terça-feira, 22 de abril de 2014

Raios Partam a Vida e Quem lá Ande! - Soneto Já Antigo - Soneto de Álvaro de Campos.


Olha, Daisy: quando eu morrer tu hás de
dizer aos meus amigos aí de Londres,
embora não o sintas, que tu escondes
a grande dor da minha morte. Irás de

Londres p'ra Iorque, onde nasceste (dizes...
que eu nada que tu digas acredito),
contar àquele pobre rapazito
que me deu tantas horas tão felizes,

Embora não o saibas, que morri...
mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar,
nada se importará... Depois vai dar

a notícia a essa estranha Cecily
que acreditava que eu seria grande...
Raios partam a vida e quem lá ande!


Andava aqui pela blogosfera / facebook a pensar em escrever um post sobre a questão shakespereana, mas depois deparei-me com esta fotografia que a minha irmã publicou, e vieram-me aos olhos os versos de Álvaro de Campos... Da esquerda para a direita: a minha prima, que não vejo há 14 anos, eu mesmo, perdido há 20 anos, a minha irmã, que quase toda a vida viveu longe de mim, o meu tio, que não vejo há 21 anos, e o meu pai, morto há 25 anos. Fotografia tirada cerca de de 3 meses antes da morte do meu pai, provavelmente em Agosto de 1988. Soneto de Álvaro de Campos. Fotografia tirada pelo Luís.

8 comentários :

  1. «Recebemos e perdemos e devemos tentar alcançar a gratidão; e com essa gratidão abraçar com todo o coração o que quer que da vida permaneça depois das perdas.» – Andre Dubus II, «Broken Vessels»

    Descobri esta citação em epígrafe a um livro que adquiri. Um abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Este: http://www.temasedebates.pt/livros/ficha/a-vida-em-exame?id=14937804.

      Abraço.

      Eliminar
  2. As perdas deixam-me com medo de mais perdas. Gostei da citação no comentário em cima, mas para mim é muito difícil conseguir sentir essa gratidão.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É um processo que pode ser longo e doloroso, e que nem sempre chega a bom porto. Para mim também é difícil; é uma meta.

      Eliminar
    2. Também não consigo sentir essa gratidão - mas as perdas não me assustam - assusta-me não ter novos ganhos...

      Eliminar
  3. Adorei a foto e claro que tem tudo a ver com o poema transcrito.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Acho que já disse isto diversas vezes: tenho sempre um poema de Pessoa na cabeça para todas as ocasiões da vida (geralmente do Álvaro de Campos ou do Alberto Caeiro - mas também dos "outros").

      Eliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...