sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Anatomia da Melancolia - de Robert Burton

Anatomia da Melancolia Robert Burton

A Quetzal vai começar a publicar uma série de clássicos. Estão anunciados este Anatomia da Melancolia, de Robert Burton - e Páginas Escolhidas, de Samuel Johnson (esse mesmo que disse que a posteridade não havia de recordar o nome de Laurence Sterne) - para um triste Shandyano como eu isto é o Paraíso - um Inferno! (Também vão publicar Gargântua - e Pantagruel? - se me querem matar de melancolia - ou desespero - ou raiva por andar a rapar o fundo da carteira e não encontrar pataco - acho bem que o façam...) P'la minha saúde - julgo que devo boicotar novamente os livros da Quetzal. Que não se lembrem de publicar o Samuel Richardson - ou terei que vos apresentar a conta do Psiquiatra. Raios partam o vil metal. Logo agora que eu não tenho dinheiro é que se haviam de lembrar de publicar Portugal, a Flor e a Foice - estávamos tão bem, de relações cortadas.

Hitler: La Naissance du Mal [Hitler: A Origem do Mal; Filme Completo; Versão Longa]

Hitler: La Naissance du Mal (em Francês, no Youtube).

Pardonnez-moi, mais je n'ai pas trouvé aucune version sous-titré...

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

10 Livros

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O João Roque desafiou-me a indicar 10 livros (ficção ou não) que me tenham marcado ou que sejam importantes para mim, independentemente de serem grandes obras ou não (o que é uma grande obra? - o cânone - o cânone - eu dizia-vos qualquer coisa sobre o cânone - mas leiam antes Henry Fielding e Laurence Sterne - e James Joyce). A ideia é não gastar muito tempo, nem pensar muito (o difícil é ficar por 10). Deveria indicar 10 amigos - mas também devia ser no facebook - e se já tenho pouca paciência para estas correntes, no facebook tenho ainda menos. Portanto, deixo aqui uma lista (por comodidade, conforto, ou preguiça - limitei a lista a romances) - há uns anos atrás, era esta a minha lista de 10 livros - agora fica esta:

Tom Jones, de Henry Fielding
O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz
A Peste, de Albert Camus
Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago
Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez
manhã submersa, Vergílio Ferreira
Náusea, Jean-Paul Sartre
As Vinhas da Ira, de John Steinbeck

(E ficam de fora Lewis Carroll, Boris Vian, Álvaro de Campos, Yukio Mishima, e Mário de Sá-Carneiro, em relação à antiga lista - porque isto de indicar apenas 10 é muito redutor...)

E vocês - meus caros leitores - e minhas queridas leitoras - qual a vossa lista de 10 livros?

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Este País não é para Jovens* - de Helena Matos e José Manuel Fernandes - apresentação de Álvaro Santos Pereira

Este País não é para Jovens, Helena Matos, José Manuel Fernandes, apresentação de Álvaro Santos Pereira

*Álvaro Santos Pereira foi apresentar - descaradamente - o livro Este País Não É Para Jovens** - nem para ninguém - excepção seja feita - apenas para aqueles que fazem com que seja assim - como os gestores que gerem mal as empresas públicas - e veem depois dizer que o Estado é mau gestor. Quem o ouvir - ao Álvaro - até fica convencido que ele não esteve no Governo - não deve ser o mesmo Álvaro - bons ares tem respirado. Enfim, compare-se a notícia - com o que não é noticiado:

