sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Feliz Natal e Próspero Ano Novo

Aníbal Cavaco Silva, Maria Cavaco Silva

Este ano venho desejar-vos um Feliz Natal uns dias mais cedo que o habitual, que o Natal é quando um homem quiser e outro deixar, e se o Nicolás, que até tem nome de Pai Natal, pode, porque não havemos de poder nós? Para este Natal seleccionei a bela árvore dupla que podem apreciar acima - sem grandes enfeites, que a árvore já é, por si só, um enfeite. Árvore óptima para enfeitar todas as salas desse povo capado, povo que sente que tem os tomates no sítio, qual membro-fantasma: um povo que elege para o representar as figurinhas de presépio que acima se apresentam merece todas as desgraças que lhe acontecem. Que a boa estrela vos guie, e que os anjinhos vos protejam, e que a vaquinha e o burrinho sejam de novo admitidos, que só têm trabalhinho nesta época, coitadinhos. Que haja muito amor e carinho e quentinho no curral. Que tenham muitos cavacos para queimar na fogueirinha. Que pratiquem a caridadezinha - que há tanto pobrezinho, meu Deus! E para animar, esperai ansiosamente as mensagens de Natal de suas excelências: muita palhinha na manjedoura vos desejarão, e se vos cortam no fardo é apenas porque, preocupados com as vossas gorduras, não gostam que vivam em cima das vossas possibilidades, tão grandes que elas são, podeis cair por causa das vertigens. Cuidado com os romanos.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Américo Rodrigues

Américo Rodrigues, Teatro Municipal da Guarda, Director

Fui demitido do cargo de director artístico do Teatro Municipal da Guarda pelo actual presidente da Câmara Municipal da Guarda, Álvaro Amaro. O pretexto para a demissão, feita por telefone, foi a convocatória que fiz para uma conferência de imprensa onde tencionava esclarecer um processo de contratação artística (que o autarca publicamente colocou em causa com considerações impróprias e ofensivas). Tanto a convocação de conferências como a representação da Culturguarda são tarefas que me estão distribuídas em contrato. Achei também que devia defender a honra dos profissionais do TMG e a imagem da Culturguarda.
Estive no TMG quase nove e ele corresponde a um "sonho" de vários anos. Vou embora com a consciência tranquila de que fiz o melhor que sabia e podia, de forma a que o TMG fosse uma referência nacional.
Obrigado a todos os que colaboraram comigo e com o TMG nestes últimos anos.


No país do beija-mão, do sim-senhor-doutor, dos lambe-botas, da subserviência, dos curva-espinhas, dos tiranos-tiraninhas-tiranetes, neste enorme (mas pequenino), fedorento, mal-cheiroso, e pestilento país-cloaca, nada me surpreende. Enoja-me, porque é enjoativo. Esta gentinha, que nem gentinha é, esta gentalha, era metê-la a toda em fila indiana. Uma bala talvez não bastasse, que a fila seria longa, mas sempre se havia de poupar alguma coisa. De qualquer modo, o país tem o que merece. Infelizmente (repito: infelizmente) é quem se indigna que está a mais.

O início do fim do Teatro Municipal da Guarda; Director do TMG demitido; O Afastamento de Américo Rodrigues; O retrocesso ao caciquismo: Américo Rodrigues demitido do lugar de Director do Teatro Municipal da Guarda; A destruição do OVNI; Cultura, Guarda e Humilhação; (De)Missão TMG; A Guarda. O TMG. O Povo.

Les mains d'or



Letra a escutar - e ler - com atenção:

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

25 anos

Pai, nunca fui à tua campa, a não ser quando, no que me restou da infância, era arrastado pela mão da mãe. Ou quando outro enterro me levava ao cemitério - agora até os enterros evito - como os casamentos - ou os baptizados - sabes que nunca acreditei em nada disso, nem em nada do que significam ou representam. Sabes que nunca acreditei que lá onde estivesses - para mim em lado nenhum, apenas enterrado o que restava de ti e que hoje estará desfeito, comido pelos bichos da terra - nunca acreditei que me pudesses ouvir - ou zelar por mim - ou o raio que os partam que me tentavam enfiar na cabeça. Sabes - saberias, se fosse possível saberes -, no entanto, que nunca te esqueci - que não te esqueci um único dia da minha vida. Que enquanto respirar neste malfadado planeta, viverás - viverá um pouco de ti - dentro de mim. Sabes que choro ainda - ainda que as lágrimas já se me tenham secado há muito - há 25 anos.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Mazagran - Recordações e outras fantasias



Ainda há boas notícias. Parabéns, J. Rentes de Carvalho.

