quinta-feira, 24 de julho de 2014

Futebol, Sigmund Freud, Psicanálise...

Sigmund Freud, Karl Marx, Futebol, Treinadores, Técnicos de Futebol, Psicanálise do Futebol

[O pai adora futebol ( "Para se ser um bom chefe de família tem que se ser do Benfica, Dra!). O miúdo nem por isso, prefere dançar ("Mas isso eu não digo ao meu pai, que ele chama-me logo de maricas!"). O pai perguntou-lhe se queria jogar futebol ("Queres, não queres? Vais ser um grande ponta de lança, o pai também era!"). O menino não tem coragem de dizer que não ("Ele não foi obrigado, Dra, que eu bem lhe perguntei uma mão cheia de vezes, ele é que quis"). O menino finge que tem prazer em jogar, assiste aos jogos com um entusiasmo fingido para ter aqueles momentos de "homens", nas tardes no sofá entre pai e filho ("Ele nunca está em casa, está sempre a trabalhar, só estamos os dois quando ele vem para casa e vemos a bola juntos!"). Escuta o pai com uma falsa atenção a ensinar-lhe o que é um fora-de-jogo mas não decorou o que é ("Eu gosto é de dançar mas o meu pai diz que a dança é para as meninas"). A mãe não se mete ("Ah, isso da bola é lá entre eles, eu não interfiro..."). O pai preocupado que o menino, de cada vez que é para o levar ao treino, fica doente, dá-lhe vómitos, náuseas, doente mesmo ("Será dos nervos, Dra? Será que ele leva o futebol tão a sério que fica doente com a pressão? Olhe que ele faz-se um grande ponta de lança, Dra, podemos ter aqui o próximo Ronaldo."). O filho confidencia, à parte, que finge estar doente de cada vez que tem que fazer o sacrifício de ir aos treinos ("Se eu lhe disser que não quero ele zanga-se, assim fica aflito a pensar que eu estou doente e não teima para me levar.").
O pai só quer resolver os sonhos que a sua infância não lhe permitiu.
O filho? Só quer dançar. ]

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