Paz podre. Vivemos num país em que uma paz podre é mantida não só por quem decide mas por quem faz as escolhas editoriais nos media portugueses. É uma afirmação constatada na primeira pessoa. Acabo de chegar da Fnac do Chiado, onde estava o ex-ministro da Economia, "o Álvaro" na apresentação do livro "Este país não é para jovens". Estava lá a comunicação social em peso. No final do discurso interpelei Álvaro Santos Pereira sobre o discurso esquizofrénico que fez sobre o país. Uma descrição em que, até parecia, não ter feito parte do governo nos últimos três anos. Disse-lhe, além disso, em claro e bom som, que ele é responsável por este país não ser realmente para jovens. Não é nem para jovens nem para ninguém que questione estas políticas e queira mudança. Os jornalistas gravaram. Contudo (surpresa das surpresas), nos jornais da noite nem uma palavra ou imagem do que ali se passou. A TVi fez uma micro-nano peça em que passou umas imagens de um público bem comportado e calado, com direito apenas a um soundbite do Álvaro Santos Pereira a dizer que a Segurança Social tem que ser "reestruturada" e que se tem que reduzir o "peso" do Estado (aka privatizar o que nos sobra, como se isto trouxesse alguma riqueza, poder e bem-estar às pessoas, sem ser aos círculos do costume. Nos outros canais nada. Nada de novo. Querem fingir que está tudo bem. Continuam a esconder a contestação. A oprimir qualquer coisa que se meta nos seus caminhos. Fazem-nos crer que não há alternativas. Quem decide as notícias deste país só dá espaço ao mesmo discurso, repetido vezes sem conta, senão pelos jornalistas pelos seus comentadores. Querem nos impingir o "consenso" (sabem lá eles o que isso é) que lhes interessa. Esta é a paz que tentam garantir com unhas e dentes neste país também ele já podre.

Inês Subtil, no facebook.

**O Cormac McCarthy não merecia que se apropriassem assim do seu título - quanto ao livro em questão, há livros que bastam pelos autores que os assinam - nada mais têm a dizer, apenas isto: Helena Matos e José Manuel Fernandes...

Surreal: 100 Surreais

100 Surreais, Surreal, Nova Moeda Brasileira
Surreal: a nova moeda Brasileira, a moeda que chega aonde o Real não chega. Muito útil no Rio de Janeiro.


Bernardo Loubet da Nóbrega - II

Eduardo Leite
Eduardo Leite

Afinal o perfil Bernardo Loubet da Nóbrega é falso - alguém se apropriou das fotos de Eduardo Leite (Um Jeito Manso, a pessoa real, a quem pertencem as fotos, é afinal considerado o prefeito mais bonito do Rio Grande do Sul - Brasil - prefeito em Pelotas) e criou um perfil no facebook - talvez apropriando-se também do nome real de alguém. Roubo de Identidade... Há malucos para tudo. Muito gostaria de saber com que objectivo a pessoa (ou pessoas) por detrás deste falso perfil - se dar uma má imagem de uma certa direita (enfim, eles existem mesmo) - se dizer aquilo que em próprio nome não é capaz de dizer - se...

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Bernardo Loubet da Nóbrega

Bernardo Loubet da Nóbrega
Bernardo Loubet da Nóbrega, na província.

Bernardo Loubet da Nóbrega, uma espécie de Isabel Jonet com dois tomatitos entre as pernas, apenas um pouco mais estúpido, narrow-minded (porque esta gente gosta muuiiito de inglês - do mesmo modo que os seus pais e avós adoooravam francês!) - não, não traduzam como pobre de espírito - tacanho soa mais provinciano - dizia, apenas um pouco mais idiota - ou labrego*, se quiserem - que o Camilo Lourenço - mas muito mais desbragado - que é palavra para ser um tanto ou quanto arcaica - aqui no sentido de  desbocado - que tipos destes não têm categoria para indecorosos, ou libertinos - quanto muito são dissolutos - às escondidas! - e com o cílio nas costas... não seria melhor dar-lhes apenas uma refeição por dia? - e porquê irem à escola, menino? Tanta bala desperdiçada no mundo, meu Deus! Ai a ironia...

A Vida e Opiniões de Tristram Shandy, Cavalheiro - por Laurence Sterne


A Vida e Opiniões de Tristram Shandy Cavalheiro, Laurence SterneA Vida e Opiniões de Tristram Shandy Cavalheiro, Laurence Sterne


