESEMPREGADO,

Caro Senhor,

Não há muito tempo, passava eu por uma das portas da cidade, quando fiquei horrivelmente impressionado com um grito cheio de pesar que me intimou a recordar os pobres Devedores.
A sabedoria e a justiça das leis inglesas são celebradas, pelo menos, pelo próprios Ingleses; mas, mesmo os mais zelosos admiradores das nossas Instituições não podem pensar que a lei seja justa, quando existem homens perfeitamente capazes de trabalhar, que são obrigados a mendigar; ou que seja justa quando submete a liberdade de alguém às paixões e interesses de um terceiro.
A prosperidade de um povo é diretamente proporcional ao número de mãos e de cabeças que estão empregadas de modo útil. Para a comunidade, a revolta é uma febre, a corrupção uma gangrena, e o desemprego uma atrofia. Seja qual for o corpo, seja qual for a sociedade, se gastar mais do que adquire, gradualmente entra em decadência; e cada pessoa que se continua a alimentar, deixando de trabalhar, tira algo do fundo público.
Portanto, quando se remete qualquer homem para a indolência e escuridão de uma prisão, isso é uma perda para a nação, e é algo que não dá lucro ao Credor. Porque, entre as multidões que definham nessas celas de miséria, só uma parte muito diminuta é suspeita de algum ato fraudulento como o fazem os que se apropriam do que pertence aos outros. Os restantes estão na prisão devido aos excessos de orgulho, à malvadez da vingança ou ao azedume provocado por expectativas frustradas.
Se àqueles que deste modo exercem rigorosamente o poder que a lei lhes pôs nas mãos lhes fosse perguntado porque continuam a pôr na prisão aqueles que sabem que não são capazes de lhes pagar, fulano há de responder que o seu Devedor antes vivia melhor que ele; sicrano, que a sua mulher se achava superior aos seus vizinhos, e os seus filhos iam vestidos de seda para a escola de dança; e beltrano que pretendia ser um gracejador e uma grande cabeça. Alguns responderão que se eles próprios tivessem dívidas deviam receber o mesmo tratamento, e que não devem mais do que podem pagar e, portanto, não precisam de prestar contas sobre as suas ações. Alguns confessarão o desejo que têm de ver os Devedores a apodrecer na prisão; e, outros, descobrirão que esperam, por meio da crueldade, espremer o amigo até que lhes pague.
A finalidade de todos os regulamentos civis é a de evitar que a felicidade individual sofra às mãos da malevolência individual e manter os indivíduos livres da sujeição a terceiros; mas esta finalidade aparentemente não é cumprida quando se consente a um homem que, irritado com a sua perda, seja juiz da sua própria causa e prescreva a punição que lhe causa a sua própria pena; quando a distinção entre culpa e infelicidade, entre casualidade e intenção, é confiada a olhos cegos pelo interesse, a entendimentos perturbados pelo ressentimento.
Dado que a Pobreza entre nós é punida como sendo um crime, devia pelo menos ser tratada com a mesma leveza do que outros crimes; o transgressor não devia apodrecer à mercê daquele que ele ofendeu, mas devia-lhe ser permitido fazer um apelo à justiça do seu país. Não há nenhuma razão que leve a que um Devedor deva ser posto na prisão, em vez disso devia ser compelido a pagar; e devia-se fixar um termo, no qual o Credor pudesse apresentar a sua acusação de que o Devedor tem uma propriedade que oculta. Se essa propriedade puder ser descoberta, então que seja dada ao Credor; se a acusação não for apresentada, ou não puder ser provada, então que se liberte o prisioneiro.
Aqueles que fizeram as leis aparentemente supuseram que cada deficiência no pagamento é um crime do Devedor, mas a verdade é que o Credor partilha sempre o ato, e frequentemente partilha a culpa de confiança indevida. Raramente acontece que um homem ponha na prisão um outro a não ser por dívidas que ele próprio consentiu que fossem contraídas na esperança de isso lhe ser vantajoso e por acordos em negócios em que ele estabeleceu o seu lucro de acordo com a sua própria opinião dos riscos; e não há nenhuma razão para um punir o outro por causa de um contrato em que ambos participaram. (...)