L'amour...

Banksy Heart Balloon in New York
Graffiti de Banksy


"Chérissez l'amour, Marcus. Faites-en votre plus belle conquête, votre seule ambition. Aprés les hommes, il y aura d'autres hommes. Aprés les livres, il y aura d'autres livres. Aprés la glorie, il y aura d'autres gloires. Aprés l'argent, il y a encore de l'argent. Mais aprés l'amour, Marcus, aprés l'amour, il n'y a plus que la sel des larmes." - Harry Quebert

Joël Dicker, in La Vérité sur l'Affaire Harry Quebert, Éditions de Fallois/L'Âge d'Homme, Paris, 2012, p. 511


segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Hervé Guibert. João Cerqueira. Eça de Queiroz. Leituras...

Hervé Guibert, À l'ami qui ne m'a pas sauvé pas la vie, João Cerqueira, The Tragedy of Fidel Castro, Eça de Queiroz, O Crime do Padre Amaro

A acabar À l'ami qui ne m'a pas sauvé la vie, de Hervé Guibert, segue-se The Tragedy of Fidel Castro, de João Cerqueira (a edição portuguesa é de 2008, na Saída de Emergência), para depois regressar a O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz, agora na primeira edição (dizia o Eça que era a definitiva...)

Gosto deste caos aparente de títulos, autores, e línguas. Pena não saber holandês. Em estado de negação - foi o Jorge Luis Borges quem disse que o paraíso seria uma espécie de biblioteca? Não faltaria que a quisesse incendiar. Todos adivinharam qual era o romance - ou ninguém quer saber - ou podem ser tantos...?

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

J. Rentes de Carvalho sobre "Os Idiotas" de Rui Ângelo Araújo

Os Idiotas, José Rentes de Carvalho, Rui Ângelo Araújo, Texto Apresentação

Já devia ter escrito aqui a minha impressão - a pintura instantânea daquilo que a leitura de Os Idiotas suscitou no meu pensamento - mas não ando com disposição para nada, como a minha ausência do blog pode comprovar, e tenho um artigo atrasadíssimo para o homo literatus que já vai quase nas 3000 palavras, mas que quanto mais cresce mais parece estar incompleto. Adiante - não me canso de repetir que a leitura de Os Idiotas, de Rui Ângelo Araújo, devia ser de leitura obrigatória - deixo aqui o texto de J. Rentes de Carvalho, aquando da apresentação do livro na livraria Traga-Mundos:

«Um especialista em gerontologia que me conhecesse, e me encontrasse aqui, teria motivo de preocupação. E ouvindo o que vou afirmar, talvez não chamasse logo o 112, mas de certeza abanava a cabeça, pois a repetição é indício seguro da falta de memória e, como sabem, um dos sintomas graves da degenerescência mental, e prenúncio de senilidade.
Contudo, antes de tocar esse melindroso ponto, deixem que me atrase a fazer umas breves considerações a respeito de um assunto que me interessa, e o qual, embora indirectamente, é também a razão deste encontro.

domingo, 3 de novembro de 2013

Vivre Livre ou Mourir*

Thomas Wightman, Escultura Livro
Thomas Wightman
*É isto. O romance não vale o espalhafato que o cerca - não, não é genial, nem sequer muito bom - é apenas uma mescla de géneros, temáticas, e alguns lugares-comuns, medianamente explorados, numa linguagem simples. Lê-se num instante - mesmo sem tradução - mesmo tendo apenas um conhecimento bastante sofrível da língua. Há dinheiro muito mais mal gasto; e penso que dará um bom filme - um bom filme hollywoodesco, entenda-se. Observação para os idiotas: «livre» é trocadilho.