A Vida e Opiniões de Tristram Shandy, Cavalheiro. Um ano depois, não resisti - voltei a lê-lo. Na tradução de Manuel Portela (excelente), publicada pela Antígona, optou-se por lhe retirar o «Cavalheiro» (Gentleman) do título - a meu ver, mal, embora o título soe melhor - e não consiga em Português transmitir o mesmo tom irónico que o Inglês lhe dá. No Brasil, optou-se pelo título «A Vida e Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy» - o que é pior ainda. Muito pior.  Manuel Portela chamou-o «O Livros dos Livros». É capaz de ser isso mesmo - ou andar lá perto - ou nem sequer ter nada que ver com o assunto - ou - ou - ou... Agora que reli A Vida e Opiniões de Tristram Shandy é chegado o momento de regressar a Ulysses, de James Joyce. Dois romances de dois autores Irlandeses, separados por cerca de 150 anos - que todos os amantes de Literatura - ou apenas de Livros - ou de ambos - ou de coisa nenhuma - devem obrigatoriamente ler. Em conjunto, ou em separado. É um fartote - de riso - de Literatura. De Laurence Sterne, o autor de A Vida e Opiniões de Tristram Shandy, há ainda, igualmente publicadas pela Antígona, Uma Viagem Sentimental por França e Itália pelo Sr. Yorick - e - Diário para Eliza. E para não sair da Irlanda, a Antígona publicou no final de 2013 Singela Proposta e Outros Textos Satíricos, de Jonathan Swift.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Miklós Fehér (20 de Julho de 1979 - 25 de Janeiro de 2004)

Miklós Fehér

Ia apressadamente a caminho do café, para ver os últimos minutos do jogo Vitória de Guimarães vs. Sport Lisboa e Benfica, quando ouvi gritos de euforia. O Benfica tinha marcado o golo com que venceria o jogo - eu ainda não sabia quem tinha marcado, mas a intensidade dos festejos deixavam-me esperançado que tivesse sido o Benfica - acelerei o passo em direcção ao café, onde ia todos os domingos quando chegava a Coimbra depois de mais um fim-de-semana, para me encontrar com os meus colegas - sei que naquele dia cheguei a pensar em ficar em casa, pois tinha um trabalho para entregar, e exames à porta - mas - não direi que sou um génio - mas um homem de muito talento - na arte da procrastinação - além demais havia uma pessoa que ia todos os domingos à noite àquele café - desculpas não me faltavam... Com o olhar em volta, os cumprimentos, e demais parlapier, olhei para a televisão no exacto momento em que o árbitro mostrava cartão amarelo a Miklós Fehér. Instantes depois, foi o que toda a gente viu. Ainda houve alguns protestos no café, que estava a perder tempo, mas rapidamente se dissiparam - e o silêncio, um silêncio cavernoso durante dois ou três minutos - antes de todos começarmos a opinar... Antes desse silêncio, o meu primeiro comentário foi «oh pah, não caiu de forma normal, passa-se alguma coisa...» Infelizmente tinha razão. Era muito mais grave que aquilo que naquele instante poderia ter imaginado. É um dos instantes que recordarei para sempre. Até sempre, Miklós Fehér.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Obra de José Saramago deixa de ser publicada pela Caminho (Grupo Leya)

Caminho de Livros

Herdeiros de José Saramago e Grupo Leya abandonaram caminho iniciado há 35 anos, com a publicação da peça teatral A Noite. Espero que as novas edições da obra de José Saramago não seja feito em português acordográfico - ainda não comprei Claraboia [sic] - embora tenha um .pdf - confesso que, apesar do desconforto - me deu prazer não pagar - por uma obra arruinada.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Feral de Daniel Sousa - curta nomeada aos Óscares


Vídeo-Poemas - de «Servidões» de Herberto Helder - ditos por Fernando Alves


"Um quarto dos poemas é imitação literária,
outro quarto é ainda imitação mas já irónica e colérica,
outro quarto é das labaredas da inquisição à volta,
outro quarto, o quarto, o que falta, é por causa da
magnificência do mundo
o quinto quarto absurdo é o das quatro patas cortadas,
e o último é ele que olha da montanha onde abriu na
pedra o seu nome inabalável,
e voltava ao primeiro como se fosse orvalho,
como se fosse tão frio que cortasse até ao osso,
o imo do próprio nome assim metido na pedra,
tanto que ninguém sabia de quem era,
porque ficou todo dentro e não se via de fora:
nem o suor nem o sangue nem o sopro"

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Edição Fac-Similada de "Mensagem" de Fernando Pessoa: É a hora!

