sexta-feira, 18 de abril de 2014

Gabriel García Márquez (1927-2014)

Gabriel García Márquez, Cem Anos de Solidão
Gabriel García Márquez
Aracataca, Colômbia, 6 de Março de 1927 - Cidade do México, México, 17 de Abril de 2014

Que há a dizer quando morre um génio? Do Gabriel García Márquez faltam-me ler alguns contos, que fui deixando porque sabia que provavelmente quando os lesse nada mais dele teria para ler. São poucos os escritores de quem li a obra completa (ou pelo menos tudo o que existe publicado): Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, e Franz Kafka. «Quando li aos 17 anos A Metamorfose descobri que seria escritor. Ao ver que Gregor Samsa podia despertar certa manhã transformado em um gigantesco escaravelho, eu disse para mim mesmo: ‘Eu não sabia que era possível fazer isto. Mas se é assim, escrever me interessa’.» Ninguém que tenha lido, pode esquecer o início de Cem Anos de Solidão - nem o fim - e quase de certeza o meio. Ainda assim, as minhas obras preferidas do Gabo são Ninguém Escreve ao Coronel, Crónica de uma Morte Anunciada, e Viver para Contá-la. As duas primeiras porque condensam em tão poucas páginas um génio imenso. Cem Anos de Solidão é uma explosão, um espectáculo pirotécnico que quem assiste jamais poderá esquecer. É um gigantesco e irónico ponto de exclamação, uma afirmação categórica do génio. Ninguém Escreve ao Coronel (e Crónica de uma Morte Anunciada) é um barril de pólvora que ameaça explodir - e embora saibamos desde a primeira página que não vai explodir, quando viramos a última página continuamos a saber que a qualquer momento pode explodir. Viver para Contá-la é uma obra soberba - eternamente inacabada - uma prova de que o génio era afinal humano (embora suspeite que caminhava num patamar invisível e superior, sem nunca deixar de pisar a mesma terra que todos nós). Quem conheça a biografia do Gabo (apenas quatro escritores me suscitaram até hoje interesse biográfico: Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Yukio Mishima, e Gabriel García Márquez) sabe como continua Viver para Contá-la, infelizmente nunca saberemos como ele a contaria - sabemos apenas que seria melhor contada.

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