segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Carta de Samuel Johnson aos Desempregados

Bósnia e Herzegovina, Desempregados, Confrontos com a Polícia
Desempregados - imagem confrontos na Bósnia e Herzegovina.

Continuação da carta (crónica) de Samuel Johnson aos DESEMPREGADOS:

Grande parte dos habitantes das prisões podem, com toda a justeza, queixar-se de um tratamento mais duro. Aquele que começou a dever mais do que pode pagar é frequentemente obrigado a subornar o seu Credor para ele ter paciência, aumentando assim a sua dívida. É obrigado a adquirir Artigos cada vez piores, a preços cada vez mais altos; e vai empobrecendo devido a um comércio compulsivo e, por fim, fica submergido nos abismos da miséria por dívidas, as quais, sem o seu próprio consentimento, se foram acumulando sobre a sua cabeça. Para aliviar este sofrimento, não se pode fazer nenhuma outra objeção a não ser a de que se houvesse uma anulação sem consequências da dívida, a fraude ficaria sem punição, e o descaramento à solta, e se a insolvência deixasse de ser punível, o crédito terminaria.
O motivo de haver crédito baseia-se na esperança de tirar lucros disso. O comércio nunca pode parar, enquanto um homem quiser aquilo que outro lhe pode fornecer; nunca será negado o crédito que muito possivelmente será pago com lucro. Aquele que faz um contrato com alguém que tenciona processar é um criminoso; a cessação desse negócio insidioso é desejável, e não pode avançar com nenhuma razão que justifique que uma mudança da lei prejudicaria mais alguém.
Vemos nações que fazem comércio umas com as outras, e em que nenhum pagamento é compelido, a conveniência mútua leva à confiança mútua, e os Mercadores continuam a satisfazer os pedidos uns dos outros, embora não tenham mais nada a temer a não ser a perda do negócio.
É, pois, coisa vã continuar uma instituição que a experiência demonstra ineficaz. Até agora temos posto na prisão gerações e gerações de Devedores umas a seguir às outras, mas não vemos os seus números diminuir. Sabemos agora que a precipitação e a imprudência não serão dissuadidas de pedir crédito; tentemos ver como se pode reprimir a fraude e a avareza para evitar que o concedam.

Com a maior consideração, etc.

Samuel Johnson, Prisões de Devedores (1), em Páginas Escolhidas, pp. 136-137, Quetzal, Fevereiro de 2014.

Post-Scriptum: «Sim» ganha referendo na iniciativa "conta a imigração em massa" na Suíça: Suíços viram as costas à livre circulação e à Europa. Suíça diz um sim, um não e um logo se vê. A parcialidade do tom com que as notícias são escritas, não vou comentar. Quanto ao resultado do referendo, apenas tenho isto a dizer: a vitória do «Sim» reflecte mais o estado da Europa (como um todo, Suíça incluída), que o estado da Suíça. Mas a Europa (Suíços incluídos) vai continuar a assobiar para o lado, incapaz de deixar de olhar para o umbigo, e de se olhar ao espelho...

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