Fernado Pessoa, Mensagem, Edição Fac-Similada, Público

É a hora! Mas o diabo da hora nunca mais chega... A notícia voltou a circular nas redes sociais - bom, pelo menos entre os meus «amigos»: Maria João Pires renuncia à nacionalidade Portuguesa. A notícia é de Julho de 2009, e não sei se entretanto renunciou mesmo. Eu próprio só não renuncio porque não tenho outra - que isto já não é um país: é apenas um pedaço de terreno em que uns poucos só têm direitos - e todos os restantes apenas têm deveres. A corrupção e a extorsão foram legalizadas - são feitas através de leis escritas à medida. Não existe contracto social - o que há é uma corja que reescreve as regras do jogo enquanto o vai jogando... É a hora! A hora de irmos todos embora. (A imagem é da edição saída com o Público - dizem que em comemoração dos 500 anos da Biblioteca da Universidade de Coimbra - o último livro a entrar nas minhas pobres estantes...)

Prioridades...

© Henrique Monteiro - HenriCartoon
...Tudo vai bem no paúl à beira-mar encravado. As exportações aumentam - quantos são, quantos são? Duzentos mil? Trezentos Mil? Quatrocentos Mil? - Há casas para todos - Temos doutorados (e pós-doutorados - e outros pós) no atendimento nos callcenters - ainda não os conseguimos exportar a todos. É só sucesso e empreendedorismo - este país...

O novo símbolo do CDS/PP: Coligação De Suínos/Partido dos Porcos

Novo símbolo CDS/PP Meta dos Leitões
© Fernando Lucas

CDS/PP: Coligação De Suínos/Partido dos Porcos

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Jacinto Leite Capelo Rêgo

Leitão, Porco


A Meta dos Ladrões – Mealhada

Os delegados do CDS Algarve ao Congresso foram assaltados num conhecido restaurante localizado na Mealhada.
Contamos em duas linhas a mirabolante aventura que alguns congressistas sofreram ontem domingo, no seu regresso ao Algarve:
Atraídos pela famosa boa gastronomia e normal hospitalidade da Mealhada, resolveu um grupo de 15 congressistas parar num conhecido restaurante daquela localidade para degustar o famoso pitéu convivendo desta forma antes da longa viagem até suas casas. O leitão veio a contento dos comensais, a vitória do Benfica ajudou à festa, e no final, apresentada a conta, que apesar de ser considerada exagerada, foi paga.
Contudo, já no exterior do restaurante, e apercebendo-se de serem apenas 15,e que a conta que tinham acabado de pagar contabilizava 19 refeições, tentou um dos membros do grupo esclarecer o erro e que o mesmo fosse corrigido pelo restaurante. A justificação do responsável pelo restaurante foi a seguinte: tendo-se ele apercebido que eram do CDS e como tal apoiantes do governo, e aqui cito ipsis verbi as palavras proferidas “desse governo que nos rouba, então para me defender eu também os roubo a vocês” !!!
Solicitado o livro de reclamações o mesmo não foi facultado, a quantia cobrada a mais não foi devolvida, pelo que irá aquele grupo de Algarvios apresentar queixa na justiça. Entretanto aqui fica o alerta: se forem à Mealhada, das duas uma: ou não dizem que são do CDS, ou então escolham outro restaurante. Na META DOS LADRÕES não são benvindos.


Apetecia-me comentar, mas vou-me conter - (no entanto): enquanto não forem corridos a tiro de caçadeira, não como leitões, ou porcos - eles triunfam! - mas como javalis, podem estar descansados, caros congressistas, e demais parasitas - quando a coisa começar a aquecer - quer dizer, quando começarem vossas excelências a sentirem-se como Jacinto Leite Capelo Rêgo - com sotaque Brasileiro, que era o bom senhor concidadão que fora desbravar mato para terras de Vera Cruz, e voltara com a bolsa cheia para a (ainda) metrópole (e sempre) provinciana. O povo é sereno - Ai! Ui! - que pitéu! - quando deixar de o ser... - aí é que vai ser des-gostar...