Samuel Johnson, Prisões de Devedores (1), em Páginas Escolhidas, pp. 133-135, Quetzal, Fevereiro de 2014

230 anos após a sua morte finalmente temos em português (em letra minúscula que está publicado num português esquisito que nem é português de portugal nem português do brasil nem português de lado nenhum - um português saído da cabeça de uns idiotas que de lexicografia percebem patavina; não lhe meto o não para não ser redundante) algumas páginas de Samuel Johnson (1709-1784). Não sou adepto de páginas escolhidas - prefiro obras completas - mas é o que há... Pode ser que ganhem balanço...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Sorteio do Fisco

Sorteio Fisco, Máquina Registadora

Agora que o Sorteio do Fisco foi aprovado em Conselho de Ministros, venho aqui propor que em vez de automóveis topo de gama (o pessoal não tem patacas para o combustível e seguro) sejam sorteados surreais. E que nos intervalos de fingir que servem para alguma coisa, os membros do governo ocupem o seu tempo a jogar à roleta russa - com balas em todas as câmaras.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

10 anos de facebook

facebook, tabaco

Já gostei do facebook - e já me cansei - continuo a consumir por hábito - ou vício. É isso e o tabaco - qualquer dia mando tudo para as urtigas. Encontrei alguns velhos amigos cujo paradeiro havia perdido - espreitei alguns perfis doutras pessoas a quem não me atrevo a "pedir amizade" - não vão pensar que esteja a pedir mais alguma coisa. Apaguei quase tudo que havia publicado - tirei quase todas as fotografias - hoje em dia é apenas o lugar onde partilho os links para os posts do blog - nos intervalos de ocupar o tempo em que não me apetece fazer nada a jogar uns jogos estúpidos como o governo português - coisa difícil num mundo civilizado - é mesmo?

Estou farto dos gajos a pedirem-me para lhes dizer de que livros gosto, que filmes vi, que música escuto, onde vivo, onde estudei, a aconselharem-me marcas de que talvez goste, a impingirem-me páginas patrocinadas, a perguntarem-me se quero promover as publicações. O facebook está cada vez mais idiota.

Kung Fu Martial Arts Icon Material Silhouette Figures - Joan Miró

Kung Fu Martial Arts Icon Material Silhouette Figures, Joan Miró, Galo
Quadro de Joan Miró.

Gosto muito deste quadro de Joan Miró. Parece-me um galo, mas não sei ao certo qual o seu título, nem sei se o tem, encontrei-o num site com centenas de imagens dos quadros de Joan Miró, sem um título, mas o nome do ficheiro era este: Kung Fu Martial Arts Icon Material Silhouette Figures. Suponho que haja a esta hora, agora que a Christie's cancelou o leilão das 85 obras de Joan Miró, um grande galo na cabeça desses energúmenos (custa-me sempre muito utilizar estas palavras de cem mil réis, pois temo sempre que aqueles a quem se destinam não as consigam compreender; então é assim: energúmeno quer aqui dizer pessoa ignorante ou muito básica; como segundo sentido, pretendo utilizá-la com o significado: fanático ignorante; a palavra pode ainda significar pessoa dominada pelo demónio, possesso - mas eu não acredito em demónios - embora os demónios a que me refiro estejam claramente possuídos pelo demónio da ignorância; por último, como último significado da palavra: pessoa que, dominada pela paixão, pratica desatinos: a paixão do suposto neo-liberalismo, de neo-liberais que nem são novos - são velhos, muito velhos, mas nem o valor de objectos arcaicos possuem - nem são liberais...) que ocupam lugares de governação, um grande galo no lugar onde haviam de ter neurónios, mas andavam a jogar às escondidas quando o Criador os distribuiu...

Quanto aos surrealistas, prefiro o René Magritte e o Salvador Dali. Bom (leiam bom com entoação à Professor Martelo, perdão, à Tarólogo Marcelo), bom, nisto da arte podem-se preferir todos.

«Detesto as vítimas que respeitam os carrascos.»*


"Temos o direito de ser humilhados"**

Intervenção a favor da Praxe após projeção [sic] do documentário "Praxis" 
Aula Magna, Novembro de 2011. 
Comemorações do Centenário da Universidade de Lisboa.

«O objectivo principal não é a integração, a integração é um efeito secundário. O objectivo principal é que nós, como pessoas, tentarmos que outras pessoas iguais a nós, ou seja, sem ser professores, sem ser pais, nos podem ensinar e nós aprendermos com eles. Nós temos de aceitar essa humildade e é isso que a praxe nos ensina em primeira instância. »

«Isto não é humilhação ou pelo menos humilhação gratuita. É suposto ser duro, porque tal como acontece na praxe, a praxe acontece muito antes sequer das pessoas chegarem à faculdade e vai continuar a acontecer muito depois. Ou seja... O "estar de quatro" ou comer coisas que não gostamos... A praxe é a vida, isso acontece na vida. A vida é dura!»

«Eu entendo que as pessoas vejam a praxe como humilhação eu também a vejo como humilhação. Mas não é uma humilhação gratuita. É uma humilhação que tem por objectivo criar um inimigo comum para os caloiros e que eles se interliguem.»

