quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Jorge Amado

Fiquei a saber pelo post do Carlos Azevedo, Uma apologia da resignação e da subserviência, que António Carneiro Pacheco, ministro da Educação de Salazar, defendia «um lugar para cada um e cada um no seu lugar». Fez-me isto recordar o farmacêutico metódico Teodoro, com quem Dona Flor casa após o falecimento de Vadinho, cujo lema, pendurado na farmácia, era "Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar". Talvez isto seja um lema antigo - mas por momentos pensei que António Carneiro Pacheco lesse Jorge Amado. Porém António Carneiro Pacheco estava já morto e enterrado quando o romance de Jorge Amado foi publicado - o primeiro morreu em 1957 - o segundo foi publicado em 1966. Ter-se-à Jorge Amado inspirado no ministro português para construir a sua personagem, conservadora, por oposição ao outro marido de Dona Flor? Suponho que Laurence Sterne tivesse qualquer coisa a dizer quanto a isto.


(Quem tiver o azar de se deparar com as minhas estantes caóticas - se tiver queda para as estatísticas - há-de constatar que depois da literatura Inglesa dos séculos XVII, XVIII, e XIX, a literatura Brasileira vem logo a seguir - embora haja mais volumes de literatura portuguesa - por via dos muitos volumes de e sobre Fernando Pessoa. Ainda assim não tenho a sorte de ter os livros do Sítio do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato. Tenho que me contentar com a digitalização em pdf das primeiras edições...)

Por falar no Brasil, descobri finalmente há dias a que novela é que os meus pais foram buscar o meu primeiro nome próprio, à Água Viva... (Aliás, desconfio que foram lá buscar os dois, uma vez que também há uma personagem na novela com o segundo - mas a minha mãe só confessa o primeiro - só é pena não ser filho de milionário, como na novela...)

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