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Panteão, Eusébio, e o Nacional-Parolismo

Eusébio da Silva Ferreira

Tinha oito anos quando conheci o amigo que me relatou os feitos do Eusébio como se o tivesse visto jogar no dia anterior; tinha uma enorme imaginação o meu amigo, e além de GNR - são muitos os amigos de infância e adolescência que acabaram na GNR, mas qualquer amigo daqueles tempos depressa o identificará - é também o maior mitomaníaco que conheço; pena que não tenha fixado residência em romancista, tendo antes optado pela carreira de passador de multas nos intervalos de beber whiskey. Eram feitos extraordinários aqueles que ele me contava, de maneira que o Eusébio dos seus relatos mais me parecia uma personagem de banda desenhada que um ser humano; os remates indefensáveis, que fazia enquanto voava, as bolas chutadas a velocidades impossíveis, de ângulos impensáveis, o pânico de defesas e guarda-redes, que tremiam à sua aproximação, as chuteiras mágicas - Puma King - desenhadas especialmente para o nosso herói, as loucas corridas com a bola, corridas com que deixava equipas inteiras a vê-lo desaparecer no horizonte. O meu amigo sabia de cor os jogos do Benfica que, como eu, nunca tinha visto. Falava daquele Benfica, e do seu herói, Eusébio, com uma paixão que nunca utilizou para falar de absolutamente mais nada - e eram aos milhares as histórias mirabolantes que saíam da sua imaginação frenética - falava daquele Benfica, e do seu herói, O Eusébio, com um amor com que nunca utilizou para falar da sua paixão clubística, o Sporting. Foi graças a um Sportinguista que primeiramente tive contacto com as proezas do Eusébio, do meu Benfica.
Várias vezes virei a cabeça para o lado, me abstraí, desliguei a televisão, ou fechei as páginas dos jornais, nos últimos dias, para conseguir conter as lágrimas. Com a morte de Eusébio, acabou definitivamente uma Era na história do Benfica (e de Portugal, e etecetra), ainda que ainda vivam muitos jogadores que participaram nessa Era. Como ouvi algures a algum comentador (ou li), definitivamente o Benfica que foi em diversos momentos da década de 60 a melhor equipa do Mundo, acabou simbolicamente com a morte de Eusébio, fazendo agora apenas, o que não é pouco, parte da história. 
Entristece-me que queiram levar o Eusébio para o Panteão Nacional. Eusébio, ao contrário dos parolos e aproveitadores que habitam este malfadado país, sempre soube qual o seu lugar - embora por diversas vezes tenha sido demasiado modesto. Era um jogador da bola - para mim o melhor de sempre (entre os que vi jogar, gosto muito do Marco Van Basten, jogador fantástico, autor de remates impossíveis, a quem uma terrível lesão terminou precocemente a carreira, e de Diego Armando Maradona, autor de fintas também impossíveis, trapaceiro como só os génios conseguem ser, a quem as drogas...). Génios existem em todas as áreas, não apenas nas ligadas a actividades intelectuais - mas muitos (pseudo)intelectuais de pacotilha não entendem isso. Entristece-me que os políticos deste país se aproveitem de Eusébio, desgraçada e descaradamente, como o Estado Novo se aproveitou. Entristece-me que o Benfica anua neste disparate*. Entristece-me que os Portugueses acenem que sim, todos contentes, como se colocar Eusébio no Panteão fosse como levar um santo para um santuário. Mas, triste e desgraçadamente, os políticos e a população portuguesa, merecem-se. Estão muito bem uns para os outros...

*Inqualificável a ideia peregrina de colocar uma redoma - de vidro, de acrílico? - em volta da estátua de Eusébio. Só falta chamar o Papa para benzer o local, e decretá-lo como santuário - assim como assim, os católicos já têm uma infinidade de beatos, santos, santinhos, santões - isto para não falar da virgem e dos seus infinitos heterónimos...

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Foi num país...

Foi num país sombrio e triste, escondido entre montanhas negras, que Raúl nasceu. O Sol parecia ter-se esquecido daquele cantinho do Mundo e quando ali passava de longe em longe a sua luz só a custo vencia, pálida e frouxa, as pesadas nuvens cinzentas que rondavam o Espaço, dia e noite, como se quizessem impedir um socorro do Céu àquela terra desolada.
O rei, severo e autoritário, trazia a pequena população escravizada sob o pêso de uma infinita crueldade. Camponeses e operários viviam exclusivamente para o trabalho e êste rendia-lhes menos do que o indispensável. Os primeiros, embora herdassem dos pais as minguadas terras de que arrancavam o magro sustento, eram obrigados a pagar fabulosos impostos para poderem cultivá-las; e os segundos, que alimentavam com o seu esfôrço tôdas as indústrias, cuja propriedade e rendimentos pertenciam ùnicamente ao rei, não chegavam sequer a ganhar muitas vezes para o trigo e o leite que os filhos pediam.
...E se alguma voz se levantava para gritar o seu protesto, logo baixava sôbre a cabeça rebelde o cutelo do carrasco!
Entretanto, no grande palácio real, tudo era luxo e explendor... tudo se afigurava ocorrer a milhares de milhares de quilómetros de distância, no outro extremo do Mundo, tal era a diferença de ambiente, tão grande o salto da miséria máxima à máxima fortuna dentro dos muros do mesmo país.

