sábado, 22 de março de 2014

Excerto de Entrevista de J. Rentes de Carvalho à revista «Atual» (Expresso)

José Rentes de Carvalho, Portugal a Flor e a Foice, Entrevista Revista Atual Expresso, José Mário Silva
Uma das afirmações que devem ter irritado muita gente é aquela em que defende que, antes do 25 de Abril, houve pouca resistência efectiva ao estado novo. Ou seja, quem se devia ter oposto a sério não o fez. Tirando o PCP, que na clandestinidade fez o seu trabalho, houve muita gente que se demitiu de ser verdadeira oposição. Pior do que isso: aceitou a situação. Havia uma osmose terrível entre a chamada oposição e os sustentáculos sociais do regime. Era tudo a mesma massa. Não conheciam o povo. Mesmo os neo-realistas e adjacentes. O que mais tinham em comum era o facto de frequentarem todos os mesmos cafés de Lisboa. Há muita gente que ainda hoje diz: "Ah, eu ia muito ao café Gelo". Eu também passei pelo café Gelo, era um puto, tinha uns 19 ou 20 anos. Olhei e vim-me embora. Fui à minha vida.

(...)

A adesão à Europa foi mais uma oportunidade desperdiçada para desenvolver verdadeiramente o país? Sim. Aqueles que tiveram o poder e receberam fisicamente o dinheiro, em vez de o canalizarem para o bem comum, canalizaram-no para os empreiteiros, para os bancos, para as indústrias, para a tolice de comprar o luxo. Esses foram os criminosos. É uma seita recorrente na sociedade portuguesa.

Excerto da entrevista de José Mário Silva (fotografias de Daniel Rodrigues)  a José Rentes de Carvalho, Revista Atual (Expresso) n.º 2160, 22 de Março de 2014

Ontem fui logo comprá-lo - e por isso nem pude vir ao blog celebrar o Dia Mundial da Poesia. Quando cheguei à livraria ainda não tinham desempacotado os exemplares de Portugal, a Flor e a Foice - ia tendo um ataque cardíaco - aproveitei e agarrei num exemplar da reimpressão de Uma Mentira Mil Vezes Repetida, de Manuel Jorge Marmelo - compra que andava a adiar à demasiado tempo - até que lá desencantaram os exemplares. Escolhi um do meio, que vinha sem defeito nem marcas de impressões digitais. Agora resta-me esperar pelo próximo - quanto às supostas polémicas e discussões... Gostava de ter tido este livro há 10 ou 15 anos atrás - sempre dava para dar com ele na cabeça a muita gente, nas discussões de café, das salas de aula, e outras - mas temo que não lhes entrasse lá - seria como enfiar um camelo no buraco de uma agulha.

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