terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Foi num país...

Foi num país sombrio e triste, escondido entre montanhas negras, que Raúl nasceu. O Sol parecia ter-se esquecido daquele cantinho do Mundo e quando ali passava de longe em longe a sua luz só a custo vencia, pálida e frouxa, as pesadas nuvens cinzentas que rondavam o Espaço, dia e noite, como se quizessem impedir um socorro do Céu àquela terra desolada.
O rei, severo e autoritário, trazia a pequena população escravizada sob o pêso de uma infinita crueldade. Camponeses e operários viviam exclusivamente para o trabalho e êste rendia-lhes menos do que o indispensável. Os primeiros, embora herdassem dos pais as minguadas terras de que arrancavam o magro sustento, eram obrigados a pagar fabulosos impostos para poderem cultivá-las; e os segundos, que alimentavam com o seu esfôrço tôdas as indústrias, cuja propriedade e rendimentos pertenciam ùnicamente ao rei, não chegavam sequer a ganhar muitas vezes para o trigo e o leite que os filhos pediam.
...E se alguma voz se levantava para gritar o seu protesto, logo baixava sôbre a cabeça rebelde o cutelo do carrasco!
Entretanto, no grande palácio real, tudo era luxo e explendor... tudo se afigurava ocorrer a milhares de milhares de quilómetros de distância, no outro extremo do Mundo, tal era a diferença de ambiente, tão grande o salto da miséria máxima à máxima fortuna dentro dos muros do mesmo país.

(N.C., 1946)

Post-Scriptum, 21/02/2014 - Natália Correia, Grandes Aventuras de um Pequeno Herói, 1946

2 comentários :

  1. Respostas
    1. Adicionei a resposta ao post - de qualquer modo já te tinha dado a resposta via facebook - mas para que todos os desprevenidos que aqui venham parar...

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