domingo, 5 de outubro de 2014

05 de Outubro de 1910

A minha tia Amélia, quase 94 anos,
e a minha tia-avó, Maria, a caminho dos 103
Esta data, 05 de Outubro de 1910, faz-me pensar sempre no meu avô paterno, Raul, que não conheci. Se fosse vivo teria 119 anos. Quando a Implantação da República aconteceu já caminhava para os dezasseis anos; foi, tanto quanto sei, o ano em que ocorreu na sua (e minha) família uma revolução.

Um dia de manhã o meu bisavô, António, saiu de casa, percorreu, a pé, mais de cinquenta quilómetros, até encontrar um sítio para habitar. Voltou ao final do dia, ou talvez no dia seguinte, não sei, e quando voltou mandou à família (eram à época seis elementos) que fizessem as malas; quer dizer, que arrecadassem tudo o que tinham, nas grandes arcas de madeira, as carregassem nas carroças, e partissem, gente e gado. Partiram. De Badamalos, Sabugal, para o lugar que agora é conhecido como Quinta dos Badamalos, Valbom, Pinhel. (O meu avô casaria, anos depois, em Badamalos, de onde era a sua primeira mulher).



O meu avô, que nasceu e viveu quinze anos na Monarquia, viveu na primeira República, esteve na primeira Guerra Mundial, ingressou na Guarda Nacional Republicana, viveu todos os longos anos do Salazarismo, e morreu em 1975, pouco mais de um ano após a Revolução dos Cravos, seis anos antes de eu nascer. É nele que penso quando penso neste dia. Não sei porquê - talvez alguma associação de ideias inconsciente.

Na fotografia, a filha mais velha do meu avô, a minha tia Amélia, quase com 94 anos, ao lado da sua tia Maria, minha tia-avó, a caminho dos 103 anos. A minha tia Maria é a última sobrevivente de 16 irmãos (apenas 11 chegaram à idade adulta). O meu avô teve quatro filhos, dois de cada uma das mulheres com quem casou, todos ainda vivos, à excepção do meu pai. É isto que queria dizer sobre o 05 de Outubro de 1910. Um dia talvez escreva uma história.

Post-Scriptum: os meus tios-avôs Francisco e José, que "deram" nome ao meu tio Francisco e ao meu pai, nasceram Portugueses e morreram Brasileiros. É só mais isto.

4 comentários :

  1. Muito interessante este texto familiar.

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    1. Gosto muito deste lado da minha família...

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  2. Que bonito é prestar homenagem aos verdadeiros herois. A FAMILIA

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    1. Edith, comentaste no meu blog? Estou quase incrédulo... :-) Obrigado, beijinhos.

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