«Aquilo que eu senti quando fui caloira, é que quando me mandavam olhar para o chão, eu trocava um olhar com o meu colega do lado. Olhando para o chão, mas aí criava uma ligação com a pessoa que estava ao meu lado.»

«Já foi tudo dito, não é? Mas a praxe mesmo isto tudo. Talvez seja para nos ensinar um pouco não a ler, não a escrever, mas ensina-nos que todos nós temos o direito a ser humilhados.»

«Eu sou caloira e só digo uma coisa: "eu amo a praxe!"»

*Jean-Paul Sartre, Os Salteadores de Altona.

**E o direito a ser explorados, e o direito a ser roubados, e o direito a ser escravizados. Ou como diz a Ana Cristina Leonardo, estes tipos são imbecis e perigosos.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Um Dia Isto Tinha Que Acontecer: Os Ignorantes Haviam de Começar a Escrever Textos Idioto-Paternalistas, a Assiná-los com o Nome de um Autor Conhecido, e as Ovelhas do Rebanho Haviam de se Sentir Sábias ao Ler um Chorrilho de Lugares-Comuns.

Geração à Rasca


Fico irritado sempre que vejo este texto - a gente toda contentinha - que o Mia Couto escreveu isto - como fico irritado quando vejo aquelas frasesinhas idiotas a serem partilhadas vezes e vezes sem fim - como se fossem de Fernando Pessoa, ou de Carlos Drummond de Andrade, ou de Clarice Lispector, ou de William Shakespeare, ou de Jorge Luis Borges, ou - ... Raios partam a Ignorância - mais as frases de belo efeito - e sem conteúdo nenhum - nem nada de novo. Não me levem a mal - oh gente que acredita que o Mia Couto escreveu esta porcaria - eu é que vos levo a mal a vós. Já levei pancada suficiente para aguentar com os vossos palavrões - atirem-me lá com os epítetos mais feiinhos que souberem. E vão ler - ou estudar - ou estejam apenas quietinhos.

Isto não foi escrito pelo Mia Couto:

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Philip Seymour Hoffman (23 de Julho de 1967 - 02 de Fevereiro de 2014)

Philip Seymour Hoffman
Philip Seymour Hoffman (23 de Julho de 1967 - 02 de Fevereiro de 2014)
Faleceu, aos 46 anos, Philip Seymour Hoffman, o actor que representou (entre outros papéis) Truman Capote. Requiescat In Pace.

A alma humana é porca como um ânus - Poema de Álvaro de Campos

Fernando Pessoa, William MR, desenho
Fernando Pessoa, por William MR - imagem vista aqui.



A alma humana é porca como um ânus
E a Vantagem dos caralhos pesa em muitas imaginações.

Meu coração desgosta-se de tudo com uma náusea do estômago.
A Távola Redonda foi vendida a peso,
E a biografia do Rei Artur, um galante escreveu-a.
Mas a sucata da cavalaria ainda reina nessas almas, como um perfil distante.

Está frio.
Ponho sobre os ombros o capote que me lembra um xaile —
O xaile que minha tia me punha aos ombros na infância.
Mas os ombros da minha infância sumiram-se antes para dentro dos meus ombros.
E o meu coração da infância sumiu-se antes para dentro do meu coração.

Sim, está frio...
Está frio em tudo que sou, está frio...
Minhas próprias ideias têm frio, como gente velha...
E o frio que eu tenho das minhas ideias terem frio é mais frio do que elas.

Engelho o capote à minha volta...
O Universo da gente... a gente... as pessoas todas!...
A multiplicidade da humanidade misturada
Sim, aquilo a que chamam a vida, como se só houvesse outros e estrelas...
Sim, a vida...
Meus ombros descaem tanto que o capote resvala...
Querem comentário melhor? Puxo-me para cima o capote.

Ah, parte a cara à vida!
Levanta-te com estrondo no sossego de ti!

Poema de Álvaro de Campos - ando há dias com este poema na cabeça - A alma humana é porca como um ânus - e não há definição melhor da alma humana - nem da religião - nem da filosofia - nem da psicologia - copiado daqui - que não me apeteceu ir procurá-lo à minha edição da Poesia de Álvaro de Campos

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Un Amour À Taire*

Un Amour à Taire: vejam o filme no YouTube.


*Nos próximos tempos, sempre que me lembrar - ou que os encontrar no YouTube - vou partilhar aqui alguns filmes, cujo denominador comum é a II Guerra Mundial. Ontem partilhei o Hitler: La Naissance du Mal - também podem ver o Au Revoir, Les Enfants.