(N.C., 1946)

Post-Scriptum, 21/02/2014 - Natália Correia, Grandes Aventuras de um Pequeno Herói, 1946

EuroMilhões

EuroMilhões, euro milhões,

Nas últimas 24 horas apenas estes dois posts EuroMilhões: como aumentar as hipóteses de ganhar? e Como ganhar o EuroMilhões? tiveram um total de 540 visitas (467+73). As visitas a estes posts aumentam todas as terças e sextas-feiras, em especial quando há jackpots como o de hoje: 127.000.000€ - não se esqueçam que, em caso de as bolas acertarem nas vossas chaves, e caso estejam a jogar em Portugal, o governo português - ambos com letras minúsculas - vos levará imediatamente 20% - 25.400.000€ - roubo, extorsão (i.e. imposto excessivo), ou usurpação, o que quiserem, que apenas serve para aquilo que este governo serve: para transferir capital dos pobres, menos pobres, mais que pobres, remediados, trabalhadores, menos ricos, ricos, e mais ou menos ricos, ou neste caso apenas sortudos, o que não é nada pouco, para os muito ricos. Os 20% da vossa sorte não vão contribuir para o pagamento de dívida nenhuma (que não contraístes), não vão contribuir para o bem-comum - palavra que no léxico do poder político se escreve sem hífen - não vou voltar a referir a dicotomia socialização dos prejuízos vs. capitalização dos lucros -, não vão contribuir para a alimentação, saúde, educação, habitação, &c. de nenhuma criança, jovem, adulto, idoso, homem ou mulher, &c. - servem tão-só - e apenas - convém reforçar a ideia, não se vá dar o caso de ainda não terem os meus queridos leitores querido entender - para engordar as contas dos labregos deste malfadado país, para que esses anafados gorduchos possam continuar a fumar os seus charutos enquanto jogam na roleta, nas slotmachines, ou na bolsa - é tudo a mesma coisa - com o suor dos vossos poros, o sangue as vossas veias, os ossos dos vossos corpos, os sonhos das vossas vidas, ou apenas a sorte de um momento feliz. Boa Sorte a todos que aqui chegam, enviados pelo deus google, em busca de uma maneira para ganhar o EuroMilhões. Na verdade, seja qual for a técnica na escolha dos números, na hora do sorteio, cada chave tem apenas esta probabilidade: 0,0000008581%...

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Eusébio

Eusébio

Os oportunistas** do regime (não são essencialmente diferentes dos oportunistas do antigamente) já se alambuzam* para ver quem é que o leva para o panteão. Eusébio não deve ir para o panteão - deve, isso sim, ser enterrado na Catedral da Luz.

(*o mesmo que lambuzar: sujar-se de comida, graxa, tinta, etc. Deixar manchas em.)

**(...) aquilo que o chefe de Estado deve fazer é “diferente daquilo que deve ser feito pelos amigos ou deve ser feito pelos conhecidos”...

Portugal, a Flor e a Foice

José Rentes de Carvalho Portugal a Flor e a Foice
(Cliquem para Ampliar - via Tempo Contado)

Ainda fui procurar o DN de ontem, mas já não consegui encontrar nenhum quiosque que tivesse algum exemplar para me vender. Quase 40 anos após a publicação em Neerlandês, parece que é em Março que é desta que Portugal, a Flor e a Foice... Parece que lhe vão tirar Portugal do título (?), não deviam... Mas antes assim que nada. Posso acabar com o meu boicote aos livros da Quetzal...

domingo, 5 de janeiro de 2014

sábado, 4 de janeiro de 2014

José - Poema de Carlos Drummond de Andrade

Lonely Man Walking, E agora José, Carlos Drummond de Andrade


E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, pra onde?