quinta-feira, 13 de março de 2014

A Petição "exigindo" a publicação de Portugal, a Flor e a Foice, de J. Rentes de Carvalho

Portugal, a Flor e a Foice, José Rentes de Carvalho
Escrevo ainda sobre Portugal. A Flor e a Foice, de J. Rentes de Carvalho (n. 1930). Destinado ao público holandês, o livro foi publicado em 1975, em Amesterdão. Vem a talhe de foice lembrar que no ano passado circulou uma petição “exigindo” a sua publicação no nosso país [AQUI]. Voltando ao que interessa. Trata-se de uma obra didáctica, onde não falta sequer uma tábua cronológica da História de Portugal. Com a desenvoltura de um livre pensador, Rentes de Carvalho faz uma radiografia azeda do período que decorreu entre Abril de 1974 e Outubro de 1975, terminando antes do golpe de 25 de Novembro. Um factor de interesse suplementar reside na forma como o autor desmonta as relações de casta que moldaram o PREC. O retrato sociológico tem momentos devera certeiros, como quando recorda a presença em dois governos de Vasco Gonçalves de uma secretária de Estado que «era também [...] Madre Superiora das Escravas do Patriarcado.» Certas revelações serão novidade para muitos. Um exemplo: nas semanas que antecederam o 25 de Abril, «quinze milhões de contos» (o equivalente a setenta e cinco milhões de euros, importância astronómica para a época) saíram do país. O tom sarcástico não contamina a frieza analítica e o futuro deu razão às premonições do autor. Editou a Quetzal. Nas livrarias a partir do próximo dia 21.

Eduardo Pitta, em Da Literatura.

De todas as magníficas capas da obra de Rentes de Carvalho, editada ou reeditada agora pela Quetzal, esta de Portugal, a Flor e a Foice, é a menos boa delas todas - é verdade que tem ali a foice, mas falta-lhe a flor, embora tenha o punho. Também tem a boina - e os óculos - mas é francamente fraquinha - especialmente quando comparada com as outras. A de Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia, Mazagran - Recordações e outras fantasias, ou O Rebate, são simplesmente fantásticas. Como sabem(?) gosto muito de devanear sobre a capa, o papel, o tamanho e o tipo de letra, as badanas, a contracapa, e outros elementos do Livro que (demasiadas vezes) nada têm que ver, directamente, com o conteúdo - a Obra. Quanto à petição - só tenho conhecimento DESTA - não sei se é a ela que Eduardo Pitta se refere - valeu-me uma série de valentes altercações com grandessíssimos idiotas. Não teve muitas assinaturas - não sei se seria de esperar outra coisa neste país(!?) -, nem sequer chegou a ser, por isso, entregue ao destinatário, a Quetzal, mas também deixou de fazer sentido, uma vez que a obra - finalmente! - vai estar por aí à venda, dia 21 de Março de 2014 - quase um anos após a petição...

Post-Scriptum: no blog Tempo Contado, de J. Rentes de Carvalho, três excertos de três obras ainda à espera de edição (ou reedição) em Portugal: Montedor (a primeira obra publicada por Rentes de Carvalho, no longínquo ano de 1968); A Sétima Onda (publicado em 1984 em Portugal - em 1983 na Holanda); e A Ira de Deus sobre os Holanda (apenas com edição Holandesa, em 2008).

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