sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A minha teoria, muito breve e resumida, sobre o Povo Português



Como todo o mundo tem a sua teoria sobre o homo tugus, eu próprio meti-me a desenvolver a minha própria teoria. Outrora o lugar mais ocidental do mundo conhecido, este malfadado pedaço de terra hoje denominado Portugal, foi recebendo todos os rechaçados, excluídos, e - sim - aventureiros que vagueavam pelo mundo semi-conhecido em volta do Mar Mediterrâneo. 

Embora por aqui tenham passado, e acabado o seus dias, inúmeros povos, o lusitano foi essencialmente forjado a partir da miscigenação de três povos: os fenícios (eles próprios mistura de judeus e gregos, aqueles tipos que eram navegadores e inventaram o alfabeto fonético, e terão fundado aquilo que hoje se chama Lisboa); os judeus propriamente ditos (aqueles que desde os Génesis sempre tiveram uma fatal atração pelo fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal), e os celtas (em especial os lusitanos); os árabes também por aqui andaram, mas não queriam misturas, a influência foi mais cultural que genética. Enfim, pelo menos para a minha teoria tem que ser assim. 


Dos fenícios, aquilo que até 1506 foi o ilustre povo lusitano (logo direi porquê 1506), herdou o povo português a atração pela aventura, pelo desconhecido, pela navegação, pelo comércio. Dos judeus herdou o povo português a atração pelo conhecimento (desde os Génesis, da sua fonte primordial). Dos celtas, os lusitanos em especial, a força bruta, que nem se governa nem se deixa governar (disseram os romanos, parece), e o nome porque ainda hoje é conhecido este povo que habita este pedaço de terra à beira-mar encalhado.

E num célebre dia rasgou-se esse nobre povo lusitano, que tantos séculos demorara a forjar, a si mesmo em pedaços, 19 de Abril de 1506. O primeiro de três dias do Progrom de Lisboa. Arrancaram a este nobre povo a cabeça (os judeus); os Descobrimentos levaram-nos o lado fenício (os membros); resta-nos o tronco, incapaz de pensar e/ou agir, restos de celta, muito pouco de lusitano já, de quando em quando um ou outro membro da família com os seus traços característicos, olhos e cabelos claros. Isto que hoje por aí anda, o homo tugus, não passa mais de um resto de restos, um conjunto de seres sem alma, vagueando por aí ao sabor do vento, vítima essencialmente de si mesmo.

(Se ao menos Dom João VI, em vez de voltar do Reino dos Brazis, tivesse mandado embarcar as pedras dos Jerónimos e do Convento de Mafra, tivesse obrigado a ir para lá os infelizes que por aqui morriam à fome, e tivesse mandado arrasar o Reino de Portugal e dos Algarves, sulcar a terra e cravejá-la com sal para que nada mais aqui medrasse...)

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