segunda-feira, 12 de maio de 2014

Montedor, de J. Rentes de Carvalho reeditado em Outubro

Montedor, Prelo, 1968, José Rentes de Carvalho

O que acho que, neste momento ou neste ano, as pessoas descobrirão em Montedor é a aflição de querer sair do Inferno que Portugal era na altura [da sua edição], uma escuridão total nas pessoas; não havia futuro, não havia esperança. Hoje, talvez essa miséria do antigamente se renove, e talvez as pessoas, principalmente aquelas que têm 30 ou 40 anos e que não têm futuro ou se sentem desesperadas, encontrem nesse livro alguma coisa que lhes fale ao coração.
(...)
Eu não tinha qualquer hipótese de construir um futuro em Portugal, eu era rebelde, era mau, era intolerante, furioso... Tinha uma raiva grande, e sair de Portugal salvou-me, porque, se tivesse ficado, ia ser o protagonista de Montedor, o sujeito que está sempre à espera do que sonha e que nunca vai acontecer. Isso cria um desespero interior que é fatal para a pessoa.

José Rentes de Carvalho, na 8.ª edição do LeV - Literatura em Viagem.

1 comentário :

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...